PUBLICIDADE
Topo

Atletas vão a Santa Catarina atrás de regras mais flexíveis para treinar

Carol Meligeni e João Menezes treinam em Itajaí - Reprodução/Instagram
Carol Meligeni e João Menezes treinam em Itajaí Imagem: Reprodução/Instagram
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

29/05/2020 04h00

Seis tenistas da nova geração estão em Itajaí (SC). No município, de cerca de 220 mil habitantes também treinam o judoca Phelipe Pelim e o velocista Rodrigo do Nascimento, campeão mundial do revezamento 4x100m. Ali perto, em Bombinhas (SC), o nadador Guilherme Guido, dono de sete medalhas de Jogos Pan-Americanos, mantém a forma física visando os Jogos Olímpicos de Tóquio. Todos, com exceção do tenista João Menezes, costumam treinar em outros cantos do país, mas agora estão em Santa Catarina aproveitando as regras mais flexíveis para treinamento.

No Itamirim Clube de Campo, seis tenistas com experiência em Copa Davis (masculina) e Fed Cup (feminina) treinam sob supervisão de uma equipe multidisciplinar contratada pela Confederação Brasileira de Tênis (CBT), que também paga os custos junto ao clube. Os tenistas têm que arcar apenas com os custos de hospedagem.

João Menezes, Orlando Luz, João Sorgi, Ingrid Martins e os irmãos Felipe e Carol Meligeni, que fazem parte de um programa da CBT, têm liberdade para treinar, mas com diversas regras, entre elas:"o uso de máscaras, limite de dois atletas em quadra ao mesmo tempo (com treinadores fazendo orientações de fora da quadra, respeitando o espaço de distanciamento), limite de pessoas dentro da academia, vestiários e restaurantes fechados, entre outros protocolos", segundo a CBT.

Dos seis, apenas João Menezes, ouro no Pan de Lima e pré-classificado aos Jogos de Tóquio, treina regularmente em Itajaí. Orlandinho e Felipe Meligeni, por exemplo, têm base em Barcelona (Espanha). A possibilidade de poder bater bola em Santa Catarina, porém, os atraiu. E outros podem se juntar ao grupo. "A ideia é oferecer um período de treino coletivo para que todos possam se preparar para a retomada do calendário profissional. Isso tudo, no entanto, depende das autorizações e recomendações dos órgãos de saúde e governo federal, estaduais e municipais", explica a CBT.

Também em Itajaí está o velocista Rodrigo do Nascimento, que treinava em São Paulo antes da quarentena. Quando os centros de treinamento foram fechados, ele voltou para a casa da família em Santa Catarina, e agora aproveita dessas regras mais flexíveis.

"Aqui não tenho da melhor estrutura como tenho em São Paulo, mas tenho todo o suporte necessário para continuar meus treinamentos, dentro do possível. A pista é pública e por ser ex-atleta da cidade tenho facilidade em usar os materiais. Estou cuidando com relação ao isolamento obviamente, para não me prejudicar e não prejudicar ninguém próximo. Mas aqui, no momento, está sendo melhor para ficar, até por estar com a família", conta o velocista, que está federado pela nova equipe do Maranhão.

Guilherme Guido, por sua vez, está em Santa Catarina há cerca de um mês e meio, em um apartamento de veraneio da família da esposa em Bombinhas. Segundo o nadador do Pinheiros, na cidade catarinense ele viu maiores cuidados com a propagação do novo coronavírus do que via em São Paulo.

"No dia que cheguei em Bombinha, tentei entrar no mercado e não deixaram porque precisava da máscara. Já estavam barrando, um mês e meio atrás. Era uma medida para ter sido tomada desde o início. Com máscara, distanciamento, eles conseguiram manter as academias abertas, até os shoppings. E na cidade não teve nenhum óbito", conta o especialista em nado costas, que é natural de Limeira (SP).

Bombinhas não tem piscina para treinamento, apenas o mar, mas só o fato de poder frequentar academia já faz grande diferença para Guido. "Os velocistas trabalham com explosão e força. É muito importante não deixar perder força, para na volta não demorar tanto para recuperar o que tinha. Dento de casa, você vai conseguir manter por um tempo, mas não por três meses", explica ele.

Além de Santa Catarina, atletas brasileiros de alto rendimento já estão treinando em outros estados. Em Porto Alegre, a Sogipa e o Grêmio Náutico União (GNU) já retomaram os treinos para seus atletas de primeiro escalão. Em Curitiba, o Curitibano reabre no dia 3. "A reabertura será exclusiva para a prática de atividades voltadas à saúde física e mental dos nossos associados", explica o clube, em nota. Também componente do revezamento 4x100m campeão mundial, Paulo André está treinando praticamente sem restrições em Vila Velha, no Espírito Santo.

Olhar Olímpico