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Olhar Olímpico

REPORTAGEM

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Caio Souza lidera Mundial, mas cai no último aparelho e fica sem medalha

Caio Souza durante a final individual da ginástica olímpica - Ricardo Bufolin/CBG
Caio Souza durante a final individual da ginástica olímpica Imagem: Ricardo Bufolin/CBG
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

22/10/2021 08h19

Caio Souza passou perto, mas não conseguiu se tornar nesta sexta-feira (22) o sétimo ginasta do Brasil a subir ao pódio de um Campeonato Mundial, feito que deve ser atingido por Rebeca Andrade amanhã (23). O atleta do Minas Tênis Clube chegou a liderar a final do individual geral da esvaziada competição disputada em Kitakyushu, no Japão, mas terminou fora do pódio, em um decepcionante 13º lugar, depois de falhar no seu último aparelho, o cavalo com alças.

O brasileiro, que foi 17º nesta prova na Olimpíada, chegou a disputar diretamente a medalha de bronze com o ucraniano Illia Kovtun, décimo em Tóquio, mas acabou ultrapassado na última rotação, quando caiu do cavalo e recebeu nota mais de um ponto pior do que poderia fazer. Por isso, despencou para o mesmo 13º lugar que alcançou no Mundial de 2019, que foi muito mais forte. Pelo que está acostumado a fazer, o brasileiro era cotado para brigar pelo menos entre os cinco primeiros.

Campeão olímpico em Tóquio e mais uma vez competindo em casa, Daiki Hashimoto travou disputa ponto a ponto com o chinês Boheng Zhang, que chegou a vencer a seletiva olímpica chinesa, mas não foi convocado para Tóquio. De forma surpreendente, o título ficou com Zhang, por uma diferença de apenas 0,017: 87,981 a 87,964. O bronze foi para o peito de Kovtun, que está em sua primeira temporada como adulto.

Caio chegou a liderar a prova

Por ter feito uma apresentação ruim exatamente no cavalo com alças nas eliminatórias, Caio, que chegou ao Mundial como um dos candidatos ao pódio, foi só 17º colocado na fase de classificação e, por isso, fez a final na terceira rotação, competindo em uma ordem de aparelhos diferente dos principais favoritos.

Sem apresentar sua saída com triplo mortal, Caio começou bem nas argolas, com nota 13,966. No salto, em que foi finalista olímpico, tirou 14,633. Nas barras paralelas, aparelho no qual está classificado para a final do Mundial, também não arrisco sua melhor série e teve nota 14,566.

Nos três aparelhos, o brasileiro recebeu nota pouco pior do que a das eliminatórias. Mesmo assim, na metade da prova, após ter competido nas suas provas mais fortes, o líder era Caio. Uma posição que, sabia-se, era irreal, mas que colocava ele em reais condições de brigar por medalha, desde que evoluísse na reta final.

E ele fez isso já na barra fixa. Com uma das melhores apresentações da noite, o brasileiro recebeu nota 14,000, oito décimos a mais do que há dois dias. Compensou o que viria a perder no solo. Com duas falhas, Caio recebeu 13,300 dos juízes, ficando a mais de três décimos da nota das eliminatórias.

No cavalo com alças, principal calcanhar de Aquiles do brasileiro, a apresentação foi ruim. Caio se desequilibrou já no meio da apresentação, tentou se manter sobre o aparelho, mas acabou caindo. Tirou 12,200 e ficou em 13º.

A chance era agora

Por conta da pandemia e do adiamento das Olimpíadas para 2021, pela primeira vez em 25 anos o Mundial está sendo disputado no mesmo ano dos Jogos. Pela proximidade de datas, recebeu a inscrição de poucos atletas de renome. Dos 10 primeiros colocados do individual geral masculino em Tóquio, só o campeão, o astro japonês Daiki Hashimoto, dono da casa, compete o Mundial que está sendo disputado no Japão em meio à campanha do japonês Morinari Watanabe pela reeleição à presidência da Federação Internacional de Ginástica.

Diferente das principais seleções, no masculino e no feminino, o Brasil não levou novos nomes ao Mundial, para aproveitar a oportunidade para dar experiência a eles. A comissão técnica optou por convocar apenas Rebeca Andrade, entre as mulheres, e Arthur Nory e Caio Souza entre os homens. Luis Porto chegou a ser convocado também, mas depois foi cortado porque a comissão técnica entendeu que ele não estava no nível técnico que se imaginava — as seletivas foram online.

Apesar do baixo nível técnico do Mundial, o Brasil só conseguiu uma final por aparelhos, com Caio, que tirou 14,800 nas barras paralelas e entrou para a final com a oitava e última vaga. No salto, em que ele foi finalista olímpico, o brasileiro terminou em um modesto 20º lugar. Arthur Nory, atual campeão mundial na barra fixa, terminou também em 20º nesse aparelho e nem foi à final.

No feminino, Rebeca Andrade vai fazer três finais por aparelhos, nos três aparelhos em que competiu. Por decisão da comissão técnica, ela não se apresentou no solo, apesar de precisar de uma nota baixíssima neste aparelho para somar pontos suficientes para uma final do individual geral, tanto que sobrou no salto e nas assimétricas, principalmente.

No salto, Rebeca foi à final com média 14,800, ante 14,350 da holandesa Elisabeth Geurts, segunda colocada. Essa final será às 4h45 de amanhã, sábado, pleo horário de Brasília. Depois, às 6h25, a brasileira é favorita nas barras assimétricas, aparelho em que tirou 15,100 nas eliminatórias. A segunda colocada, a chinesa chinesa Wei, fez 14,733. A nota de Rebeca no Mundial, aliás, aumentou o debate internacional se ela não foi subjugada nas assimétricas na Olimpíada, perdendo o ouro por isso.

No domingo, às 5h, Rebeca faz final da trave, mas com menor chance de pódio. Ela passou com 13,400 e a última vaga para a decisão. Se repetir os 13,733 das eliminatórias da Olimpíada, porém, pode entrar na briga.