Danilo Lavieri

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O time que critica o sintético está disposto a fornecer um gramado decente?

As críticas de Fernando Diniz ao gramado sintético são o último episódio de uma polêmica que é discutida apenas com clubismo no futebol brasileiro. Se o técnico do Fluminense estivesse mesmo preocupado com a qualidade do piso, ele poderia já ter reclamado quando comandava o Athletico, pioneiro neste tipo de tecnologia. O caso é simbólico: há perguntas importantes no meio dessa briga que nunca são respondidas.

Afinal, os críticos ferrenhos ao sintético estão dispostos a se comprometer com um gramado natural que permita o bom desenvolvimento do jogo e evite lesões por pisar em buracos como aconteceu com Gabigol?

Me parece óbvio que ter gramados naturais em ótimas condições é o melhor para qualquer campeonato. Mas paremos para pensar: quem no país pode se orgulhar do gramado que tem em seu estádio? Na Série A, apenas Corinthians, São Paulo, Santos e Internacional. Talvez Goiás e Bragantino?

Praticamente todos os outros naturais enfrentam problemas: seja por falta de manutenção, por danos causados por shows, excesso de jogos ou até por falta de estrutura como irrigação, por exemplo. Isso sem contar os times que não têm estádio próprio e não conseguem garantir a qualidade, como já foi o caso de Flamengo, Fluminense, Fortaleza, Cruzeiro e Bahia.

O Atlético-MG é um grande exemplo de como ter gramado natural em boa condição é raridade por aqui. Mesmo com o estádio inaugurado há poucos meses, já enfrenta problemas com o seu piso e quer instalar um artificial.

Há estudos que divergem sobre a possibilidade de o sintético causar mais lesões aos atletas. Estudiosos indicam que a nova tecnologia da grama artificial não é mais problema, mas há também outros que defendem a corrente inversa e usam a Europa como exemplo. Mas é certo usar a exigência europeia para gramado no Brasil? Estamos preparados para isso?

Além disso, como não há nada definitivo que comprove o risco à saúde do jogador, esse argumento não deveria ser considerado. Não dá para achar que o sintético que você joga no fim de semana é o mesmo usado nesses estádios. Como a coluna já mostrou, atletas de Palmeiras, Botafogo e Athletico não gostam do artificial, mas preferem atuar nele do que em campos esburacados.

É legítimo se preocupar com o tema e procurar uma unificação de gramados em todo o Brasileirão. É assim em todo mundo e deveria ser assim aqui também. Se pudéssemos sonhar com uma Liga única de clubes, essa deveria ser uma das prioridades, mas sabemos que aí já é sonhar muito longe. A pergunta mais realista do momento é: será que os times que tanto criticam o sintético estão dispostos a cuidar da qualidade dos seus gramados?

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Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

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