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Julio Gomes


Sem Alisson, Liverpool cai para outro patamar

Alisson, durante a premiação do Fifa The Best - Gareth Cattermole - FIFA/FIFA via Getty Images
Alisson, durante a premiação do Fifa The Best Imagem: Gareth Cattermole - FIFA/FIFA via Getty Images
Julio Gomes

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

12/03/2020 07h00

Às vezes, um jogador de futebol ganha mais moral sem jogar do que jogando. É quando a ausência dele faz o mundo inteiro perceber o tamanho de sua importância. É o caso de Alisson, goleiro do Liverpool e da seleção brasileira.

Ontem, o Liverpool foi eliminado pelo Atlético de Madrid de forma dramática na Liga dos Campeões, levando a virada na prorrogação - o primeiro gol dos espanhóis saiu em uma falha clamorosa do goleiro espanhol Adrián, reserva de Alisson. Ele já havia batido roupa perigosamente no tempo normal e os outros gols do Atlético não eram impossíveis de serem defendidos.

Do outro lado, o esloveno Oblak brilhou, impedindo o Liverpool de fazer mais gols em várias ocasiões com defesas difíceis. Impossível não pensar que o destino da eliminatória talvez fosse diferente, não tivesse Alisson se contundido em um treino na semana passada.

Com Alisson, o Liverpool é, indiscutivelmente, o melhor time do mundo. Sem ele, cai para outro patamar, em que estão vários outros gigantes da Europa.

Quem me acompanha aqui no blog sabe que eu considero Alisson não só o melhor goleiro do mundo, mas também o melhor jogador do mundo na temporada passada. Ele acabou em sétimo na eleição para o Bola de Ouro e, no prêmio The Best da Fifa, ganhou como melhor goleiro, mas não apareceu no top 10 da eleição geral. Para mim, a Bola de Ouro deveria ter ido para Alisson.

O gaúcho foi contratado pelo Liverpool junto à Roma no meio de 2018, por 72 milhões de euros - na época, transformou-se no goleiro mais caro da história. Ele chegou ao clube semanas depois de o alemão Karius ter falhado bisonhamente na final da Champions League, que acabou nas mãos do Real Madrid após vitória sobre o Liverpool.

Em duas temporadas na Inglaterra, Alisson já levantou a Champions League em 2019 e logo mais, quando o coronavírus deixar, será campeão da Premier League - o Liverpool vai quebrar um jejum de 30 anos sem título inglês. Em duas temporadas na Premier, Alisson garantiu que sua meta não fosse vazada em 31 dos 58 jogos disputados. A chegada dele simplesmente mudou o clube de patamar.

Antes de Alisson, Karius. Com Alisson machucado, Adrián.

Não é possível subestimar a necessidade de ter um goleiro estratosférico para dar segurança a qualquer time de futebol. Não é possível subestimar Alisson.

Julio Gomes