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Globo suspende contrato e CBDA não tem como pagar salários

Parque Aquático Maria Lenk, casa do Time Brasil - Carol Delmazon/Ministério do Esporte
Parque Aquático Maria Lenk, casa do Time Brasil Imagem: Carol Delmazon/Ministério do Esporte
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

04/05/2020 09h34

A Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA) não recebeu a parcela de maio do contrato com a Rede Globo, que atualmente é a única fonte expressiva de receita da entidade. Assim, não tem como pagar os salários de maio.

A péssima saúde financeira da CBDA não é segredo. A confederação tem prestações de contas rejeitadas com o Comitê Olímpico do Brasil (COB) e, por isso, não pode receber recursos da Lei Agnelo/Piva. No ano passado, os Correios não renovaram o contrato de patrocínio e a CBDA chegou a precisar instaurar o sistema de home office para economizar.

A crise derrubou o presidente Miguel em Cagnoni e a confederação hoje é administrada, na prática, por voluntários puxados por Renato Cordani. Esse grupo tem publicado mensalmente os demonstrativos financeiros da entidade. Em março, por exemplo, a CBDA recebeu R$ 264 mil da Globo, R$ 33 mil de taxas, R$ 31 mil com clínicas e R$ 84 mil de recursos privados do COB. Naquele mesmo mês, a folha salarial custou R$ 184 mil.

Em nota oficial divulgada ontem à noite, a CBDA conta na quarta (29) recebeu um comunicado do Grupo Globo informando a suspensão dos pagamentos do contrato firmado em 2009 e que vale até o final do ano. "Diante dos fatos e da reconhecida crise financeira enfrentada pela Confederação, o aviso da suspensão do pagamento na véspera da data prevista em contrato afetou diretamente o fluxo de caixa da CBDA previsto para o fim de abril", comentou a entidade.

A CBDA deixou claro que a suspensão dos pagamentos afeta diretamente os funcionários, já que a confederação não tem poupança. "Por termos sido avisados na véspera da data de pagamento e em razão das famílias dos funcionários dependerem desta verba, que possui caráter alimentar, estamos seguros de que, pelo menos este mês, será honrado pelo Grupo Globo", continuou a CBDA. Procurada, a Globo não retornou o contato da reportagem.

O contrato já não vinha sendo utilizado há algum tempo. Em outubro do ano passado, o analista de marketing da Globo que lida diretamente com contratos com as confederações, Rafael Ganem, falou com o Olhar Olímpico sobre o acordo com a CBDA. "A gente fica com pena, com dó, a gente conversa com eles, mas a gente já tá refletindo sobre impactar na nossa imagem. É tanta coisa, tanta coisa que aparece?", afirmou na ocasião.

Havia expectativa que a Globo ao menos transmitisse, este ano, a seletiva olímpica. Mas o torneio foi cancelado após o adiamento da Olimpíada. A emissora, que também alterou o fluxo de pagamento aos clubes de futebol pelos contratos de transmissão, chegou a ter acordos com 16 confederações olímpicas diferentes. No ano passado, a lista havia se restringido a esportes aquáticos, canoagem e vôlei.

Olhar Olímpico