PUBLICIDADE
Topo

Julio Gomes

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Gomes: Hamilton e Mercedes perdem chance de minimizar danos

F1 - Saindo de 11º, Hamilton acabou em quinto na Turquia - Divulgação
F1 - Saindo de 11º, Hamilton acabou em quinto na Turquia Imagem: Divulgação
Conteúdo exclusivo para assinantes
Julio Gomes

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

10/10/2021 10h49

A disputa pelo título Mundial da F-1 passa por corridas em que os dois postulantes terão grandes problemas. Na Rússia, duas semanas atrás, Max Verstappen precisou lidar com uma troca de motor e largou da última posição. Na Turquia, neste fim de semana, foi a vez de Lewis Hamilton perder dez posições no grid devido à troca de um componente do motor.

Hamilton venceu na Rússia, mas, com um pouco de sorte pela chuva que caiu no final da corrida, Verstappen conseguiu uma extraordinária segunda colocação. Ou seja, minimizou os danos ao extremo e perdeu somente sete pontos.

Agora, na Turquia, a Mercedes tinha a chance de fazer o mesmo. Valteri Bottas fez uma corrida perfeita e venceu em Istambul, fez a parte dele. Verstappen terminou em segundo. Mas Hamilton, que poderia ter terminado na terceira colocação, acabou só em quinto. Em vez de perder três pontos para o holandês, perdeu oito.

O que ocorreu? Depois de largar em 11º e conseguir seis posições na pista, Hamilton estava colado na traseira de Pérez, da Red Bull, quando começaram as trocas de pneus. Com pista molhada, todos largaram com pneus intermediários e trocaram para o mesmo tipo de pneus, conforme o desgaste foi aparecendo.

Mas a Mercedes preferiu deixar Hamilton na pista e, talvez, ir até o fim da prova sem parar. Hamilton ocupava a terceira posição, atrás de Verstappen, quando a equipe finalmente chamou para o box. Naquele momento, Leclerc já havia parado com a Ferrari e tinha dificuldades - com a pista secando, os pneus intermediários novos não apresentavam boas condições para os pilotos.

Já que decidiram mantê-lo na pista, o melhor era seguir com a nova estratégia e não voltar atrás na decisão. Hamilton queria e poderia ter tentado ir até o fim da corrida. Talvez fosse alcançado por Pérez? Talvez. Talvez terminasse em terceiro, talvez em quarto - certamente não em quinto, onde acabou. E ainda correu o risco de ser ultrapassado por Gasly, que terminou em sexto lugar e chegou a colar em Hamilton.

Se, na Rússia, a Mercedes foi bem, na Turquia, foi mal. Hamilton ficou bravo com razão, pois o feeling do piloto indicava que o melhor era continuar na pista. Mas ele obedeceu as ordens - que é o que tinha que fazer mesmo - e agora cuspirá marimbondos nas reuniões internas.

A vantagem de Verstappen no Mundial é agora de seis pontos. Depois das duas corridas em que cada um teve um tipo de problema, sendo que o problema do holandês foi maior, ele saiu com um saldo de um ponto para Hamilton. Faltam seis provas para terminar o Mundial. Vai ser de infartar.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL