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Danilo Lavieri

Por que Palmeiras foi único entre 40 times do Brasil a ficar fora do PES

Palmeiras fechou acordo para últimos anos, mas não entrou em acordo para próxima temporada - Divulgação/Konami
Palmeiras fechou acordo para últimos anos, mas não entrou em acordo para próxima temporada Imagem: Divulgação/Konami
Danilo Lavieri

Danilo Lavieri começou a carreira em 2008 e trabalha com futebol desde 2010. Já cobriu Copa, Olimpíada, escreveu a biografia do goleiro Marcos (Nunca Fui Santo) e ganhou prêmio de furo do ano da Aceesp em 2019.

Colunista do UOL

01/09/2020 11h29

A Konami anunciou nos últimos dias que teve acordo com praticamente todos os clubes da Série A e B do Brasileirão para o jogo Pro Evolution Soccer 2021, conhecido por alguns como PES ou até por Winning Eleven pelos mais velhos. Praticamente porque o Palmeiras foi o único entre os 40 que não autorizou o uso de sua imagem.

Chamado de São Paulo Barra Funda V no anúncio oficial do game, o time de Palestra Itália ainda mantém negociações com a Konami e não fechou o acordo por diferentes motivos, mas dois deles são os mais relevantes.

Direito de exclusividade

O clube não quer dar exclusividade para a empresa japonesa por três anos. No mundo ideal, o Palmeiras quer ver o seu símbolo, seu uniforme, seus patrocinadores e os nomes de jogadores verdadeiros não só no PES, mas também no Fifa, que, inclusive, tem ficado à frente nos últimos rankings de venda em diferentes plataformas.

O jogo da Eletronic Arts se afastou do Brasil nos últimos anos por conta de uma série de problemas judiciais. Vários atletas entraram na Justiça recentemente contra a produtora pelo uso de imagem. Alegando que não haviam cedido essa propriedade aos clubes, jogadores como Éverton Ribeiro, Fred e Marcos Rocha, além de ex-jogadores como Marcos e Edmundo, pedem um ressarcimento.

O Palmeiras mantém conversas com a Eletronic Arts em busca de uma reaproximação e já mostrou que tem meios jurídicos de, ao menos daqui para frente, colocar os atletas no jogo sem problemas futuros na Justiça. O clube aposta que o monopólio da Konami não é benéfico.

Nos novos contratos, inclusive nos feitos com o PES, os clubes cedem expressamente aos jogos o direito de usar a imagem da maioria dos atletas.

Nem todos os times anunciados para a versão de 2021 têm contratos exclusivos, mas equipes como Flamengo, São Paulo e Corinthians aceitaram essa oferta e já têm o futuro reservado para o PES.

União de clubes

O segundo motivo apontado para o Palmeiras é a negociação coletiva. O Alviverde gostaria de conversar com as empresas de jogos em grupo, como foi, por exemplo, no acordo recente pela venda dos direitos internacionais de transmissão do Brasileirão, quando os 40 times da Série A e B fecharam juntos.

Neste caso, no entanto, o time paulista ficou bastante isolado. Atraído pela oferta financeira, os outros clubes preferiram já garantir o acordo proposto pela Konami a arrastar a negociação em busca de melhores condições para o futuro.

Para a próxima temporada, o PES ainda anunciou a manutenção da parceria com a CBF para poder usar a marca do Campeonato Brasileiro e continuará promovendo o campeonato virtual que inclusive contou com a transmissão do Grupo Globo em 2019.

O Fifa, por sua vez, ficou com o direito de usar a imagem da Libertadores, porque entrou em acordo com a Conmebol. Neste caso, inclusive, o Palmeiras estará como uma das opções para o jogador, mas o nome dos atletas será genérico.

Na visão do Palmeiras, todos poderiam lucrar ainda mais com os esportes eletrônicos se os acordos fossem feitos de maneira conjunta e não individual. Outros cases como o da La Liga, por exemplo, são os considerados ideais para serem seguidos.

Por fim, ainda na ótica palmeirense, uma negociação conjunta permite que os clubes consigam também evoluir no mercado e-sports de maneira geral, indo além apenas do futebol virtual e atingindo outras modalidades que não param de crescer, como o Counter Strike, Free Fire e Fortnite, por exemplo.