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Antero Greco


Libertadores pressiona Coudet e Tiago Nunes

Eduardo Coudet e Tiago Nunes,para os quais a Libertadores veio cedo - Ricardo Duarte/Inter / Marcello Zambrana/AGIF
Eduardo Coudet e Tiago Nunes,para os quais a Libertadores veio cedo Imagem: Ricardo Duarte/Inter / Marcello Zambrana/AGIF
Antero Greco

Antero Greco é paulistano do Bom Retiro, jornalista desde 74. Trabalhou no Grupo Estado, Diário Popular, TV Gazeta, Corriere Dello Sport (Roma), além de colaborações para Folha e TV Band. Entrou na ESPN em 94. Cobriu 11 Copas (7 no local).

07/02/2020 04h00

O bom senso e a razão mostram que é preciso ter paciência com trabalho de técnico recém-chegado a um clube, ainda mais em início de temporada. Mas a necessidade de resultados imediatos e o temor de desclassificação derrubam a lógica e fazem prevalecer a paixão.

Por isso, amigo leitor, não é exagero afirmar que Eduardo Coudet e Tiago Nunes já sentem a pressão do cargo que ocupam no Inter e no Corinthians, respectivamente. Ambos têm, quando muito, um mês de casa, e se veem obrigados a mostrar eficiência, sob risco de comprometer o ano da equipe e a própria imagem.

Calma, não estou aqui a afirmar que os "professores" vão cair na semana que vem, se não avançarem na fase preliminar da Taça Libertadores. Não acredito nessa hipótese, embora não faltem exemplos de instabilidade e intransigência de dirigentes. No entanto, eventual tropeço vai colocar uma tonelada sobre as costas deles.

Nada de novo nisso, também. Embora jovens, ambos têm rodagem no futebol e sabem como funciona esse mundinho. Sobretudo na função que exercem. Treinador embute no salário também o desgaste e as cobranças. Sabem em que vespeiro se meteram.

O complicado, para a dupla, é o fato de toparem com decisões com meia dúzia de partidas no comando do elenco. E decisões pra lá de importantes, porque é competição sul-americana. Fosse apenas um Estadual, ou um torneio amistoso, a frustração por derrota não interfere tanto. Mas, como Libertadores é obsessão (e projeção e dinheiro), a coisa toda muda.

O risco da eliminação existe, faz parte do jogo. Para dizer o óbvio, do outro lado há adversários com o mesmo objetivo. O problema está na qualidade do futebol que Inter e Corinthians apresentaram, seja no empate com a Universidad de Chile, seja na derrota para o Guarani. Esse é o ponto que preocupa.

A verdade: colorados e alvinegros jogaram uma bolinha murcha, ou quase isso. Sim, sim, vamos dar desconto ao fato de que os times estão em formação - e aqui prevalece a razão. Agora, olhemos o que aconteceu dentro de campo, e daí a coisa fica feia.

O Inter teve um jogador a mais durante o segundo tempo, pressionou e... pouco assustou o gol de De Paul. Preocupou-se em não tomar gol (algo parecido com a estratégia de Odair Hellmann) e criou aquém do que se imaginava, mesmo na condição de visitante. Quantas bolas boas, por exemplo, apareceram para Guerrero? O empate de 0 a 0 não foi ruim, evidentemente, só que revelou um time ainda não encorajado para o ataque.

O Corinthians fez até menos, na quarta-feira, em Assunção. Perdeu para um Guaraní que ignorou o fato de ser mandante e que não teve a mínima intenção de agredir. Optou por contragolpe, dessa maneira obteve a vantagem definitiva e ficou atrás, à espera de o tempo passar. Uma ou outra vez arriscou finalizar no gol de Cássio.

E o que aconteceu com o Corinthians? Nada, a não ser tocar a bola, empurrar o Guaraní para o campo dele e rondar a área. Vários titulares estiveram abaixo do desejável (Sidcley, Luan, Janderson), o meio-campo com Cantillo e Camacho ficou devendo, Boselli abandonado e ainda assim mandou uma bola na trave.

Terra arrasada para Inter e Corinthians? De jeito nenhum. Têm a vantagem de decidir em casa, apesar do risco de que, se tomarem gol, a tarefa ficará mais árdua. Além disso, o vacilo na estreia altera estratégia dos técnicos, fará com que abandonem convicções e mirem só e apenas a vaga para a próxima etapa. Ou seja, terão de jogar pelo resultado. E eis um grande desafio.

Momento para testar maturidade, habilidade e autocontrole de Coudet e Tiago Nunes. E ver o poder de reação das equipes que dirigem. Logo de cara, eles vão aprender que não se aceita sem ônus o desafio de dirigir times de massa.

Antero Greco