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Existe um campeonato na F1 em que a Mercedes é 'freguesa' da Red Bull

Pit stop mais rápido da história da F1 foi de Max Verstappen no GP Brasil de 2019 - Mark Thompson/Getty Images
Pit stop mais rápido da história da F1 foi de Max Verstappen no GP Brasil de 2019 Imagem: Mark Thompson/Getty Images
Julianne Cerasoli

Fã de Fórmula 1 desde a infância, Julianne Cerasoli nasceu em Bragança Paulista (SP) e hoje vive em Londres (Inglaterra). Atua como jornalista desde 2004, tendo trabalhado com diversos tipos de mídia ao longo dos anos, sempre como repórter esportiva e com passagem como editora de esportes do jornal Correio Popular, em Campinas (SP). Cobrindo corridas in loco na Fórmula 1 desde 2011, começou pelo site especializado TotalRace e passou a colaborar para o UOL Esporte em 2015, e para sites e revistas internacionais. No rádio, é a repórter de Fórmula 1 da Sistema Bandeirantes de Rádio desde 2017, e também faz participações regulares no canal Boteco F1, o maior dedicado à categoria no YouTube. Em 2019, Julianne criou o projeto No Paddock da F1 com a Ju, na plataforma Catarse, em que busca aproximar os fãs da Fórmula 1 por meio de conteúdo on demand e podcast exclusivo com personagens da categoria. Neste espaço: Única cobertura in loco de toda a temporada da Fórmula 1 na mídia brasileira, com informações de bastidores, entrevistas exclusivas, análises técnicas e uma pitada de viagens.

Colunista do UOL

20/09/2020 04h00

A Mercedes vem dominando o campeonato 2020 da Fórmula 1 de uma forma ainda mais impressionante do que nas últimas temporadas e dá a impressão de que domina todos os aspectos do esporte. Mas não é bem assim. Há uma disputa paralela em que a Red Bull é o time a ser batido. E isso não é de hoje: no campeonato dos pit stops, a briga da Mercedes é, na verdade, com a Williams.

O campeonato de pit stops foi instituído em 2015, dando uma contagem numérica a algo que sempre foi muito importante para as equipes e sempre gerou grandes disputas dentro do paddock. Ou pelo menos depois que o reabastecimento foi proibido, em 2010, e as trocas de pneus foram se tornando cada vez mais rápidas. Naquele ano, a parada mais rápida foi de 3s4, segundo a equipe McLaren. Dez anos depois, a Red Bull não apenas conseguiu trocar quatro pneus em 1s95, como vem consistentemente ficando perto dos 2s em todas as corridas.

A obsessão do time anglo-austríaco com os pit stops é clara: no penúltimo GP, disputado em Monza, na Itália, Max Verstappen bateu no treino livre e se arrastou para os boxes com o carro bastante danificado. Antes de recolher, a equipe pediu para que ele parasse do lado de fora para fazer um treino de troca de pneus. Durante cada final de semana de GP, são mais de 60 ensaios, sendo que os últimos são feitos minutos antes de os carros irem para o grid.

Mesmo tendo vencido todos os campeonatos de construtores e de pilotos de 2015 para cá, a Mercedes só foi a melhor nos pit stops em 2017, batendo justamente a Williams. Apesar de, na pista, o time inglês estar sofrendo nos últimos anos, o investimento feito em equipamentos e treinamento (incluindo até uma análise ergométrica, ou seja, de cada movimento dos mecânicos) após uma sequência de trocas ruins em 2015 fez o time se juntar à ponta do grid no quesito pit stops, e não sair mais.

Porém, de 2018 para cá, só deu Red Bull: naquele ano, eles venceram com 466 pontos, tendo a Ferrari em segundo e a Mercedes em terceiro, lembrando que a pontuação é a mesma dada aos pilotos, ou seja, o time com o pit stop mais rápido leva 25 pontos, o segundo 18, e assim por diante. E, como uma mesma equipe geralmente faz mais que uma troca de pneu por GP, é possível que ela entre duas vezes na lista.

Ano passado, quando a Red Bull fez o pit stop mais rápido de que se tem notícia - 1s82 para trocar os pneus de Max Verstappen no GP do Brasil, vencido pelo holandês -, eles venceram o campeonato com impressionantes 504 pontos, contra 439 da Williams e 315 da Ferrari. E a Mercedes ficou apenas em quarto.

Em 2020, com nove corridas disputadas até aqui, a Red Bull vem mantendo tranquilamente sua hegemonia, com 250 pontos, contra 161 da Mercedes e 127 da Williams. Enquanto isso, quem caiu bastante na tabela e vem tentando se recuperar é a McLaren, quinta em 2019 e oitava neste ano.

O time inglês sabe que perdeu muitos pontos, especialmente com Carlos Sainz, nas primeiras corridas da temporada, justamente por essa deficiência, e trabalhou para retificar isso. "Tivemos falhas técnicas, erros humanos e azar como na Hungria, em que tivemos trânsito no pit lane, e também uma falha em um sensor, que quebrou. Tivemos todos os tipos de problemas possíveis. Analisamos estes pontos fracos e eles provavelmente nos custaram muitos pontos no campeonato. E estamos nos esforçando para melhorar isso", disse o espanhol, questionado pelo UOL Esporte sobre essa deficiência.

De fato, nas últimas três provas, após a investigação citada por Sainz, a McLaren inclusive chegou a fazer o segundo e terceiro pit stops mais rápidos do GP da Itália, prova em que conquistou um terceiro e um quarto lugares, demonstrando a importância de se fazer trocas velozes no competitivo meio do pelotão.

Com toda a vantagem que tem na pista, a Mercedes por enquanto não sente os efeitos diretos de não ter pit stops tão competitivos. Mas a Red Bull tem motivos para confiar que, nas provas em que o desempenho estiver parelho, eles têm uma arma importante em mãos.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.