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REPORTAGEM

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De carro novo, Hamilton deixa em aberto se continuaria na F1 após 8º título

Lewis Hamilton renovou contrato por apenas um ano com a Mercedes - Mercedes/Divulgação
Lewis Hamilton renovou contrato por apenas um ano com a Mercedes Imagem: Mercedes/Divulgação
Julianne Cerasoli

Fã de Fórmula 1 desde a infância, Julianne Cerasoli nasceu em Bragança Paulista (SP) e hoje vive em Londres (Inglaterra). Atua como jornalista desde 2004, tendo trabalhado com diversos tipos de mídia ao longo dos anos, sempre como repórter esportiva e com passagem como editora de esportes do jornal Correio Popular, em Campinas (SP). Cobrindo corridas in loco na Fórmula 1 desde 2011, começou pelo site especializado TotalRace e passou a colaborar para o UOL Esporte em 2015, e para sites e revistas internacionais. No rádio, é a repórter de Fórmula 1 da Sistema Bandeirantes de Rádio desde 2017, e também faz participações regulares no canal Boteco F1, o maior dedicado à categoria no YouTube. Em 2019, Julianne criou o projeto No Paddock da F1 com a Ju, na plataforma Catarse, em que busca aproximar os fãs da Fórmula 1 por meio de conteúdo on demand e podcast exclusivo com personagens da categoria. Neste espaço: Única cobertura in loco de toda a temporada da Fórmula 1 na mídia brasileira, com informações de bastidores, entrevistas exclusivas, análises técnicas e uma pitada de viagens.

Colunista do UOL

02/03/2021 09h28Atualizada em 02/03/2021 11h41

Com grandes chances de se tornar octacampeão na Fórmula 1 e se isolar como o piloto que conquistou mais títulos na história da categoria, Lewis Hamilton deixou em aberto se pretende ou não renovar seu contrato com a Mercedes por mais uma temporada. O inglês de 36 anos explicou que uma mistura entre a conjuntura mundial atual e o fato de já ter conquistado tanto no esporte o fizeram optar por, no início de 2021, renovar seu acordo apenas até o final do ano.

''Antes de mais nada, eu estou em uma situação privilegiada por ter atingido a maior parte das coisas que eu queria, então eu não sinto a necessidade de ficar planejando a longo prazo. Acredito que estamos vivendo em uma época bem incomum, então eu queria só um ano [de contrato] e depois a gente pode conversar sobre fazer mais, se tivermos que fazer isso.''

Perguntado se a conquista do octacampeonato seria decisiva para sua continuidade, Hamilton disse que não. ''Tomei uma decisão importante: não quero que isso seja o fator decisivo. Comecei a correr porque eu gostava e acho que isso tem de ser central no que eu faço sempre. Se o foco fosse só ganhar títulos, sinto que eu poderia me perder. Claro que é o sonho, mas não acho que é isso que vai decidir se eu fico ou não. É mais uma questão de eu ainda ter aquele sorriso debaixo do capacete quando eu saio do box. É uma questão de curtir o que faço. Ano passado foi muito difícil para todos, inclusive para mim, mas houve momentos muito poderosos. Será o mesmo neste ano? Veremos.''

As negociações para a renovação de Hamilton em 2021 acabaram se estendendo até o final de janeiro, mas o chefe Toto Wolff garantiu que não havia grandes pendências entre as partes. ''Eu e Lewis sempre estivemos muito alinhados. É que simplesmente não sentimos que era o momento de negociar enquanto o título não estava decidido. Depois, ele pegou covid no final do ano e, no começo de 2021, foi eu quem tive coronavírus'', explicou o austríaco, que já reconheceu anteriormente que a possibilidade de os salários dos pilotos entrarem no teto de gastos em 2022 motivou ambas as partes a assinarem por apenas um ano, já que o contrato do piloto mais caro do grid teria, fatalmente, de ser revisto neste caso.

Para evitar que a demora na assinatura do contrato se repita, Wolff disse que ele e Hamilton concordaram que vão começar as negociações bem mais cedo neste ano. ''Não queremos estar nesta posição desconfortável de não ter muito tempo para discutir, de ficar muito em cima da outra temporada. Até por isso acabamos fazendo um acordo só de um ano, para poder discutir com mais cuidado da próxima vez.''

Mas estaria Hamilton, depois de vencer tanto - ele conquistou seis dos últimos sete campeonatos, todos com a Mercedes - com dificuldades de encontrar motivação? Ele explicou durante o lançamento de seu carro para esta temporada, o W12, que seu grande objetivo no ano não está mesmo dentro das pistas. Ele quer fazer com que o discurso da promoção da diversidade no esporte passe a gerar ações concretas.

Este foi um tema importante durante as conversas para a renovação do contrato de Hamilton. Depois de ter identificado que apenas 12% de seus funcionários eram mulheres e 3% se identificavam como vindos de grupos de minorias étnicas, a equipe passou a estudar formas de mudar esse quadro. Em dezembro de 2020, foi lançado o Accelerate 25, programa pelo qual, nos próximos cinco anos, pelo menos 25% de todos os novos contratados serão de grupos menos representados. Além disso, a Mercedes vem firmando parcerias com escolas que oferecem cursos técnicos e têm grande representatividade de minorias no Reino Unido.

Primeiro piloto negro a disputar GPs na Fórmula 1, Hamilton vem forçando a equipe a tomar medidas mais assertivas.

''No passado, era uma questão de ganhar campeonatos, mas agora é realmente forçar por? ano passado, houve muitas discussões sobre igualdade e inclusão, e neste ano estamos falando muito em diversidade e em garantir que ações sejam feitas. Esse é o principal para mim, mas é claro que existimos para vencer, é por isso que todos estão trabalhando nesta equipe. Então minha meta é dar isso para eles.''

Pela quinta temporada seguida, Hamilton terá Valtteri Bottas como seu companheiro. O lançamento do W12 foi cercado de suspense, já que o diretor técnico, James Allison, disse que o time não vai revelar onde gastou as duas fichas de desenvolvimento às quais tinha direito e, durante a apresentação, o carro foi iluminado de uma forma que ajudava a esconder seu assoalho. Essa é a parte que mais sofreu mudanças neste ano por conta do regulamento técnico, visando a perda de cerca de 10% da pressão aerodinâmica, então também foi a área em que as equipes trabalharam mais.

Ano passado, a Mercedes surpreendeu os rivais durante os testes de pré-temporada ao estrear um sistema que alterava o ângulo de ataque das rodas para ajudar no trato com os pneus. Esse sistema, batizado de DAS, foi banido para a temporada 2021, que começa com o GP do Bahrein dia 28 de março. Mas todo o suspense indica que a Mercedes, mais uma vez e mesmo depois de sete títulos seguidos, não ficou parada.