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Diego Garcia

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Atlético-GO tomar a vacina da Conmebol é uma vergonha

Diego Garcia

Repórter desde 2010, passou por Folha de S. Paulo, ESPN, Terra e Placar. Ganhou dois prêmios Aceesp (2014 e 2016) e foi indicado aos prêmios Comunique-se (2019), República (2017, 2018 e 2021), Folha (2018 e 2019) e Fenacor (2020). Cobriu Copa do Mundo, Olimpíadas, Mundial de Clubes e outros grandes eventos. Contato: garciadiegosilva@gmail.com

Colunista do UOL

07/05/2021 09h17

Eis que vejo a noticia de que as 44 pessoas da delegação do Atlético-GO - que em campo fez linda partida e bateu o Libertad por 2 a 1, no Paraguai - usufruíram do privilégio de estarem disputando a Copa Sul-Americana e receberam a tal vacina da Conmebol.

"Seremos eternamente gratos", escreveu no Twitter o presidente do clube, Adson Batista, que de bobo não tem nada. Deveria aprender com o presidente do Fluminense, Mário Bittencourt: horas antes, afirmou ao Seleção SporTV que o clube recusaria. "Seria antipático com o mundo", disse. Obrigado e parabéns a ele.

E que fique claro que nada contra a instituição Atlético-GO, de história e grande torcida. Não é culpa do time o Brasil ter sociopatas lunáticos no comando propagando o caos e fazendo o país assumir o triste fardo de epicentro mundial da pandemia. A responsabilidade é de quem toma as decisões pelo clube. E isso vale para qualquer outro que tome a mesma iniciativa.

Por que elenco e cartolas - sim, pois acredito que a infeliz ideia de "furar a fila" não foi dos atletas - do Atlético-GO são melhores e mais importantes do que os quase 170 milhões de brasileiros que ainda não tiveram acesso a nenhum imunizante?

"Ah, mas a vacina é da Conmebol, qual o problema?". Onde fica a Conmebol no mapa do mundo? Por que uma empresa privada recebe vacinas de graça no lugar de governos dos países que disputam as competições dessa mesma entidade?

Por que uma confederação corrupta, e que nada tem a ver com a saúde de ninguém, recebe essas doses no lugar de um país, com melhores condições de distribuí-las de forma igualitária entre grupos prioritários da sociedade?

O Paraguai, por exemplo, país onde Atlético-GO decidiu receber a vacina, não imunizou nem 150 mil pessoas até o momento. Isso não representa nem 2% da população do país! Mas o que importa é que o Adson Batista foi vacinado.

No domingo, o Atlético-GO faz a semifinal do Campeonato Goiano contra o Grêmio Anápolis. Graças aos cartolas, será um "vacinados x não-vacinados". Pobres adversários, seus parentes e amigos que não tiveram a mesma sorte dos rivais... Pandemia não é lugar para privilégios!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL