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Olhar Olímpico

REPORTAGEM

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Governo muda divisão de recursos da Timemania e times grandes saem perdendo

12.jun.2019 - O presidente Jair Bolsonaro e o ministro Sergio Moro em partida entre Flamengo e CSA no Mané Garrincha, no DF - Alex Farias/PhotoPress/Folhapress
12.jun.2019 - O presidente Jair Bolsonaro e o ministro Sergio Moro em partida entre Flamengo e CSA no Mané Garrincha, no DF Imagem: Alex Farias/PhotoPress/Folhapress
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

14/01/2022 14h53

O governo federal alterou hoje (14), pela segunda vez em quatro meses, os critérios de divisão dos recursos da Timemania entre os clubes de futebol. O decreto publicado nesta sexta-feira com a assinatura do presidente Jair Bolsonaro (PL) também volta a alterar a lista dos 80 times elegíveis nos volantes. Clubes grandes e principalmente os médios saem perdendo pelas mudanças. Os pequenos, ganhando. O objetivo, porém, é recuperar o nível de arrecadação e acabar por aumentar a receita de todos.

A loteria criada em 2008 para oferecer uma fonte de recursos para clubes pagarem suas dívidas federais considerou, para definir os 80 times do volante, o cenário do futebol brasileiro em 2007. Foram incluídas as equipes das séries A e B daquele ano, e as demais vagas foram ocupadas por critérios históricos.

Desde então, clubes como o Grêmio Barueri, que se licenciou em 2016, e o União São João de Araras, licenciado desde 2015, estão na cartela, podem ser escolhidos e recebem verba federal. Enquanto isso, equipes que se tornaram relevantes nos últimos anos, como a Chapecoense, não tinham acesso a esses recursos.

Esse cenário foi parcialmente alterado em setembro do ano passado, quando Bolsonaro assinou decreto incluindo os times das Séries A e B do Brasileirão das duas últimas temporadas nos volantes. O decreto de hoje acrescenta as equipes da Série C. As vagas restantes serão ocupadas com base no ranking da CBF. A Secretaria Especial do Esporte tem até 31 de janeiro para definir essa lista, que começa a valer em 2 de maio. Depois, ela será revisada, por esses critérios, a cada dois anos.

Menos dinheiro para os grandes

Também ficam modificados os critérios de divisão dos recursos, antes inteiramente definido a partir do "time do coração" indicado pelo apostador no ato da aposta. De todo o montante arrecadado pela Timemania, 22% vai para os clubes. Continua sendo assim, o que muda é como será a divisão entre eles.

Com as mudanças, o governo quer incentivar os clubes de maior torcida a fazerem campanhas para que seus torcedores apostem e, com isso, aumentar a receita da Timemania, em franca queda. Em 2017 foram feitas 237 mil apostas. No ano passado, só 77 mil. Mesmo com o aumento do valor da aposta (de R$ 2 para R$ 3), a receita caiu pelo quarto ano seguido em 2021.

Desde 2008, 20% da arrecadação era dividida igualitariamente dentro de "grupos" definidos a partir do número de apostadores que marcaram aquele como seu "time do coração". A maior fatia desse bolo (65%) ficava com os 20 clubes com mais apostadores. Então Flamengo (primeiro do ranking) e Treze-PB (vigésimo) ganhavam a mesma coisa nessa divisão — no ano passado, R$ 1,5 milhão. Clubes do grupo 2 (do 21º ao 40º) levaram R$ 583 mil cada, enquanto os do grupo 3 (do 41º ao 80º), apenas R$ 93 mil.

Além disso, havia uma parcela pequena da arrecadação da Timemania, 2%, com relação direta com a porcentagem de apostadores torcedores de cada clube. O Flamengo, que teve 5,66% das marcações de "time do coração", levou R$ 264 mil no último ano. O Corinthians, R$ 178 mil.

A partir de maio, todos os 80 clubes vão receber uma parcela igual, retirada de uma fatia de 11% da arrecadação bruta da Timemania. Pelos números de 2021, isso dá um mínimo de R$ 321 mil para cada clube. Depois, outra fatia de 11% da arrecadação será dividida a partir da base de torcedores. Isso deve incentivar os clubes a fazerem campanha para seus torcedores apostarem.

Líder disparado em número de apostadores, o Flamengo terá (com base nos números de 2021) uma perda relativamente pequena de arrecadação pela Timemania. Vai de R$ 1,7 milhão, a R$ 1,6 milhão. Receberia, na comparação entre a regra antiga e a nova, R$ 139 mil a menos.

Para os demais clubes grandes e médios o prejuízo é bem menor, mantendo-se a base de apostadores de 2021. Eis os números, sempre negativos:

Para Fortaleza, Goiás, ABC, Athletico, Ceará, Vitória e Treze-PB a redução também será de mais de R$ 700 mil, até quase um milhão para este último.

Equipes do chamado grupo 2 (entre o 21º e o 40º do ranking) também vão receber menos dinheiro. A lista vai do Avaí (R$ 23 mil a menos) até o Botafogo-PB (R$ 90 mil a menos), aumentando para quem está mais abaixo do ranking. Neste grupo estão, por exemplo, América-MG, Atlético-GO, Coritiba, Sport, Guarani e Juventude. O Americano de Campos, que recebeu R$ 626 mil no último ano, sai da Timemania.

Por outro lado, os demais 40 clubes do volante, lista que deve sofrer grandes mudanças a partir de maio, vão ganhar muito mais do que estão acostumados. O Vila Nova, por exemplo, 41º do ranking de 2021, recebeu apenas R$ 135 mil no ano passado. Com a mesma porcentagem de torcedores, passaria a R$ 533 mil. Um aumento de R$ 397 mil, mais do que o triplo do que ganhava. O mesmo vale para os demais pequenos, que não chegavam a R$ 150 mil e agora terão, no mínimo, os R$ 321 mil da divisão igualitária.