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Julio Gomes

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Gomes: Eliminada da Série D, Lusa volta ao interminável pesadelo

Eduardo Anizelli/ Folhapress
Imagem: Eduardo Anizelli/ Folhapress
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Julio Gomes

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

19/09/2021 10h30

Até 19 anos atrás, a Portuguesa nunca havia sido rebaixada em sua bonita e hoje centenária história. Podia não ter muitos títulos em sua sala de troféus, mas era dona de importantes feitos, berço de grandes jogadores e parte ativa da brilhante trajetória do futebol brasileiro ao longo do século 20.

Hoje, a Lusa é um clube fora-de-série. Não no aspecto positivo do termo. É que não tem série para jogar mesmo. De novo.

No sábado, a Portuguesa venceu o Caxias por 1 a 0, no Canindé, com um gol aos 48min do segundo tempo - mesmo tendo sido muito superior e possivelmente tenha merecido uma vitória mais elástica. Como havia sido derrotada no jogo de ida, com um gol em que o cara tentou cruzar e a bola entrou sem querer, a disputa foi para os pênaltis. Não importava a melhor campanha e as 14 rodadas jogadas anteriormente. E, nos pênaltis, dois jogadores da Lusa bateram bisonhamente para fora e o Caxias avançou.

(Um parênteses. Me parece absurda a ideia de vagas de acesso serem definidas em mata-mata. Há datas disponíveis para que sejam jogadas fases de grupos).

Com isso, a Portuguesa está eliminada da Série D, quatro anos depois de jogar pela última vez uma competição nacional. E volta a não ter mais divisão para jogar. Porque para entrar na Série D é preciso fazer certa pontuação no Campeonato Paulista, só que a Lusa consegue estar desde 2016 na segunda divisão estadual. Então o único caminho para o futebol nacional é ganhar novamente a tal Copa Paulista, que está sendo disputada no momento e que a Portuguesa venceu no ano passado.

Se não for campeã da Copa Paulista agora em 2021, o ano que vem volta a ser um ano sem calendário nacional. É o pesadelo que não acaba.

Dez anos atrás, a Lusa viveu sua última glória. O título da Série B com uma das melhores campanhas da história - era a Barcelusa. Em 2013, veio o tapetão. Entre 2014 e 2016, os rebaixamentos que jogaram a Portuguesa no buraco de onde não consegue sair. Ela está presa em uma realidade triste e vive o calvário eterno de quem nunca caçou seus fantasmas.

O que aconteceu em 2013 não acabou. E, hoje, o torcedor da Portuguesa tem a nítida impressão de que nunca acabará. É que nem país que finge que nunca viveu uma ditadura, em vez de ir buscar os culpados, mesmo que anos depois. Uma hora, as assombrações voltam. A Lusa precisa caçar e expor os culpados da mancha mais triste de sua história, de uma sombra que eternamente tira do clube o Sol, fundamental para a vida.

A administração atual da Portuguesa trouxe um mínimo de organização para o clube, e a estabilidade de comando técnico é importante. Nos anos anteriores, acreditem, a Lusa estava ainda pior. Por mais que o treinador Fernando Marchiori cometa erros, o que é normal, é importante mantê-lo. Quanto mais continuidade, maiores as chances de ganhar a Copa Paulista, de voltar à elite do Campeonato Paulista e, quem sabe, subir para a Série C.

Subir em São Paulo é o passo mais importante para qualquer tipo de retomada. E subir para a Série C seria voltar a existir, voltar a ter calendário nacional garantido para o ano todo. Não foi desta vez.

A Portuguesa está ainda enfiada em seu pior pesadelo, que já dura 8 anos. E não acaba nunca.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL