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Julio Gomes


Real Madrid depende só dele para o título. Terá a solidez necessária?

Julio Gomes

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

24/06/2020 04h00

O Real Madrid começa hoje a caminhada rumo ao título espanhol. Ou não.

Depois de vencer o clássico contra o Barça, em março, logo antes da parada geral pela pandemia, parecia que ninguém mais tiraria o título do time de Zidane. Ato seguido, derrota para o Bétis. Liderança perdida. E veio a parada.

No retorno do futebol espanhol, Real Madrid e Barcelona seguiram na mesmíssima toada de antes. Times instáveis, que não inspiram confiança, que não atropelam ninguém como modo de ganhar a vida. Ganham jogos na camisa, ganham jogos porque têm talentos individuais, às vezes ganham jogos porque têm a boa vontade dos árbitros (mesmo com VAR). Mas, sem dúvida, é a temporada de maior instabilidade e menos solidez dos dois grandes de forma simultânea em muito, muito tempo, talvez em quase duas décadas.

O Barcelona empatou com o Sevilla e ganhou ontem na bacia das almas do Athletic Bilbao, criando poucas chances e achando um gol com Rakitic na reta final da partida. O Real Madrid ganhou seus dois jogos mais difíceis no papel, contra Valencia e Real Sociedad. E agora só depende dele mesmo para ser campeão. Se ganhar todas, leva.

Mas como é difícil imaginar esse Real Madrid de Zidane ganhando todas! É um time que não faz questão de se impor contra qualquer adversário, que tem jogadores bem e mal aleatoriamente. Na última partida, por exemplo, foi Vinícius Jr quem se destacou, depois de ficar no banco na volta dos jogos. Não é fácil estabelecer um time titular do Real.

Faltam ainda oito partidas e, se vierem oito vitórias, serão 11 seguidas desde a volta da pandemia. Olhando para a tabela, é difícil imaginar o Madrid perdendo pontos. São três confrontos contra os times da atual zona de rebaixamento (começando pelo duelo desta quarta contra o Mallorca), três contra times de meio de tabela e dois supostamente mais complicadinhos - contra Getafe e Villarreal, quinto e sexto, mas que também não assustam.

Olhando para o jogo do Real, pensar em 11 vitórias seguidas beira a loucura. Algum tropeço irá ocorrer. Simplesmente não é um time sólido.

Mas o Barcelona estará preparado para aproveitar? Nos sete jogos restantes, o Barça ainda pega o Atlético de Madrid. Hoje, tem três pontos de vantagem na tabela, só que o Real, com um jogo a menos, pode acabar empatado com o rival que levará vantagem no critério de desempate, o confronto direto.

As grandes notícias para o Real Madrid são Marcelo e Sergio Ramos. O primeiro ressuscitou, usando um termo da imprensa espanhola. O segundo parecia ter se lesionado de forma mais grave contra a Real Sociedad, mas ontem treinou normalmente. São dois caras importantíssimos para Zidane, remanescentes das quatro Champions em cinco anos. Se eles estiverem bem, o título fica mais próximo.

Julio Gomes