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Olhar Olímpico

REPORTAGEM

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Bach adia visita a Tóquio enquanto rejeição à Olimpíada segue alta no Japão

Carregadores revezam tocha olímpica em Fukushima, no Japão - Pool/Getty Images
Carregadores revezam tocha olímpica em Fukushima, no Japão Imagem: Pool/Getty Images
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

10/05/2021 15h10

O Comitê Olímpico Internacional (COI) segue sem conseguir acompanhar de perto os preparativos para os Jogos Olímpicos de Tóquio, enquanto a rejeição dos japoneses ao evento esportivo continua em alta. Sem visitar pessoalmente o Japão desde o início do ano passado, o presidente Thomas Bach cancelou a viagem que faria na semana que vem para participar do revezamento da tocha olímpica e, em seguida, para vistoriar as estruturas de Tóquio.

Bach vem afirmando que visitará o Japão "em breve", mas esse breve tem demorado mais do que o que planejava o COI, que chegou a anunciar planos para que o dirigente chegasse a Hiroshima na próxima segunda-feira. Em comunicado hoje, o comitê disse que a visita de Bach será feita "o mais rápido possível".

Faltando menos de 10 semanas para o início dos Jogos, a comunidade internacional segue sem conseguir entrar no país anfitrião, que estendeu o Estado de Emergência até 31 de maio em determinadas prefeituras, incluindo Tóquio. A previsão inicial é que as regras mais duras fossem mantidas só até amanhã (11), mas elas acabaram ampliadas, incluindo também duas novas regiões.

Isso porque o país está na quarta onda da pandemia, já quase tão agressiva quanto a terceira. Os gráficos de contaminações mostram uma evolução constante desde o início de março, quando a média móvel diária ficou abaixo de mil, até ultrapassar 5 mil casos diários na primeira semana de maio.

Tudo isso enquanto o Japão engatinha para acelerar o seu programa de vacinação. Entre os 37 membros da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), é o que menos imunizou sua população, chegando a apenas 1,6% dos habitantes do país, apenas, com a aplicação de cerca de 3 milhões de pessoas.

A vulnerabilidade da população japonesa, somada ao risco proporcionado pela entrada de visitantes estrangeiros e ao aumento de casos de covid no país, pressionando o sistema de saúde, faz com que a rejeição aos Jogos Olímpicos siga em alta no Japão e, pontualmente, em Tóquio. Pesquisa conduzida no fim de semana pelo jornal Yomiuri Shimbun mostrou que 59% dos japoneses querem o cancelamento da Olimpíada, ante a 39% de pessoas que defendem a realização do evento — o adiamento não é uma hipótese.

Outra pesquisa, da TBS News, apontou que 65% dos japoneses defendem o cancelamento ou o adiamento para uma data futura. Uma petição online alcançou 320 mil assinaturas em poucos dias, também pedindo o cancelamento. Mesmo em Tóquio já é maioria (61%) a opção pela não realização da Olimpíada.

Por enquanto a Olimpíada está mantida e nenhuma parte envolvida admite sequer a hipótese de cancelamento. A discussão do momento é se os Jogos terão público. Já está decidido que torcedores estrangeiros não serão autorizados, mas falta bater o martelo quanto ao público local. Hoje, eventos com público estão proibidos em Tóquio, por causa do Estado de Emergência.