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Danilo Lavieri

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Lavieri: Tuchel, técnico do Chelsea, expõe como futebol brasileiro é insano

Thomas Tuchel, técnico do Chelsea, reage durante final da Champions - Alex Caparros - UEFA/UEFA via Getty Images
Thomas Tuchel, técnico do Chelsea, reage durante final da Champions Imagem: Alex Caparros - UEFA/UEFA via Getty Images
Danilo Lavieri

Danilo Lavieri começou a carreira em 2008 e trabalha com futebol desde 2010. Já cobriu Copa, Olimpíada, escreveu a biografia do goleiro Marcos (Nunca Fui Santo) e ganhou prêmio de furo do ano da Aceesp em 2019.

Colunista do UOL

20/01/2022 12h55

Uma fala do técnico Thomas Tuchel, do Chelsea, deixa muito claro toda a loucura que a gente já normalizou no futebol brasileiro. Depois de empatar com o Brighton pelo Inglês, o alemão disse que viu seus jogadores exaustos e no limite mental. Disse ainda que precisa dar folga aos atletas. Imagina isso no Brasil?

Nunca é demais lembrar que em meio à maratona que se agravou por causa da pandemia no ano passado, o Palmeiras ouviu de um dos vices da CBF a pergunta: "quem mandou ganhar tudo? O Palmeiras não é obrigado a jogar tudo, mas quer ganhar tudo", resumiu Francisco Noveletto na ocasião.

Para base de comparação, vamos colocar lado a lado o time inglês, campeão da Champions em 2021, e o Palmeiras, campeão da Libertadores do mesmo ano. Na última temporada, os Blues entraram em campo em 59 ocasiões, enquanto o Verdão jogou incríveis 72 partidas oficiais. São 13 jogos a mais.

De hoje até a viagem para os Emirados Árabes Unidos, o time de Palestra Itália vai jogar mais quatro vezes, enquanto o de Londres entra em campo duas vezes no mesmo período. Pior do que isso. A equipe brasileira fará sua reta final de preparação sem Weverton, Gustavo Gómez, Piquerez e Kuscevic porque eles foram convocados por suas seleções para as Eliminatórias. E adivinha? O calendário brasileiro não para.

A grande diferença entre eles, claro, é o Estadual. O Alviverde disputou, pela temporada de 2021, 38 jogos do Brasileirão e 13 da Libertadores, exatamente a mesma coisa que o Chelsea fez no seus campeonatos correspondentes. E olha que a distância de desgaste entre eles só não é maior porque o time de Abel Ferreira caiu cedo na Copa do Brasil.

Em 2020, quando foram campeões da taça nacional, os palmeirenses entraram em campo em incríveis 77 partidas. Enquanto o europeu que mais entrou em campo em 2020/2021 foi o Manchester City, em 61 ocasiões. É o que mostra um estudo que foi feito e enviado pela Futbox a clubes, federações, confederações e detentores de direitos de transmissão (disponível neste link).

A análise mostra como é possível que o Brasil tenha um calendário mais organizado e que possa melhorar não só a performance dos atletas com melhor descanso, mas também otimizar a montagem dos elencos, melhorar o valor agregado das competições e dar calendário durante todo o ano a equipes menores, que hoje só jogam durante o período dos estaduais.

A ideia, claro, passa por diminuir o tamanho dos Estaduais, especialmente para os maiores times, e propões algumas soluções como jogos únicos na Copa do Brasil ou mudança de formato. Tudo isso permitiria que os times brasileiros parassem de ser prejudicados com desfalques durante Data Fifa e ainda conseguissem melhorar o planejamento para toda a temporada.

Há meios de se fazer. É possível que tudo isso mude. A questão é que o calendário no Brasil virou, muitas vezes, muleta apenas para os que perdem. Na hora de efetivamente provocar as mudanças, os clubes não fazem nenhum esforço. Basta lembrar que o Paulista teve agora mesmo seu contrato de transmissão renovado por quatro anos, o que significa que não há perspectiva de mudança tão cedo. Quem vai ser o primeiro a reclamar da maratona quando for eliminado?

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