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Julio Gomes


Freguesia e Messi são esperanças para o Barcelona "matar" a Liga

Messi comemora gol contra o Eibar no Campeonato Espanhol - JOSEP LAGO/AFP
Messi comemora gol contra o Eibar no Campeonato Espanhol Imagem: JOSEP LAGO/AFP
Julio Gomes

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

01/03/2020 04h00

Poucos se lembram, mas o primeiro superclássico de Lionel Messi na Espanha foi aquele 3 a 0 de novembro de 2005, quando Ronaldinho Gaúcho arrancou aplausos do Santiago Bernabéu.

Estamos chegando a 15 anos de Messi em clássicos. E 15 anos de domínio doméstico do Barcelona para cima do Real Madrid. Desde aquele jogo, o Barça ganhou mais títulos espanhóis (9 a 4), Copas do Rei (6 a 2) e Supercopas (7 a 3). Desde aquele jogo, o Barça ganhou 15 dos 29 clássicos disputados pelo Campeonato Espanhol, mais que dobrando o número de vitórias do Real.

Desde aquele jogo, Messi pisou outras 20 vezes no Bernabéu por várias competições. No total, marcou 15 gols!! - e seu time ganhou 12 jogos, contra 6 do maior rival. Isso na casa do adversário. O Barcelona venceu em suas últimas quatro visitas a Madri jogando pelo campeonato. O Barça ultrapassou o Real em gols marcados na história da Liga espanhola pela primeira vez desde 1962 (6151 a 6150 gols).

Todos esses dados servem para dizer uma coisa: desde que surgiu Messi, o Real Madrid virou freguês do Barcelona, jogando em casa ou fora. Desde que Messi surgiu, não há debate sobre qual o clube mais vencedor do país.

E é nisso que o Barcelona se apega na esperança de, como eles dizem lá, "sentenciar a Liga".

Uma vitória - mais uma - no coliseu branco deixaria o Barcelona com cinco pontos de frente e ainda a vantagem no confronto direto. Ou seja, o Real Madrid teria de fazer seis pontos a mais no terço final do campeonato para superar o maior rival. Claro que dá. Mas o Barça ficaria inegavelmente no controle, pela pontuação e pela recuperação da confiança de um elenco que deixa mais interrogações do que certezas.

Um mês atrás, o Real Madrid era um time que não perdia, sólido na defesa e encontrando soluções no ataque, Zidane parecia ter achado o caminho. Hoje, fica exposta a falta de um craque, de atacantes de garantias. Ganhando ou perdendo Liga e Champions, o Real Madrid certamente fará alguma loucura de verão no próximo mercado. Não se perde Cristiano Ronaldo impunemente.

Já o Barcelona tem Messi.

Messi traz a resposta para muitos problemas do clube catalão, às vezes até mascarando os mesmos.

O time de Setién, que foi a Madri assistir à derrota do Real para o Manchester City - e ainda bateu um papo longo com Guardiola no hotel após o jogo -, é formado por Messi e mais 10. O time gosta da bola e tentará jogar desta maneira. É verdade que Ter Stegen vive grande momento, Griezmann está se mostrando cada vez mais cômodo... mas não adianta ficar dando voltas. Uma eventual vitória do Barcelona sempre passará por Messi.

No Real Madrid, não há como apontar um projeto de protagonista. A escalação de Zidane é um mistério, e a única certeza é a volta de Kross ao meio de campo, após a inexplicável decisão de deixá-lo no banco no jogo da Champions League.

Julio Gomes