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Julio Gomes

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Sorteio da Libertadores é bom para o Flamengo, ruim para o Atlético-MG

Cuca, técnico do Atlético-MG, durante a final do Campeonato Mineiro 2021 - Fernando Moreno/AGIF
Cuca, técnico do Atlético-MG, durante a final do Campeonato Mineiro 2021 Imagem: Fernando Moreno/AGIF
Julio Gomes

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

01/06/2021 13h46

Se o Atlético Mineiro foi um dos grandes sortudos do sorteio que definiu a fase de grupos da Copa Libertadores, agora o Galo foi o "azarado" na definição do mata-mata.

Vai enfrentar o Boca Juniors nas oitavas de final e, se passar, pode pegar o River Plate nas quartas de final - que fará um duelo doméstico contra o bom time do Argentinos Juniors. Ou seja, será o Galo contra os argentinos para chegar às semifinais.

Quer dizer que vai perder? Claro que não. O Atlético tem time para vencer qualquer um no continente. Mas logicamente poderia haver um caminho menos complicado rumo à glória eterna.

O Boca Juniors é um tradicional exterminador de brasileiros. Em 21 duelos de mata-mata até hoje, ganhou 17 e perdeu apenas 4 - mas nesta pequena lista está o último, contra o jovem time do Santos, nas semifinais da edição passada. O River Plate é muito consistente, mas caiu diante de Flamengo e Palmeiras nos últimos dois anos - passa longe de ser invencível.

Neste mesmo lado da chave, que ficou mais forte do que o outro, estão Palmeiras e São Paulo. O Palmeiras é muito favorito contra a Universidad Católica, do Chile, nas oitavas. E o São Paulo terá o reencontro contra o Racing, da Argentina. Na fase de grupos, empate em Buenos Aires e, depois, o Racing venceu o jogo do Morumbi (ambos com time reserva).

Se passar pelos argentinos, o Galo enfrentaria em uma hipotética semifinal possivelmente Palmeiras ou São Paulo.

Os duelos de oitavas de final serão em julho, logo após a realização da Copa América. As quartas de final serão disputadas em agosto e, as semifinais, sem setembro.

Do outro lado da chave, o grande favorito é o Flamengo. O caminho do Fla passa por Defensa y Justicia, nas oitavas e, depois, Inter ou Olimpia nas quartas - este é outro reencontro da fase de grupos, quando os gaúchos venceram as duas partidas. Neste momento, o Inter não parece ser páreo para o Flamengo, mas logicamente o caminho é longo demais até agosto e o futebol é dinâmico.

Não há nenhuma moleza para o Flamengo, mas tampouco há um bicho papão. O Inter pode ter a chance de se vingar das últimas frustrações contra o bicampeão brasileiro.

Deste grupo, sai um semifinalista, que enfrentará quem sair do quadrante que tem Fluminense, Cerro Porteño, Barcelona-EQU e Vélez Sarsfield.

O Fluminense foi o grande azarado da fase de grupos, caindo no "grupo da morte" - acabou em primeiro. Agora, não pode reclamar do sorteio. Tem uma chance de real de chegar à semifinal, apesar de Barcelona e Vélez serem adversários de bom nível. Quem chegar à semi desta lado da chave será tratado como "surpresa da competição".

Aliás, neste lado da chave o Flamengo tem direito de decidir em casa todos os confrontos - exceto se enfrentar o Barcelona, em uma hipotética semifinal. Dos quatro times que fizeram campanha melhor que a do Flamengo na fase de grupos, três ficaram do outro lado da chave (Atlético, Palmeiras e Racing).

O futebol sul-americano é muito parelho e apontar favoritos não significa muita coisa. Mas certamente o torcedor do Flamengo gostou do sorteio. O do Galo, "no mucho".

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL