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GP da Espanha mostra que é preciso mais do que calor para bater Hamilton

Lewis Hamilton comemora vitória no Grande Prêmio da Espanha - Clive Mason - Formula 1/Formula 1 via Getty Images
Lewis Hamilton comemora vitória no Grande Prêmio da Espanha Imagem: Clive Mason - Formula 1/Formula 1 via Getty Images

Colunista do UOL

16/08/2020 16h14

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Não é à toa que o Circuito da Catalunha é tão usado para testes na Fórmula 1. É claro que o inverno mais ameno na região tem seu papel, mas a pista é cruel com as equipes no sentido de mostrar as forças e fraquezas dos carros, e com os espectadores, de certa forma, já que a dificuldade de seguir um rival de perto sem superaquecer seus pneus faz com que as corridas em Montmeló sejam mais táticas do que brigadas na pista.

Mas hoje não houve tática que pudesse derrubar Lewis Hamilton e a Mercedes, e isso Max Verstappen disse ter percebido a partir da volta 13, quando o inglês começou a aumentar o ritmo e ele viu que não tinha como responder. Diferentemente de Silverstone, com menos mudanças bruscas de direção em curvas de alta velocidade e com compostos mais duros em relação à semana passada, as bolhas não apareceram nos carros da Mercedes, e Hamilton, a partir daí, já sabia que não havia nada que Verstappen pudesse fazer em termos de estratégia. Isso, mesmo com temperaturas até mais altas do que na Inglaterra.

Outra prova de como o Circuito da Catalunha é cruel foi a corrida de Valtteri Bottas, cujo destino foi selado na largada. O finlandês, como tem sido comum, teve uma reação 0s2 mais lenta que Hamilton, o que foi o suficiente para que ele caísse de segundo para quarto, após uma manobra arriscada de Lance Stroll por dentro na primeira curva. Tendo de forçar seus pneus para superar o canadense na primeira parte da corrida, ele perdeu terreno na briga com Verstappen e não conseguiu mais recuperar. A Mercedes tem um carro projetado para liderar o pelotão, e nem poderia ser diferente, depois de seis títulos, então o finlandês tem de trabalhar melhor os sábados e as largadas se quiser ter qualquer chance contra Hamilton.

Pilotos-estrategistas

O inglês teve até tempo de questionar a estratégia e convencer o time a colocá-lo com o composto médio nas voltas finais, em um diálogo bem menos agressivo do que o que acontecia um pouco mais atrás entre Sebastian Vettel e a Ferrari. Em mais um dia em que ficou claro que o time, além de ter um carro lento, anda confuso, demorou para o engenheiro e Vettel pararem de bater cabeça a respeito da estratégia e focar na tática de uma parada que deu o sétimo lugar para o alemão. E, pior: um nervoso Leclerc teve que lembrar o time de que estava sem o cinto de segurança, depois que teve de tirá-lo para tentar reiniciar seu motor, com um problema elétrico após um ataque mais forte nas zebras.

A Ferrari é quinta no mundial depois de seis etapas e, na pista, está brigando ora com a McLaren (que finalmente acertou nos pit stops e viu Carlos Sainz ser sexto em uma pista em que eles esperavam sofrer), ora com a AlphaTauri (sim, a ex-Minardi), que vem contando com uma excelente temporada de Pierre Gasly.

As Racing Point finalmente conseguiram demonstrar seu ritmo e terminaram nas posições em que largaram pela primeira vez no ano. Eles estão numa "terra de ninguém", entre os três primeiros e o grupo de McLaren, Ferrari em diante. E a volta que levaram de Hamilton, cruelmente, no estilo GP da Espanha, deixou isso claro.