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Julio Gomes

Em busca do bi: Por que o Bayern de Munique continua sobrando na Europa?

Atual campeão, Bayern tem o sexto elenco mais caro desta temporada - Getty Images
Atual campeão, Bayern tem o sexto elenco mais caro desta temporada Imagem: Getty Images
Julio Gomes

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

21/10/2020 04h27

"Nós tentamos contratar Lewandowski ao longo de vários anos e nada aconteceu. Ele não tem cláusula rescisória. E o Bayern não vende". A declaração é de ninguém menos que Florentino Pérez, o todo poderoso presidente do Real Madrid.

Escolhi esta frase para abrir a postagem porque ela é simbólica. Praticamente todos os clubes do mundo se submetem quando o Real Madrid realmente quer algo. Praticamente todos os jogadores do mundo fazem o que for necessário para que seja realizada uma transferência para o Real Madrid.

Mas não o Bayern. E não os jogadores do Bayern.

Em receitas, o gigante de Munique ainda aparece atrás de Real Madrid, Barcelona e Manchester United. Mas estamos falando de um clube que não tem dono, pertence aos sócios, não concentra valores vultuosos de direitos de TV, não recebe dinheiro estatal e está inserido na grande liga europeia mais responsável financeiramente. Em outras palavras, a saúde financeira do Bayern é mais saudável que a de seus concorrentes.

É um clube que atrai talento, busca talento sem fazer loucuras, retém talento, lota estádio, tem um futebol base para lá de estruturado e domina o futebol de seu país. Não à toa, o Bayern chegou novamente, dois meses atrás, ao topo da Europa, com a conquista da Liga dos Campeões da Europa.

Hoje, começa a caminhada rumo ao bi, feito que o clube nunca conseguiu na era Champions League - somente nos anos 70, no formato da velha Copa dos Campeões, tempos de Beckenbauer.

E quem ousa apontar algum clube que esteja acima do Bayern, esportivamente ou em qualquer outro aspecto? A estabilidade institucional, não só do clube, mas também do país, tem um papel fundamental.

Por que um cara como Lewandowski sairia do Bayern? O que os caras querem é ir para o Bayern! Como Douglas Costa, que voltou. Ou Sané, revelado pelo Schalke, que deixou o Manchester City para voltar à Bundesliga. A exceção mesmo foi Thiago Alcântara, que decidiu ter uma experiência na Premier e foi vendido ao Liverpool - mas só porque ele realmente quis.

Forte em todas as linhas, com jogadores mais velhos, tipo Neuer e Muller, e outros mais novos, que chegam com o pé na porta, o Bayern de Munique muitas vezes passa a impressão de ser simplesmente imparável. No ataque, Lewandowski é, hoje, a maior garantia de gols do futebol europeu e possivelmente será premiado com o "The Best", da Fifa, no fim do ano. Não há falhas, não há pontos fracos.

A estreia na fase de grupos da Champions é desafiadora, contra um Atlético de Madrid que ama jogos assim e que também começou bem a temporada. Veremos intensidade e coração em campo a partir das 16h (Brasília).

Alguns dos outros postulantes ao título também entram em campo nesta quarta.

O Real Madrid recebe o Shakhtar Donetsk (13h55). O time de Zidane não contratou ninguém na janela de transferências e vai seguir apostando no amadurecimento de jogadores como Rodrygo e Vinícius Jr.

O Manchester City, de Guardiola, que contratou pouco, recebe o Porto. E o Liverpool, que perdeu Van Dijk para a temporada, vai visitar o Ajax. Os dois times que dominaram a Premier League nos últimos anos são tidos como as grandes ameaças ao reinado do Bayern na Europa. Será que terão força para isso?

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL