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Potência olímpica, Minas Tênis Clube corta 25% do salário de atletas

Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

16/04/2020 18h31

A crise causada pelo coronavírus começa a chegar ao bolso dos principais atletas olímpicos brasileiros. Um dos maiores e mais importantes clubes sociais do país, o Minas Tênis Clube decidiu cortar o salário dos seus atletas profissionais em 25% nos meses de abril e maio. A informação foi confirmada pela assessoria de imprensa da agremiação.

A decisão foi tomada em reunião de diretoria e está sendo comunicada aos atletas pelos gerentes dos respectivos departamentos esportivos. Treinadores, ao menos por enquanto, não serão afetados pela medida. Na gaúcha Sogipa, de Mayra Aguiar e Almir Junior, é o contrário. Funcionários, incluindo treinadores, terão redução de jornada e de salário. Atletas, por enquanto, não.

O Minas teve 18 atletas nos Jogos Pan-Americanos de Lima, principalmente na natação, com nomes como Bruno Fratus, Fernando Scheffer e Vinicius Lanza. Além disso, esportistas do clube competiam no judô, no vôlei e na ginástica de trampolim. No NBB, a equipe terminou a fase de classificação em quarto lugar. Na Superliga Feminina, encerrada sem campeão, ficou em terceiro.

O esporte olímpico tem vivido o mesmo drama do futebol. Com os torneios suspensos, não há visibilidade para os patrocinadores. Além disso, há um grande temor por queda expressiva na arrecadação dos clubes sociais na sua principal fonte de receita: as taxas associativas.

Na última terça-feira (14) a Secretaria Especial do Esporte, do governo federal, flexibilizou regras da Lei de Incentivo ao Esporte, mecanismo também bastante utilizado na manutenção do esporte olímpico brasileiro. O prazo de captação de cada projeto aprovado foi ampliado em um ano e projetos que tinham previsão de fornecimento de lanches poderão substituí-los por cestas básicas, em medida voltada principalmente a programas sociais.

Nos esportes coletivos a situação vem ficando cada vez mais grave. A Superliga Feminina já foi dada por encerrada e o mesmo deve acontecer com a Masculina - os clubes se reúnem na próxima segunda-feira para sacramentar a decisão. Equipes importantes como o Sesi já avisaram que não vão renovar contratos agora e só discutirão novos acordos quando a situação estiver mais nítida.

No basquete masculino, o Bauru anunciou a desistência do NBB e o Pinheiros dispensou todo seu elenco profissional, mas oficialmente segue no torneio, que, se retornar, volta no mata-mata. Poucos clubes, como São Paulo, Flamengo, Sesi/Franca e Minas têm condições de segurar seus elencos até julho. A maioria tem contratos com jogadores até maio, somente.

Em outras ligas a situação é ainda mais complicada. A Liga de Basquete Feminino (LBF) disputou poucos jogos, só da primeira rodada, antes de parar. A segunda divisão do basquete masculino, organizada pela CBB, deveria ir de março a junho. O campeonato nem começou, os clubes têm jogadores sob contrato, e só devem ter partidas em junho ou julho. No futsal, a liga nacional também foi adiada.

Olhar Olímpico