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Julio Gomes

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Virada do Palmeiras é ducha de água fria no campeonato inteiro

Gustavo Gómez, do Palmeiras, comemora gol de empate contra o São Paulo, pelo Brasileirão - Marcello Zambrana/AGIF
Gustavo Gómez, do Palmeiras, comemora gol de empate contra o São Paulo, pelo Brasileirão Imagem: Marcello Zambrana/AGIF
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Julio Gomes

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

20/06/2022 22h04

O São Paulo quase conseguiu quebrar uma invencibilidade de dois meses e meio do Palmeiras (18 jogos). Mas um gol de Gustavo Gómez, aos 45min do segundo tempo, decretou o empate. Outro de Murilo, aos 50min, configurou a virada do líder isolado do Campeonato Brasileiro.

Um time que não perdoa, que tem instinto de campeão e uma incrível autoconfiança em campo. O empate conseguido no último minuto já seria considerado um prêmio enorme para qualquer equipe que jogasse no Morumbi. Para o Palmeiras, não basta. Empatou, viu a plaquinha de 7 minutos de acréscimos levantar e foi buscar a vitória contra um adversário grogue.

Foi uma partida de resiliência por parte do São Paulo, que costuma jogar bem os primeiros tempos e mal os segundos. Nesta segunda, bem mesmo foi na primeira metade do primeiro tempo. Pressionou, sufocou, criou e fez o gol - meio que em um lance de sorte, a bola bateu no ombro de Patrick e entrou. A partir daí, o Palmeiras foi dono do jogo.

Merecia ter empatado, essa que é a verdade. A virada até pode parecer exagerada, mas nunca pode ser chamada de injusta. Até o cabeceio certeiro de Gómez, a bola teimava em não entrar - seja por ter batido em Arboleda quase em cima da linha, na etapa inicial, ou por ter batido na trave ou ter sido defendida por Jandrei, na final. Faz parte, assim é o futebol. No fim, veio o prêmio.

Quem acompanha o que escrevo aqui no UOL Esporte ou falo no Bandsports, sabe que considero o Palmeiras um time com cara de campeão já faz umas três semanas. Não consigo enxergar alguém tirando o título de Abel Ferreira e companhia. É claro que pode acontecer, o futebol brasileiro é sempre cheio de surpresas, mas o Palmeiras tem tanta consistência - dentro e fora de campo - que não consigo ver um "derretimento" em algum momento da temporada.

Jogos como o de hoje mostram isso. Uma derrota no Morumbi teria sido para lá de normal. O São Paulo vai acabar entre os primeiros do campeonato e só não é postulante real ao título porque ainda não tem algo que sobra no Palmeiras, a constância. Mas repito: times campeões não se conformam com derrotas "normais" ou empates "bons". Buscam as viradas históricas.

Não é só no São Paulo que o Palmeiras jogou uma cachoeira de água gelada: é em todos os times do campeonato.