PUBLICIDADE
Topo

Julio Gomes

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Hamilton e Verstappen correm para ganhar, não é preciso achar culpados

GALERIA: Veja fotos da batida entre Verstappen e Hamilton em Monza - Divulgação
GALERIA: Veja fotos da batida entre Verstappen e Hamilton em Monza Imagem: Divulgação
Conteúdo exclusivo para assinantes
Julio Gomes

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

12/09/2021 11h27

O acidente entre Lewis Hamilton e Max Verstappen vai ser uma das imagens mais emblemáticas do ano na Fórmula 1. Um carro em cima do outro, o halo (aquele negócio horroroso que fica na cara do piloto) impedindo o pneu traseiro de Verstappen de amassar a cabeça de Hamilton.

Estava demorando para esses caras se encontrarem dessa forma na temporada. Lá se vão 14 etapas e os dois estão disputando ponto a ponto o título mundial. São bons, são agressivos, têm a faca nos dentes. Assim são os campeões. Hamilton, um hepta, Verstappen, um futuro campeão.

Campeões não dão espaço, não brincam em serviço. E muitas vezes este tico de loucura a mais é o que faz um cara ser vencedor, e outro, não. Essa "loucura" às vezes vira maldade, às vezes vira heroísmo, às vezes é perigosa, às vezes é sensacional. Pilotos não entram em uma pista de corrida para bater, entram para vencer. E encontrar este limite, do que é legal e do que não é tão legal, não é a coisa mais simples.

Sempre que há acidentes, queremos achar culpados. Às vezes, não há. É o caso do que aconteceu em Monza. Dois pit stops catastróficos geraram o encontro na pista entre os líderes. Hamilton saindo do box com pneus médios, Verstappen vindo atrás com os duros.

O holandês sabia que ou ganhava a posição ali, na primeira variante, ou ficaria atrás de Hamilton na corrida. Nem sei se esse cálculo todo foi feito. É tudo muito rápido, na cabeça do piloto está a disputa, a vitória, o "tenho que passar". Ele tinha a velocidade e foi por fora para passar, tocou a zebra e teve o carro alçado para cima do de Hamilton.

O inglês não deu espaço algum. Acabou sendo o maior prejudicado, porque, se lermos a situação de corrida, era muito provável que Hamilton, com pneus melhores, ficasse não só à frente de Verstappen, talvez até conseguisse buscar a vitória em cima dos carros da McLaren. Se ele tivesse feito esse cálculo, talvez defendesse com menos afinco a posição.

Nenhum dos dois pode ser culpado. Nenhum deles trapaceou, nenhum deles quis bater, nenhum deles foi irresponsável. É uma curva apertada, depois de uma longa reta, e acidentes acontecem. Aconteceu.

Acho que os que amamos a Fórmula 1 só pedimos para que o título entre Hamilton e Verstappen seja decidido na pista. E não na sorte. Que não seja uma quebra inesperada ou uma bobeada de terceiros que dê a um deles o campeonato. Que seja na pista, um na frente do outro. Ambos tentaram hoje e não deu para nenhum deles. Segue o jogo.

Bom para a McLaren, que já tinha, diga-se, Riccardo e Norris na frente dos dois favoritos. Não é que a vitória caiu no colo, longe disso. Mas sem dúvida foi melhor ter Pérez e Bottas no cangote do que Hamilton e Verstappen, convenhamos. Fazia 11 anos que a McLaren não conseguia uma dobradinha, 9 anos que nem ganhava uma corrida. Muito tempo para um time deste tamanho.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL