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Ainda tem reviravolta na carreira de Neymar?

Neymar em ação pelo PSG contra o Lille - Christian Hartmann/Reuters
Neymar em ação pelo PSG contra o Lille Imagem: Christian Hartmann/Reuters
Antero Greco

Antero Greco é paulistano do Bom Retiro, jornalista desde 74. Trabalhou no Grupo Estado, Diário Popular, TV Gazeta, Corriere Dello Sport (Roma), além de colaborações para Folha e TV Band. Entrou na ESPN em 94. Cobriu 11 Copas (7 no local).

03/01/2020 04h00

Caro amigo, como começou 2020? Espero que tudo bem com você e família.

Vou falar de Neymar, na primeira coluna do ano.

"Como assim?!", você pode perguntar. "Isto é hora para se ocupar de Neymar? O que aconteceu com ele? Não tem assunto mais importante?"

Suas dúvidas são válidas e as faço minha também.

Mas o moço é tema interessante, sempre e de novo.

Pegue o mercado da bola por aqui, por exemplo. Devagar, numa lentidão de lesma velha e cansada. Ninguém até agora fez aquela contratação que dê o que falar. Compras só no varejo.

Pode reparar: o Corinthians parece um pouco mais apressado, enquanto São Paulo, Santos e Palmeiras curam ressaca de fim de ano. O Flamengo está de férias, o Cruzeiro tenta se refazer, e não sabe como se virar, sem grana.

Tem a Copa São Paulo de Futebol Júnior, a Copinha para os íntimos. Serve para preencher o vazio no calendário e é festa para empresários. Faz tempo deixou de ser celeiro de craques. Aparece um ou outro que, por descuido, escapou do radar dos olheiros da área.

Daí, surge o Neymar no horizonte. Não, desta vez não aprontou nada fora do normal. Curtiu as festas por aqui e voltou pontualmente para o Paris Saint-Germain, nesta quinta-feira. Não teve atraso.

Mas eis que retoma espaço de destaque na imprensa espanhola. Seja por escassez de notícias, seja por fundo de verdade manjado, os colegas ibéricos afirmam que o Barcelona voltará à carga para levar o astro de volta, dois anos e meio depois de tê-lo perdido para os franceses.

Não é segredo nem para o príncipe do Catar que controla o PSG que Neymar não vê a hora de levantar âncora de Paris. Não tem jeito: ele não tem a cara do time, o time não tem a cara dele. Na metade de 2017, se deixou seduzir pela grana (e quem pode condená-lo por isso?), pela perspectiva de deitar em rolar fora da sombra de Messi e Suárez e... nunca mais foi o mesmo.

Nada de relevante ocorreu na carreira de Neymar na aventura francesa. Não foi o melhor do mundo, não ganhou título retumbante, não superou Messi nem Cristiano Ronaldo, tampouco desequilibrou na seleção brasileira. Virou um profissional mais rico (parabéns, que Deus o ajude sempre e não se esqueça de nós), porém com brilho semelhante a muitos de nível semelhante.

Daqui a um mês, mais ou menos, Neymar completará 28 anos. Para a vida, um jovem (com essa idade cobri meu primeiro Mundial), mas já mais do que maduro para o mundo da bola. Não é mais o "menino Ney", não é mais a pérola a ser burilada, não é mais o projeto de craque.

Neymar tem saúde para muitos anos de carreira, ainda, mas em uma década acumula prêmios individuais muito, muito aquém, do que se imaginava no início, lá por 2009, no Santos. Com a idade de agora, Messi e Cristiano Ronaldo já haviam se fartado de Bolas de Ouro e prêmios da Fifa, assim como Ronaldo Fenômeno e Ronaldinho. Até Kaká, Rivaldo e Romário se destacaram antes. Neymar está no vácuo.

O momento da reviravolta pode ser 2020. Tomara consiga conduzir uma negociação favorável (se houver mesmo intenção do Barça em recontratá-lo) e chute para escanteio os prognósticos de que, ao fim e tudo somado, terá sido um blefe.

Neymar e PSG foram equívoco, uma para o outro. Mas fica a questão: se voltar para Barcelona, vai conformar-se em ser coadjuvante para Messi? Porque o argentino não mostra disposição para baixar a guarda e ir para a aposentadoria...

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.