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F1 aposta em plano ousado para 'furar' quarentena e começar temporada

Plano da F1 é começar a temporada dia 5 de julho no Red Bull Ring - Matthias Heschl/Red Bull Content Pool
Plano da F1 é começar a temporada dia 5 de julho no Red Bull Ring Imagem: Matthias Heschl/Red Bull Content Pool
Julianne Cerasoli

Fã de Fórmula 1 desde a infância, Julianne Cerasoli nasceu em Bragança Paulista (SP) e hoje vive em Londres (Inglaterra). Atua como jornalista desde 2004, tendo trabalhado com diversos tipos de mídia ao longo dos anos, sempre como repórter esportiva e com passagem como editora de esportes do jornal Correio Popular, em Campinas (SP). Cobrindo corridas in loco na Fórmula 1 desde 2011, começou pelo site especializado TotalRace e passou a colaborar para o UOL Esporte em 2015, e para sites e revistas internacionais. No rádio, é a repórter de Fórmula 1 da Sistema Bandeirantes de Rádio desde 2017, e também faz participações regulares no canal Boteco F1, o maior dedicado à categoria no YouTube. Em 2019, Julianne criou o projeto No Paddock da F1 com a Ju, na plataforma Catarse, em que busca aproximar os fãs da Fórmula 1 por meio de conteúdo on demand e podcast exclusivo com personagens da categoria. Neste espaço: Única cobertura in loco de toda a temporada da Fórmula 1 na mídia brasileira, com informações de bastidores, entrevistas exclusivas, análises técnicas e uma pitada de viagens.

Colunista do UOL

19/05/2020 09h51

A Fórmula 1 planeja começar sua temporada 2020 com duas corridas na Áustria, no início de julho, mas precisa ultrapassar um obstáculo importante para que o campeonato possa continuar: a quarentena de 14 dias que o governo britânico estuda impor para todos os que entrarem no Reino Unido. Isso inviabilizaria não apenas a realização do GP da Grã-Bretanha, como também complicaria muito o restante da temporada, uma vez que sete das 10 equipes do grid são baseadas na Inglaterra.

A quarentena faz parte do pacote anunciado na semana passada pelo governo britânico como uma das medidas que serão tomadas para permitir que o país saia do progressivamente do lockdown. Segundo país em número de mortes pela covid-19 no mundo, o Reino Unido vive com restrições desde o final de março.

O ministro dos transportes, Grant Shapps, disse que a quarentena vai abranger todas as chegadas inicialmente, mas admitiu que exceções podem ser permitidas. Não é apenas a Fórmula 1 que pressiona o governo: preocupadas com a participação de seus clubes na Liga dos Campeões e na Liga Europa, Manchester City, Chelsea, Manchester United, Wolverhampton Wanderers e Rangers também buscam uma solução.

Nesta terça-feira, a F1 soltou um comunicado dizendo que "uma quarentena de 14 dias tornaria impossível a realização do GP da Grã-Bretanha neste ano. Isso tem um grande impacto em milhares de empregos relacionados à F1 e seus fornecedores. Se o esporte de alto rendimento voltar para a TV, tais exceções precisam ser dadas pelo governo."

A F1 trabalha com o plano de realizar de 15 a 18 corridas, iniciando o campeonato sem público, mas são poucos os países que estão em posição, no momento, de assegurar que será possível receber a categoria. Além da Áustria, as etapas que têm mais chances de acontecer são Azerbaijão, Bahrein, Abu Dhabi, Vietnã e China. Todas elas são corridas financiadas pelos governos locais e cuja taxa de realização é paga de forma antecipada.

F1 planeja isolar times antes de começar a temporada

red bull verstappen - Mark Thompson/Getty Images - Mark Thompson/Getty Images
Plano da F1 é isolar membros das equipes em grupos pequenos para frear contaminação
Imagem: Mark Thompson/Getty Images

O plano que a F1 está apresentando para convencer o governo britânico a acrescentá-la às exceções da quarentena é ousado. O UOL Esporte apurou que a ideia é que apenas cerca de 1000 pessoas viajem para as corridas - bem menos que as cerca de 4000 que o fazem normalmente. Eles seriam separados em grupos ainda mais reduzidos, de menos de 10 pessoas, as únicas com as quais teriam contato direto durante as provas. E seriam testados a cada dois dias, como já adiantou o diretor Ross Brawn, usando testes providos pela Formula Medicine, empresa italiana ligada à F1. Além disso, todos usariam aplicativos para celular que ajudam a rastrear novas infecções, a exemplo do que vem sendo usado com sucesso em alguns países asiáticos.

Isso significa, por exemplo, que mecânicos que trabalham no carro de Lewis Hamilton na Mercedes não entrarão em contato com os mecânicos de Valtteri Bottas desde duas semanas antes da viagem à Áustria para a primeira corrida, algo que continuaria sendo observado no circuito. Isso facilita no caso de algum membro testar positivo: somente este grupo menor seria isolado.

Como ficaria o calendário?

A ideia é realizar duas corridas na Áustria, nos dias 5 e 12 de julho, algo que já está acertado com as autoridades locais. Somente um aumento significativo do número de infectados no país, que foi um dos primeiros da Europa a relaxar as regras de quarentena, mudaria os planos. Joga a favor da pista austríaca a localização afastada de grandes centros.

Depois de longas negociações para acertar os termos financeiros, a F1 fechou um acordo com Silverstone, para realizar duas etapas na pista em que a categoria fez sua primeira etapa, há 70 anos. É aí que a quarentena britânica começaria a inviabilizar o plano, pois os profissionais da F1 teriam que retornar ao trabalho, no máximo, 10 dias depois de voltarem da Áustria.

Até mesmo se a F1 não chegar a um acordo com o governo para entrar nas exceções e tiver que esperar que a quarentena não seja mais imposta para fazer o GP da Grã-Bretanha, teria que enfrentar outro problema: já que sete das 10 equipes são baseadas na Inglaterra, isso significaria que as próprias equipes ficariam impedidas de retornar ao país.

Desde que a quarentena foi anunciada, são vários os setores que buscam uma flexibilização, já que a quarentena para todas as chegadas afetaria o abastecimento da ilha. Outro setor que pressiona muito o governo britânico é o de turismo, uma vez que a quarentena desestimularia os britânicos a viajarem para o exterior no verão, que se aproxima no hemisfério norte.

Consultadas pela Liberty Media, que detém os direitos comerciais da F1, as equipes assinalaram que podem esperar o início de junho para que seja tomada a decisão final acerca da temporada, caso o plano de começar dia 5 de julho siga em pé.

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