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Ferrari é coadjuvante até em briga por 3º lugar (que vale R$ 280 milhões)

Carlos Sainz, da McLaren, na frente da Racing Point na pista de Sochi, na Rússia - Kirill KUDRYAVTSEV/FIA Pool
Carlos Sainz, da McLaren, na frente da Racing Point na pista de Sochi, na Rússia Imagem: Kirill KUDRYAVTSEV/FIA Pool
Julianne Cerasoli

Fã de Fórmula 1 desde a infância, Julianne Cerasoli nasceu em Bragança Paulista (SP) e hoje vive em Londres (Inglaterra). Atua como jornalista desde 2004, tendo trabalhado com diversos tipos de mídia ao longo dos anos, sempre como repórter esportiva e com passagem como editora de esportes do jornal Correio Popular, em Campinas (SP). Cobrindo corridas in loco na Fórmula 1 desde 2011, começou pelo site especializado TotalRace e passou a colaborar para o UOL Esporte em 2015, e para sites e revistas internacionais. No rádio, é a repórter de Fórmula 1 da Sistema Bandeirantes de Rádio desde 2017, e também faz participações regulares no canal Boteco F1, o maior dedicado à categoria no YouTube. Em 2019, Julianne criou o projeto No Paddock da F1 com a Ju, na plataforma Catarse, em que busca aproximar os fãs da Fórmula 1 por meio de conteúdo on demand e podcast exclusivo com personagens da categoria. Neste espaço: Única cobertura in loco de toda a temporada da Fórmula 1 na mídia brasileira, com informações de bastidores, entrevistas exclusivas, análises técnicas e uma pitada de viagens.

Colunista do UOL

30/09/2020 04h00

A Mercedes está dominando mais uma vez o campeonato da Fórmula 1 e a Red Bull não tem rivais então, mesmo com sete provas para o final, já está claro quem será a campeã entre as equipes e quem será a vice. Mas há uma briga muito forte, e milionária, que está fazendo McLaren, Renault e Racing Point acelerarem as atualizações nos seus carros em busca da terceira colocação no Mundial de Construtores. E um prêmio que pode chegar a 280 milhões de reais da fatia dos direitos comerciais da categoria.

Há quem possa estranhar que a Ferrari esteja fora dessa briga direta. Após dez etapas disputadas, a Scuderia é apenas a sétima colocada e está um pouco distante dessa briga pelo terceiro lugar, com 74 pontos. O time levou uma asa traseira modificada para o GP da Rússia, o que é o primeiro passo de uma série de pequenas novidades para tentar melhorar o rendimento do carro, mas terá de conviver com a falta de potência pelo menos até o final deste ano, já que o regulamento impede mudanças, e dificilmente entrará nesta briga.

Até porque os três times estão investindo pesado em melhorias para chegar a uma terceira colocação pela qual não lutam há um bom tempo - no caso da Racing Point, seria a primeira vez. A pontuação no momento tem a McLaren em terceiro, com 106 pontos, a Racing Point com 104 e a Renault, com 99, e cada uma das equipes parece ter uma qualidade diferente.

Racing Point tem performance, McLaren tem pilotos, Renault tem consistência

Em termos de performance em si, a Racing Point tem o melhor carro e também é quem está com as atualizações mais importantes, antecipadas justamente por conta dessa briga. Mas seus pilotos não estão conseguindo, ora por erros, ora por azares, capitalizar.

O time levou um carro bastante modificado para o GP da Toscana. Somente Lance Stroll usou a atualização e vinha em quarto quando bateu por um furo no pneu. Na Rússia, aconteceu o mesmo (desta vez após ser abalroado por Charles Leclerc), com o time inclusive estreando o pacote de 2020 de transmissão e suspensão traseira da Mercedes, então o ritmo atual dos carros de Stroll e Sergio Perez é uma incógnita.

Já a McLaren tem como trunfo uma ótima dupla de pilotos e uma boa execução da pista, principalmente depois que os pit stops fracos do começo do ano ficaram para trás. Mas o carro ainda é muito sensível a temperatura e vento. "A Racing Point tem o carro mais forte, e acho que a margem é grande mas, ao mesmo tempo, temos tido grandes performances de nossos dois pilotos e também com grandes execuções de nossa equipe na pista. O carro em si é o quarto ou quinto do grid. Então não podemos nos deixar levar pela terceira posição no campeonato. Precisamos melhorar o carro", apontou Andreas Seidl, chefe da McLaren.

Os carros laranja ganharam um bico novo (usado somente por Norris na Rússia) e uma asa traseira (que Sainz quebrou no treino livre). O time vem testando várias peças nas últimas corridas, e a expectativa é de que o carro dê um salto quando tudo for somado.

Já a Renault tem feito um ótimo trabalho em otimizar o carro que tem em mãos, entendendo melhor como acertá-lo para as diferentes pistas. E isso fez com que o rendimento se tornasse mais consistente desde o GP da Bélgica, sexta etapa do campeonato. "Tivemos alguns flashes dessas boas performances ano passado, mas não mostramos isso de forma consistente o suficiente para realmente acreditarmos que poderíamos andar neste nível. Mas estamos indo bem em todos os tipos de circuitos, e isso é muito encorajador para a equipe", disse Ricciardo, que inclusive já acertou sua ida da Renault para a McLaren ano que vem.

O time vem em clara ascensão: nas 21 corridas de 2019, a Renault fez 91 pontos. Neste ano, foram 99 em dez etapas. Nada se compara, porém, ao crescimento da Racing Point, sétima no campeonato de 2019, com 73 pontos. Em oito etapas, eles já tinham superado a marca, mesmo tendo perdido 15 pontos depois que a FIA viu irregularidades no processo de desenho dos dutos traseiros do carro.

O terceiro lugar do campeonato de construtores costuma render perto de 280 milhões de reais, quantia que varia de acordo com o que é arrecadado anualmente pela F1 e deve ser menor devido à pandemia. Em 2019, a diferença entre o valor dado pelo terceiro e quarto lugares chegou perto de 80 milhões de reais. Para estes times, cujo orçamento fica entre 1.1 e 1.4 bilhão de reais (Ferrari, Mercedes e Red Bull gastam mais de 2 bilhões), trata-se de uma diferença considerável.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.