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Julio Gomes

Messi venceu fora do campo. Agora vamos ver se volta a decidir dentro dele

Lionel Messi - GettyImages
Lionel Messi Imagem: GettyImages
Julio Gomes

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

28/10/2020 04h00

Lionel Messi venceu. Por mais que possamos encontrar razões para a renúncia do agora ex-presidente do Barcelona, Josep Maria Bartomeu, nenhuma é maior que o camisa 10.

Talvez nunca tenha sido vista uma batalha assim, pública e intensa, entre um jogador de futebol e um presidente em um clube tão gigantesco e global como o Barcelona. A ruptura chegou ao ponto de Messi ter comunicado por fax a saída do clube de sua vida no mês passado. Por fax! E só recuou diante da possível batalha jurídica que se aproximava.

Bartomeu, que tinha mandato até o fim da temporada (meio de 2021), já havia adiantado as eleições para março. Messi pode assinar com qualquer clube do mundo na próxima janela, em janeiro, e sair de graça do Barça ao final de seu contrato, que termina no meio do ano. Agora, com a renúncia e as eleições nas próximas semanas, a esperança de grande parte da torcida culé é que Messi volte atrás na decisão e encerre sua carreira na Catalunha. Já assine, em janeiro, uma extensão de contrato.

A gestão Bartomeu é questionada por qualquer aspecto que se olhe. Mas o dirigente possivelmente chegaria ao fim do mandato, não fosse o divórcio com o maior nome da história do clube, talvez da cidade (com todo respeito a Gaudí).

Só que agora, logicamente, o foco da pressão mudou de lugar. Os olhares estão todos voltados para Messi. Um Messi que nesta temporada meteu três gols em oito jogos (seis pelo Barça, dois pela Argentina nas eliminatórias) - os três de pênalti. Ou seja, nenhum gol com bola corrida em 720 minutos.

Um Messi que não participa mais da pressão para recuperação de bola (e já faz tempo). Um Messi que virou um abacaxi tático para seus treinadores, já que o time inteiro precisa girar e se acomodar em função de seu humor no dia.

Messi não evitou a derrota para o Getafe nem para o Real Madrid nos últimos dias. Dois meses atrás, Messi não evitou o 8 a 2 para o Bayern. E um ano e meio atrás, não evitou aqueles 4 a 0 em Liverpool. E dois anos e meio atrás, não evitou aqueles 3 a 0 em Roma. E três anos e meio atrás, não evitou os 3 a 0 para a Juventus, em Turim.

Quando ocorreram todos esses vexames, havia um lugar fácil para apontar o dedo: a presidência. Agora, os dedos serão apontados para Messi.

A começar pelo duelo desta tarde, 17h, contra a Juventus, pela Liga dos Campeões. Cristiano Ronaldo não estará em campo, pois voltou a testar positivo para a Covid-19 (maldito coronavírus!). Não é um jogo de vida ou morte, é apenas a segunda rodada de um grupo fácil para os dois clubes.

Mas é um clássico global. É um jogo que passará no mundo inteiro, que será visto nos quatro cantos. Messi vai continuar andando em campo ou vai "jogar melhor", como pediu o técnico Ronald Koeman?

Fora de campo, ele triunfou. Agora, precisa voltar a dar tudo novamente e decidir os jogos. Até porque bons resultados trarão calma e estabilidade para quem vier.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL