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Olhar Olímpico

REPORTAGEM

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Estádio do Pacaembu terá hotel de luxo e quer fisgar público endinheirado

Tobogã, do estádio do Pacaembu, é demolido - Simon Plestenjak/Folhapress
Tobogã, do estádio do Pacaembu, é demolido Imagem: Simon Plestenjak/Folhapress
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

30/11/2021 13h35

A concessionária Allegra Pacaembu e a prefeitura de São Paulo anunciaram nesta terça-feira (30) que parte do prédio que será erguido no lugar onde antes ficava o Tobogã será parcialmente ocupado por um hotel de luxo voltado à música. O prédio terá um restaurante na laje, um mercado gastronômico no último andar, o hotel nos dois andares abaixo, além de uma galeria de arte, um hub de inovação e um centro de recuperação física.

Em release divulgado à imprensa, a Allegra Pacaembu tratou o empreendimento com o termo "hotel de luxo", conceito que foi negado, em entrevista, pelo CEO do consórcio, Eduardo Barella. Segundo ele, apenas com infraestrutura e mobiliário, o UMusic Hotels vai investir mais de R$ 100 milhões no local, verba extra ao orçamento de R$ 400 milhões em obras que serão pagas pela Allegra.

Barella afirmou que o valor da diária desse novo hotel, uma joint venture entre a Universal Music Group e a Dakia U-Ventures, será variável de acordo com a demanda. Mas ele defendeu que o Pacaembu busque um público endinheirado. Para isso, usou como exemplo positivo o jogo entre Brasil e Colômbia, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo, que teve mais de R$ 7 milhões em bilheteria, mas não ocupou nem metade das arquibancadas da Neo Química Arena.

"O jogo de Brasil e Colômbia foram 22 mil pessoas. Se fosse R$ 27 o tíquete médio [como era em média um jogo no Pacaembu], teria sido R$ 592 mil de renda. Na Arena Corinthians foi R$ 393 [o tíquete médio] e a bilheteria foi de R$ 7,9 milhões. Se fizéssemos aqui com 10 mil pessoas a R$ 27 e o restante a R$ 800, R$ 900, R$ 1.000, teria feito R$ 7 milhões de bilheteria. Eu te falo: tem público para isso", afirmou Barella.

O empresário bate na tecla de que o Pacaembu, que passará a ter capacidade para 25 mil pessoas após a demolição do Tobogã, continuará a ter setor com ingresso mais barato, mas que agora vai buscar também quem pode pagar muito caro. "O cara que queria ter mais nível de hospitalidade não vinha no Pacaembu. Você não vai tirar quem pagava o ingresso mais barato. O torcedor que consegue bancar, ele vai bancar de verdade. Ele vai ficar no hotel, já casado com camarote, e o tíquete médio dele vai para R$ 1,5 mil", projetou Barella.

Quando a concessão foi anunciada, o empresário, que tem expertise no ramo de estruturas provisórias — fez boa parte das arenas e arquibancadas dos Jogos Pan-Americanos de Lima, por exemplo —, chegou a afirmar que, em grandes jogos, arquibancadas tubulares poderiam ser erguidas na esplanada entre o campo e o prédio comercial, ampliando a capacidade do estádio.

Segundo ele, a construção de um hotel com vista para o campo, mas que teria a visão tampada por essas arquibancadas, não impede que o projeto vá adiante. "Se eu não tiver lotação no hotel eu posso negociar com o hotel. Não necessariamente eu fico engessado", disse. A previsão é que o Pacaembu seja reaberto daqui a dois anos.

Até lá, Barella acredita que o Pacaembu terá dificuldades em fechar contratos para assegurar um número mínimo de partidas no estádio, uma vez que os clubes não conseguem fazer planos a longo prazo, diante das incertezas esportivas e políticas, com trocas de comando nas diretorias. Mas ele se mostrou otimista.

"Consigo trazer o Flamengo para fazer Flamengo e Corinthians aqui, por exemplo. Consigo trazer um Botafogo, um Sport, um Bahia. O Santos vai continuar precisando fazer jogos em São Paulo, onde tem torcida. O que queremos fazer aqui é uma coisa que se aproxima do conceito americano de trazer o espetáculo. Você não vai pagar aluguel, você vai ser meu sócio no match day", resumiu.