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Olhar Olímpico

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Acusado de assédio sexual a menor, técnico é suspenso por 10 anos

Lucas Engel Vidal, suspenso por assédio sexual - Reprodução/LinkedIn
Lucas Engel Vidal, suspenso por assédio sexual Imagem: Reprodução/LinkedIn
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

20/04/2021 04h00

O Conselho de Ética do Comitê Olímpico do Brasil (COB) anunciou ontem (19) a maior punição já aplicada pelo órgão. O técnico de canoagem Lucas Engel Vidal, que também consta como membro do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) da modalidade, foi suspenso por 10 anos depois de a ouvidoria do comitê receber uma denúncia de assédio sexual e moral por parte dele a uma menor de idade. A reportagem apurou que a vítima tinha 12 anos quando as relações começaram.

A suspensão vale para "toda e qualquer atividade no âmbito do Movimento Olímpico Brasileiro". "Entende-se por proibição a vedação ao exercício de quaisquer funções em todo o sistema olímpico, incluindo-se as Federações, suas Afiliadas e entidades que possuam projetos custeados com recursos oriundos da Lei Agnelo Piva", explica a decisão. A íntegra dela pode ser conferida neste link.

Por se tratar de uma vítima menor de idade, o Comitê de Ética não pode detalhar ao público os detalhes da denúncia, mas o Olhar Olímpico apurou que o caso foi remetido pelo órgão ao Ministério Público do Rio Grande do Sul para que Vidal seja denunciado também na esfera criminal.

Procurado pela reportagem, Lucas entrou em contato com o advogado responsável por sua defesa, Douglas Rosa, que afirmou ao blog não ter sido oficialmente notificado da decisão, "gostaríamos apenas de esclarecer que ainda cabem recursos". Leia a íntegra da manifestação da defesa do técnico ao UOL:

"O processo do COB segue confidencial, e portanto não podemos tecer nenhum comentário de seu conteúdo, gostaríamos apenas de esclarecer que ainda cabem recursos, que poderão mudar a decisão tomada. Ainda não recebemos nenhuma notificação do MP a respeito."

Procurada pelo blog, a CBCa também disse que não se pronunciaria por não ter recebido comunicado oficial sobre a decisão. "A Confederação Brasileira de Canoagem (CBCa) não foi comunicada oficialmente sobre esse fato, por isso não iremos nos pronunciar nesse momento", respondeu a entidade.

Vidal é natural de Eldorado do Sul, no interior no Rio Grande do Sul, onde comandou a Associação Comunitária Amigos do Remo de Eldorado do Sul (ACARES) e a Associação de Canoagem, Ecologia e Cultura de Eldorado do Sul (ACECEL).

No site da CBCa consta que Lucas é, desde 2018, auditor do tribunal pleno do STJD da modalidade, indicado pelos atletas. A confederação, porém, afirma que ele não ocupa mais o posto.

Errata: o texto foi atualizado
O texto informava, erradamente, que o caso ocorreu quando Lucas Vidal era técnico da Associação Leopoldense de Ecologia e Canoagem (Aleca). A informação é incorreta. Ele não trabalhou na entidade de São Leopoldo (RS) e os fatos narrados estão ligados a outro clube. A reportagem pede desculpas pelo erro.