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Reeleito, Paulo Wanderley promete ouvir mais atletas e confederações

Paulo Wanderley, presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) - Silvia Izquierdo/AP
Paulo Wanderley, presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) Imagem: Silvia Izquierdo/AP
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

07/10/2020 14h02

Reeleito presidente do Comitê Olímpico do Brasil (COB) com 26 votos de 48 possíveis, já no primeiro turno, Paulo Wanderley prometeu, em seu primeiro discurso depois da votação, que passará a ouvir mais as confederações e os atletas. Durante seu primeiro mandato, depois de ser promovido a presidente com a renúncia de Carlos Arthur Nuzman, ele foi criticado por ter uma gestão fechada.

"As confederações, que já fazem parte do dia a dia do COB, estarão cada vez mais envolvidas com processos que lhes dizem respeito. Teremos uma Central de Serviços Compartilhados às Confederações e rediscutiremos os critérios e políticas de distribuição da Lei das Loterias. Seguiremos firmes e juntos, seja visando à conquista de medalhas ou em momentos de dificuldade", afirmou.

Ele também prometeu mais espaço para a Comissão de Atletas. "Também daremos ainda mais apoio à Comissão de Atletas do COB, que vem mostrado seu amadurecimento e comprometimento com questões tão fundamentais do esporte em todas as suas falas e ações. A CACOB contará com ainda mais apoio jurídico, financeiro e de comunicação, bem como orçamento próprio", disse.

Seus dois concorrentes, Hélio Meirelles (dois votos) e Rafael Westrupp (20 votos), prometiam que, se eleitos, iriam autorizar que os membros da Comissão de Atletas tivessem salário, o que Paulo Wanderley diz que não ocorrerá. Ele defende uma situação mista, com os atletas recebendo jeton, uma espécie de bolsa por reunião.

Depois do discurso, em entrevista coletiva, o presidente reeleito comentou sobre o cenário de racha no comitê: "Eu não acredito que vai haver oposição. É como briga de família. Todo mundo briga entre si e na hora do interesse em comum todo mundo se junta", afirmou, sobre o futuro. Ele também explicou por que não aceitou participar de um debate promovido pela ONG Sou do Esporte.

"O debate não adiantou nada, não mudou nada. O público nosso é um público pequeno. Eu toparia um debate com todos eles sentados aqui e todo mundo escutando. A forma como foi feito não nos agradou de forma geral. Ideias ocorreram, mas quando parte para o confronto naturalmente parte para ofensa, inverdades. Não tem oportunidade, um debate de verdade. Você tem a resposta, mas não tive a oportunidade de falar", justificou. Sua única participação foi em um debate promovido pela Câmara dos Deputados.

No fim, sua vitória se deve à Comissão de Atletas, que votou em bloco nele. Membro licenciado dessa comissão (deixou o cargo por estar no governo, de onde acabou demitido), Emanuel Rego era candidato a vice na chapa de Westrupp, numa jogada para atrair o voto dos atletas. Mas ele foi mal visto quando criticou Carol Solberg pela fala contra Jair Bolsonaro (sem partido), prometendo lutar para atletas não poderem dar opinião política em competições.

Paulo Wanderley diz que, pessoalmente, defende a liberdade. "Defendo o direito de a pessoa falar ou pensar o que quiser. Essa é minha opinião básica. Posso não concordar, mas morro defendendo o direito de a pessoa fazer."

Confira a íntegra do pronunciamento de Paulo Wanderley:


Vivenciar um momento como o dia de hoje me emociona verdadeiramente e me faz lembrar de toda a trajetória de 2017 para cá. O quanto construímos e conquistamos juntos. Por si só já é uma vitória.

Se hoje vivemos a democracia plena no Comitê Olímpico do Brasil, se tivemos pela primeira vez em décadas três chapas concorrendo à presidência e contamos com candidatos valiosos a membro de nossos Conselhos... se tivemos pela primeira vez a participação maciça e fundamental de atletas na tomada de decisão do COB, isso foi fruto da reforma estatutária que conduzi com apenas 42 dias como presidente desta entidade. Junto do segundo lugar que conquistamos nos Jogos Pan-Americanos de Lima, no ano passado, digo que a reforma estatutária de 2017 é o maior motivo de orgulho desses quase três anos de gestão.

Uma gestão pautada no coletivo. Atletas e confederações, funcionários do COB e nossos parceiros, sociedade. Todos juntos temos nossa parcela de responsabilidade e participação na construção de um esporte forte, unido e vencedor. Afinal, é justamente o esporte que nos ensina que ninguém conquista nada sozinho.

O esporte ensina também a termos valores éticos, respeito, fair play. Como treinador campeão olímpico, como professor de judô e como desportista, digo que esses são valores que moldaram o meu caráter e dos quais não abro mão.

O COB é grande, o COB é liderança. O COB não se furta jamais a seu papel e interage com a sociedade inspirando, sempre, as melhores práticas e o bem-estar. Não fugimos também de abordar e discutir temas sensíveis como prevenção e combate ao abuso e assédio moral e sexual e o enfrentamento ao racismo. Demos o exemplo através de ações premiadas pelo Comitê Olímpico Internacional no que tange igualdade de gêneros e proteção ao meio ambiente. Lançamos o projeto Transforma, que leva os valores olímpicos a milhares de jovens em idade escolar de diversas cidades do Brasil.

Mas gostaria agora de falar do futuro. Ao me candidatar nesta eleição, ao lado de Marco La Porta, buscávamos a possibilidade de uma evolução ainda maior do COB e do esporte brasileiro. E é esse o compromisso que firmamos hoje perante todos vocês após o resultado das urnas.

Estaremos falando, sempre, de Transparência, Austeridade e Meritocracia. Mas estaremos também falando de Competência e Excelência. O objetivo é ampliar os mecanismos de Governança, Transparência e Conformidade e ajustar o tão bem-sucedido programa Gestão, Ética e Transparência - o GET - para que possamos ter uma Gestão genuinamente Esportiva.

As Confederações, que já fazem parte do dia a dia do COB, estarão cada vez mais envolvidas com processos que lhes dizem respeito. Teremos uma Central de Serviços Compartilhados às Confederações e rediscutiremos os critérios e políticas de distribuição da Lei das Loterias. Seguiremos firmes e juntos, seja visando à conquista de medalhas ou em momentos de dificuldade, como durante a Pandemia, em que o COB agiu com força e urgência necessárias para proteger a sustentabilidade de todo o Sistema Olímpico frente a uma crise sem precedentes.

Também daremos ainda mais apoio à Comissão de Atletas do COB, que vem mostrado seu amadurecimento e comprometimento com questões tão fundamentais do esporte em todas as suas falas e ações. A CACOB contará com ainda mais apoio jurídico, financeiro e de comunicação, bem como orçamento próprio.

No âmbito esportivo, que é nossa razão de ser, evoluiremos as iniciativas ligadas a parcerias estratégicas com Forças Armadas e Universidades, investiremos ainda mais na área de Desenvolvimento e criaremos o Programa Mulher no Esporte Olímpico, para gerir políticas, programas e projetos para aprimoramento e capacitação de mulheres nas diversas frentes do esporte. Com a ampliação de serviços no Centro de Treinamento Time Brasil, o incremento de iniciativas de Ciência do Esporte, a ativação de Centros de Treinamento no exterior e o uso racional e inteligente do legado dos Jogos Rio 2016, como Parque Olímpico e Parque Deodoro, tenho certeza de que teremos ótimas condições de treinamento e performance para o Time Brasil para Tóquio, Paris, Los Angeles e muito além.

Tudo isso sem perder de vista a imagem da instituição. Se, nesse primeiro ciclo o objetivo foi resgatar a reputação do COB e devolver valor à marca, agora estamos prontos para colher os frutos. Estaremos mais próximos do público através de iniciativas inovadoras de streaming e comunicação. E daremos continuidade às parcerias estratégicas, que tanto conferem valor quanto monetizam o Movimento Olímpico do Brasil. Mesmo diante de tantas incertezas, formos capazes de trazer nada menos do que R$ 11 milhões em novos recursos para o COB nos últimos três anos. E temos convicção de que o melhor está por vir.

Sempre queremos ir além. O COB merece. As Confederações merecem. Os Atletas merecem. Todo o Movimento Olímpico do Brasil, unido, merece. Vamos juntos até 2024. Força é união. Por um COB forte, unido e vencedor.