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Julio Gomes


Punido pela Uefa, Man City torrou mais de R$ 3 bi em jogadores em 5 anos

Fernandinho assina renovação de contrato com o Manchester City - Manchester City FC/Divulgação
Fernandinho assina renovação de contrato com o Manchester City Imagem: Manchester City FC/Divulgação
Julio Gomes

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

16/02/2020 11h30

Resumo da notícia

  • City foi punido pela Uefa por manobras financeiras entre 2012 e 2016
  • No período, o clube gastou 700 milhões de euros em jogadores
  • A lista das 20 maiores contratações tem três brasileiros

Um total de 700 milhões de euros em contratações (aproximadamente 3,2 bilhões de reais), recebendo menos de 200 milhões de euros por vendas de jogadores. Esta foi a "balança comercial" do Manchester City no período entre as temporadas 2012/2013 e 2016/2017, o período que a Uefa considera que o clube burlou o fair play financeiro, consequentemente recebendo uma punição de dois anos fora de competições europeias. Os dados são do site Transfer Markt, o mais confiável quando falamos de negociações e valores no futebol.

O City vai recorrer da decisão junto aos TAS (tribunal do esporte) e já considera, segundo a imprensa local, uma vitória se conseguir diminuir a pena para somente um ano (que seria a temporada 2020/2021).

O clube azul de Manchester, segundo a Uefa, disfarçou aportes financeiros de seu dono através de patrocínios, o que é proibido, e não cooperou com as investigações. E-mails que comprovam o "drible" foram vazados na imprensa alemã em 2018, o que fez as investigações serem reabertas. Na sexta, a entidade máxima europeia anunciou a dura punição.

Quem o City contratou e quanto gastou nestes anos de "drible" ao fair play financeiro? A lista das 20 maiores transferências está abaixo, e menos da metade dos jogadores seguem no clube (9 dos 20).

Três brasileiros aparecem na lista. Fernandinho, Gabriel Jesus (ambos seguem no elenco) e o volante Fernando, que hoje defende o Sevilla.

Segundo reportagem do jornal inglês "The Sun", também compilando dados do Transfer Markt, o City foi o clube que mais gastou nos "Anos 10" - um total de 1,5 bilhão de libras esterlinas (na cotação de hoje, 8,5 bilhões de reais) em 278 jogadores. No mesmo período, vendeu outros 280 atletas, recebendo por eles 450 milhões de libras (2,5 bilhões de reais). Ou seja, um prejuízo, só na compra e venda de atletas, de mais de 6 bilhões de reais, disparado o primeiro colocado da lista.

O City era um clube pequeno da Inglaterra, que chegou a frequentar a terceira divisão nos anos 90. O chamado clube "elevador", que passou a vida subindo e caindo. Até 2008, a lista de glórias tinha dois campeonatos nacionais, sete títulos da segunda divisão, quatro Copas da Inglaterra, duas Copas da Liga e uma Recopa europeia (em 1970).

Em 2008, o City foi comprado pelo Abu Dhabi United Group, cujo proprietário é o Xeque Mansour bin Zayed, da família real dos Emirados Árabes Unidos. O dinheiro começou a jorrar. O primeiro contratado de impacto foi Robinho (lembram?), junto ao Real Madrid. Desde então, o clube ganhou quatro Premier Leagues (triplicando o número de conquistas que tinha), duas Copas da Inglaterra e quatro Copas da Liga. O problema é que ainda não conquistou a Champions, o grande objetivo dos donos.

As 20 maiores contratações do City de janeiro de 2012 a dezembro de 2016 (em milhões de euros, fonte Transfer Markt):

De Bruyne (BEL/Wolfsburg - 2015) - 76
Sterling (ING/Liverpool - 2015) - 63,7
Stones (ING/Everton - 2016) - 55,6
Sané (ALE/Schalke - 2016) - 50,5
Mangala (FRA/Porto - 2014) - 45
Otamendi (ARG/Valencia - 2015) - 44,5
Fernandinho (BRA/Shakhtar - 2014) - 40
Bony (CMA/Swansea - 2014) - 32,3
Gabriel Jesus (BRA/Palmeiras - 2016) - 32
Gundogan (ALE/Borussia Dortmund - 2016) - 27
Jovetic (SER/Fiorentina - 2013) - 26
Negredo (ESP/Sevilla - 2013) - 25
Javi García (ESP/Benfica - 2012) - 20,2
Jesús Navas (ESP/Sevilla - 2013) - 20
Cláudio Bravo (CHI/Barcelona - 2016) - 18
Nolito (ESP/Celta - 2016) - 18
Nastasic (SER/Fiorentina - 2012) - 15,2
Rodwell (ING/Everton - 2012) - 15
Fernando (BRA/Porto - 2014) - 15
Delph (ING/Aston Villa - 2015) - 11,5

Julio Gomes