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Julio Gomes


Que tipo de técnico pode dar um jeito neste PSG?

Mbappé não gostou de ser substituído por Thomas Tuchel durante a partida do PSG contra o Montpellier - Gonzalo Fuentes/Reuters
Mbappé não gostou de ser substituído por Thomas Tuchel durante a partida do PSG contra o Montpellier Imagem: Gonzalo Fuentes/Reuters
Julio Gomes

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

20/02/2020 04h00

Resumo da notícia

  • Nos bastidores, jogadores do PSG questionam o técnico Tuchel
  • Não é fácil encontrar a química perfeita e formar um time campeão
  • Com este elenco do PSG, que tipo de técnico pode dar certo?

A batata de Thomas Tuchel está assando, como nos traz a reportagem de João Henrique Marques, correspondente do UOL Esporte lá em Paris. Assim como antes assou a de Unai Emery. E assim como vai assar a do próximo.

Tuchel é a bola da vez porque escalou mal o PSG contra o Borussia Dortmund e porque deixou Neymar fora de mais jogos do que o necessário, pensando em preservá-lo para a Champions League. Se for eliminado nas oitavas de final de novo, já sabemos qual será o destino dele.

A real é que o Paris montou um elenco muito difícil para qualquer treinador. A panelinha de brasileiros/sul-americanos diminuiu um pouquinho nesta temporada, mas segue lá. Mbappé é uma estrela mundial e, pelo visto, não é figura fácil.

Nem Emery nem Tuchel tinham o "tamanho" deste vestiário. Mas, até aí, outros técnicos sem o mesmo tamanho das estrelas que comandava conseguiram sucesso. O caso mais emblemático é o de Vicente del Bosque, nos tempos do Real Madrid galáctico - mas há tantos outros.

Será que um técnico linha dura daria certo em um vestiário como o do PSG? Ou então um técnico com um currículo mais recheado? Um Mourinho? Um Wenger?

Um Deschamps ou outro francês que literalmente fale a língua do clube e conheça a cultura do país? Um Felipão ou outro sul-americano, que entenda a cabeça e a alma das estrelas latinas?

Ou será que a questão é o apoio que a diretoria dá para o técnico que vier, quem quer que seja ele? Se tuas grandes estrelas são garotos mimados da nova geração, talvez o mais importante seja uma hierarquia clara e que seja respeitada, sem desmandos por parte dos chefes.

Se Tuchel tivesse "proibido" a festa de arromba de Neymar na antevéspera de um jogo, será que ele seria bancado pelos donos do clube? Será que os jogos a mais fora do time não têm a ver com isso, com um técnico impondo um castigo (com o aval do clube)?

O Paris está aí para nos provar que formar um campeão europeu não é fácil, não basta dinheiro. É preciso escolher todas as peças com muito cuidado, olhar para o todo, para o encaixe, para a química. Tem que dar certo em campo e também fora de campo.

Pode dar certo com um elenco estrelado formado dentro de casa (Barcelona de Messi e Guardiola). Pode dar certo com um elenco comprado externamente (Real Madrid de Cristiano Ronaldo e Zidane). Pode dar certo com um elenco formado por desconhecidos, com contratações pontuais de não-estrelas, que acabam virando estrelas (Liverpool de Alisson e Klopp). O Real Madrid e o Chelsea, aliás, já nos mostraram diversas vezes como a simples compra de peças não representa solução imediata.

Sempre, em comum, há o encaixe e há autonomia para o treinador fazer seu trabalho e tomar as decisões espinhosas. Se o elenco, qualquer elenco, se sente "dono" do técnico... acabou. É exatamente essa a impressão que o Paris da riqueza passa desde sempre, até mesmo antes da chegada de Neymar.

Dos três novos ricos, só o Chelsea atingiu o sonho de ganhar a Europa. O fez quando menos se esperava, com um técnico desconhecido (e, hoje, desempregado), com um elenco bem menos estrelado do que outros e, claro, com uma boa dose de sorte.

O Manchester City, hoje, parece no caminho certo. Está faltando um pouquinho de sorte. O Paris, por sua vez, ainda parece a léguas de encontrar a estabilidade necessária entre diretoria, técnico e elenco. Aquela comunhão tão desejada, o alinhamento de estrelas.

É sempre mais fácil mudar o treinador do que reformular um elenco. Fácil trocar. Difícil mesmo achar o homem ideal para pegar essa casca de banana que é o PSG atual.

Julio Gomes