PUBLICIDADE
Topo

Olhar Olímpico

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Danielzinho fica a 6s do recorde de Ronaldo da Costa na maratona

Daniel Nascimento - Divulgação
Daniel Nascimento Imagem: Divulgação
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

05/12/2021 10h41

Com menos de um ano de carreira como maratonista, Daniel do Nascimento já tem seu nome na história do atletismo brasileiro. Neste domingo (5), em Valência, na Espanha, ele se tornou o segundo melhor atleta do país na prova, ficando a apenas 6 segundos do recorde nacional e sul-americano de Ronaldo da Costa.

Em 1998, há mais de 23 anos, Ronaldinho venceu a Maratona de Berlim em 2h06min05 e bateu o recorde mundial da prova, um feito que entrou para a história do esporte brasileiro. Desde então, as melhores marcas da maratona despencaram, mas o Brasil falhou em repetir resultados semelhantes, exceto por Marilson Gomes dos Santos, que fez 2h06min34 para ser quarto em Londres em 2011.

Neste domingo, Danielzinho entrou na lista de gigantes da maratona no Brasil. Ele foi nono colocado na Maratona de Valência com 2h06s11, ficando a 59 segundos do vencedor, o queniano Lawrence Cherono. A marca é a segunda melhor registrada por um atleta da América do Sul em toda a histórica. Como comparação, ela é mais de dois minutos melhor do melhor de Vanderlei Cordeiro de Lima.

O momento da história é outro e os atletas da atualidade têm a favor deles calçados que ajudam de forma significativa a baixar tempos, mas isso não diminui o feito de Danielzinho, que entra em um grupo de cinco brasileiros que correram abaixo de 2h09min: Ronaldinho, Marilson, Vanderlei, ele, e Luiz Antonio dos Santos, duas vezes campeão em Chicago, fundador da Luasa, e que morreu no mês passado.

E essa é só a terceira maratona de Danielzinho, de apenas 23 anos e uma enorme carreira pela frente. A estreia dele foi em Lima, em maio, quando fez a melhor estreia de um sul-americano na história: 2h09min05s, classificando-se para a Olimpíada de Tóquio. No Japão, com pouco tempo de preparação, chegou a liderar a prova olímpica, disputada em Sapporo, mas teve problemas físicos e abandonou.

No atletismo, é comum que bons fundistas só migrem para a maratona perto dos 30 anos. Daniel queimou etapas depois de chegar a abandonar o atletismo e voltar treinando em uma equipe pequena de Bauru (SP), em 2019, já pensando em correr maratonas. Tanto que, se forem considerados apenas atletas de menos de 24 anos, ele é o segundo do ranking mundial de 2021.