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"Tóquio será o símbolo de que vencemos o vírus"

Lei em Campo

Andrei Kampff é jornalista formado pela PUC-RS e advogado pela UFRGS-RS. Pós graduando em Direito Esportivo e conselheiro do Instituto Ibero Americano de Direito Desportivo e criador do portal Lei em Campo. Trabalha com esporte há 25 anos, tendo participado dos principais eventos esportivos do mundo e viajado por 32 países atrás de histórias espetaculares. É autor do livro ?#Prass38?.

24/04/2020 05h30

Um brasileiro de 43 anos esteve à frente da principal discussão do mundo do esporte nestes tempos de pandemia: o adiamento dos jogos de Tóquio 2020. Andrew Parsons é carioca e preside o Comitê Paralímpico Internacional desde 2017: "foi a decisão mais difícil que o Comitê já tomou. Por mais que tenha sido a correta, foi a mais difícil."

Há um mês, no dia 24 de março, o mundo ficou sabendo que pela primeira vez os jogos olímpicos seriam adiados - na época das grandes guerras mundiais, eles foram cancelados. A decisão foi tomada em conjunto pelo Comitê Olímpico Internacional, Comitê Paralímpico Internacional e Comitê Organizador, mas a Organização Mundial da Saúde foi ouvida durante todo o processo de avaliação de cenário e possibilidades.

No programa Preleção de Ideias do Lei em Campo, eu e Wladimyr Camargos conversamos com Andrew, que nos disse que até "fevereiro imaginava que ainda haveria um caminho possível para a realização dos jogos".

Além dos compromissos contratuais, da importância histórica dos jogos, o ciclo olímpico dos atletas e o efeito cascata no calendário dos eventos esportivos eram questões importantes que tinham muito peso na discussão. Mas a principal questão levantada nas reuniões quase diárias "era a segurança de todos os envolvidos nos jogos."

Passado um mês do adiamento, Andrew - que também é membro do Comitê Olímpico Internacional - disse que se os jogos fossem realizados este ano, o equilíbrio esportivo seria prejudicado: "tínhamos atletas treinando normalmente e outros sem poder sair de casa. Além disso, o controle antidoping não estava sendo feito em vários lugares".

O controle de doping é algo fundamental para garantir a lisura do jogo, e a igualdade entre os competidores.

Perguntamos também sobre como ele imagina que os atletas estarão em 2021, já que o ciclo de preparação está prejudicado. Alguns entendem que em função da pandemia, vários atletas não chegarão tão bem física e tecnicamente, o que fará com que os jogos não tenham quebras de recordes como nos anteriores. Outros, ao contrário, imaginam que os jogos terão vários recordes, já que não se está fazendo o controle de doping necessário em função do coronavírus.

Andrew acredita que o nível técnico será alto: "a minha avaliação é de que com tempo de um ano os atletas podem se preparar bem, e a WADA e autoridades antidopagem voltarão a trabalhar com eficiência".

A rotina do brasileiro segue intensa nesses dias de confinamento. Andrew está no Brasil. De Brasília, onde tem casa, tem feito reuniões diárias com as entidades filiadas: "Desde o cancelamento, já conversamos com 182 países, e todos os atletas estão vivendo uma rotina de confinamento parecida. Exceção é o Turcomenistão, onde os atletas seguem a rotina normal de treinamentos".

Apesar de estar marcado para começar no dia 23 de julho de 2021, Andrew ainda não afirma que os jogos de #Tóquio2020 serão realizados nesta data. Nem poderia. Ele sabe que ainda somos reféns do vírus. É o controle da pandemia que irá determinar os passos dos gestores do esporte, até mesmo dos poderosos Comitê Olímpico e Paralímpico. "Nosso compromisso é dar condições de saúde para todos os envolvidos no evento", disse Andrew no programa Preleção de Ideia no canal do Lei em Campo no YouTube.

O compromisso do Comitê Organizador, como já foi divulgado, é realizar os jogos até o meio do ano que vem. Se a pandemia não for controlada, não se sabe se os jogos serão adiados de novo, nem se continuarão previstos para o Japão. Ou mesmo se serão cancelados.

Mas o que deu para perceber em uma hora e meia de conversa é que Andrew nunca perde a esperança.,

O carioca está acostumado a desafios. Decidiu ser corintiano nos anos 70, jogou futebol na adolescência, foi baixista de banda de rock na juventude, e escolheu o jornalismo como profissão.

Aos 20 anos, foi pedir um estágio no Comitê Paralímpico Brasileiro. Conseguiu. Com 32 anos, 12 anos depois, virou presidente e transformou o Brasil num exemplo de inclusão através do esporte e a delegação brasileira numa potência mundial. Virou referência de gestão.

Em 2017, com 40 anos, assumiu o Comitê Internacional, e 3 anos depois está na linha de frente no combate à maior crise já vivida pelo mundo esportivo.

Quando perguntado sobre o que vem a cabeça quando lembra de Tóquio, ele diz: "Tóquio é o futuro. A Olimpíada vai ser o símbolo maior de que vencemos o vírus".

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Lei em Campo, por Andrei Kampff