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Como as equipes da F1 estão se preparando para começar a temporada

Julianne Cerasoli

Fã de Fórmula 1 desde a infância, Julianne Cerasoli nasceu em Bragança Paulista (SP) e hoje vive em Londres (Inglaterra). Atua como jornalista desde 2004, tendo trabalhado com diversos tipos de mídia ao longo dos anos, sempre como repórter esportiva e com passagem como editora de esportes do jornal Correio Popular, em Campinas (SP). Cobrindo corridas in loco na Fórmula 1 desde 2011, começou pelo site especializado TotalRace e passou a colaborar para o UOL Esporte em 2015, e para sites e revistas internacionais. No rádio, é a repórter de Fórmula 1 da Sistema Bandeirantes de Rádio desde 2017, e também faz participações regulares no canal Boteco F1, o maior dedicado à categoria no YouTube. Em 2019, Julianne criou o projeto No Paddock da F1 com a Ju, na plataforma Catarse, em que busca aproximar os fãs da Fórmula 1 por meio de conteúdo on demand e podcast exclusivo com personagens da categoria. Neste espaço: Única cobertura in loco de toda a temporada da Fórmula 1 na mídia brasileira, com informações de bastidores, entrevistas exclusivas, análises técnicas e uma pitada de viagens.

Colunista do UOL

24/06/2020 04h00

Daqui a uma semana as equipes da Fórmula 1 já estarão a caminho da Áustria para começar uma temporada que foi atrasada em quase quatro meses por conta da pandemia do coronavírus. E cada uma delas fez o que pôde para se preparar, em meio às várias restrições regulamentares da Fórmula 1 para fazer testes privados. E dificuldades econômicas.

A única equipe que testou com um carro atual foi o time que promete ser uma das grandes sensações da temporada, a Racing Point, que andou na pista de Silverstone com Lance Stroll. Isso porque o outro piloto do time, Sergio Perez, segue em seu país natal, o México.

Outras equipes poderiam usar o que é chamado de teste promocional, única brecha dada no regulamento para andar em um circuito com o carro da temporada atual, mas decidiram não fazê-lo. É o caso da Ferrari, que andou nesta terça-feira, no circuito de Mugello, com o carro de 2018. Eles poderiam usar um dos dois testes promocionais aos quais têm direito no ano, mas teriam que respeitar as limitações de 100km. E é bem provável que a avaliação tenha sido de que disponibilizar 50km para cada piloto (em Mugello, menos de 10 voltas) seria menos significativo que testar com um carro antigo de maneira ilimitada.

Foi o mesmo que a Mercedes e a Renault fizeram. O time dos hexacampeões divulgou imagens que mostram a equipe simulando também trabalhar com todas as restrições impostas no começo da temporada a fim de evitar a contaminação por coronavírus, a exemplo da Ferrari. E, assim como as demais equipes que escolheram testar em Silverstone nas últimas semanas, pegaram pista úmida, com Lewis Hamilton. Valtteri Bottas teve mais sorte e testou no seco no dia anterior.

Já a Renault decidiu testar justamente no circuito que abre a temporada, o Red Bull Ring, que receberá as duas primeiras etapas, e andaram bastante: Daniel Ricciardo deu 115 voltas e Esteban Ocon, 143. A confiabilidade do motor francês chamou a atenção do consultor da Red Bull, Helmut Marko, que afirmou acreditar que o time usou a unidade de potência atual, o que seria ilegal. "A Renault tinha que pilotar um carro de dois anos atrás, mas eram os novos motores que estavam no carro", disse ao jornal Osterreich. "Fiquei impressionado pela confiabilidade. Só imagino se foi esperto a Red Bull alugar a pista para a Renault."

A alfinetada tem um motivo: a Red Bull não pode fazer um teste semelhante porque deixou de ser equipada pelo motor Renault e hoje trabalha com a Honda, mesmo motivo pelo qual a AlphaTauri ficará fora das pistas até o início da temporada. O que os pilotos podem fazer para se preparar é usar o simulador, como Alex Albon fez na semana passada, e treinar pesado, como Max Verstappen tem mostrado em suas mídias sociais.

A McLaren também foi uma equipe que trocou de motor de 2018 para cá - em seu caso, do Honda para o Renault - e ainda por cima não enfrenta um grande momento financeiramente. Com isso, seus pilotos testaram um carro de F3 alugado, bastante similar ao usado por Lando Norris para vencer o campeonato da categoria em 2017. E, para piorar, Lando e Carlos Sainz foram outros que pegaram chuva em Silverstone.

Outras equipes devem ficar de fora das pistas por questões financeiras são a Haas, Alfa Romeo, que publicou vídeos com seus mecânicos treinando pitstops dentro da fábrica, na Suíça, e a Williams. Resta aos pilotos focarem no kart, como George Russell postou.

A temporada da F1 começa com três corridas em finais de semana seguidos: duas na Áustria e uma na Hungria, sem a presença de público. Só oito provas estão confirmadas até agora, com a expectativa de que sejam realizadas de 15 a 18 etapas das 22 originalmente programadas.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.