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Chico Silva: Uma desculpa válida e uma chance perdida no "Bem, Amigos"

Galvão Bueno cumprimenta Nadja Mauad durante "Bem, Amigos" - Reprodução
Galvão Bueno cumprimenta Nadja Mauad durante "Bem, Amigos" Imagem: Reprodução

18/02/2020 10h52

Ontem, no "Bem Amigos", Galvão Bueno voltou a se desculpar pelo machismo travestido de grosseria que cometeu com a repórter Nadja Mauad durante a transmissão da final da Supercopa do Brasil, que terminou com vitória do Flamengo sobre o Athletico Paranaense nesse domingo (16). Ainda durante o primeiro bloco do programa, disse "como todo mundo erra, eu erro muitas vezes. Eu cometi um erro, (falei) uma frase infeliz. Ela já tinha falado, e eu não tinha escutado. Logo depois me dirigi a ela, pedi desculpas no ar, disse o tanto que eu admiro o trabalho dela, mandei beijo, e ela foi muita bacana".

Até aí, ok. É o mínimo que se espera de alguém que escorregou feio ao cobrar rispidamente Nadja por uma informação já dada por ela sobre o lateral Abner, contratado da Ponte Preta pelo time paranaense por R$ 10 milhões. Ressalte-se que o apresentador havia se desculpado com a repórter ainda durante a transmissão.

Galvão está prestes a completar 70 anos. Como qualquer homem de sua idade, tem o machismo entranhado no seu comportamento. Os mais novos também, claro. O que se espera é que a geração atual de homens e as próximas, ou seja, a dos netos dele, consiga extinguir ou minimizar esse padrão que tanto mal e dor leva às mulheres. Mas nessa altura da vida, fica difícil cobrar uma mudança de atitude do narrador. Da mesma forma como é complicado, e até injusto, esperar que Nadja tivesse outra postura que não a do "que é isso, Galvão. Tamo (sic) junto e segue o baile", dito por ela após o perdão público da maior estrela do esporte global.

Ativistas feministas talvez se decepcionem com o tom conciliador de Nadja. Mas é preciso lembrar que ela estava nos domínios do principal nome do esporte global. O "Bem Amigos" é o programa criado pela Globo para Galvão e apresentado por ele há 17 anos. O que talvez não fosse necessário foram os elogios e loas rasgadas pela repórter. "Você não sabe a admiração que tenho por você. Meu sonho era fazer um jogo com você narrando, e eu o realizei ontem".

Na sequência, talvez imaginando que a repercussão não fosse das melhores com as mulheres, fez questão de afirmar que tem personalidade forte e que só estava ali porque se sentia à vontade. Segundo a direção do programa, Nadja estava escalada desde a semana passada por conta da presença do entrevistado, o técnico do Corinthians, Thiago Nunes, com quem a repórter conviveu nos tempos do treinador à frente do Athletico.

Ao terminar a frase, a repórter voltou a paparicar Galvão e a Globo. "Sou muito sua fã. A casa sempre me tratou com muito carinho e muito respeito. Para mim, é sempre um prazer estar com vocês". Perto do fim da atração, o narrador chegou a ameaçar uma crítica aos, nas palavras dele, "bobões do lado de lá", que o condenaram na imprensa e nas redes sociais. Mais uma vez a repórter foi condescendente. "Deixa pra (sic) lá", disse.

Como dito acima, a atitude de Nadja é compreensível. Não seria de bom tom criticar ou passar um pito no anfitrião dentro da sua "casa". Mas, diante da má repercussão do fato, os elogios pareceram um tanto forçados. Bastaria tratá-lo com a devida educação e, cordialmente, aceitar suas desculpas. Mas acabou passando uma inapropriada e inoportuna sensação de subserviência à maior estrela da noite.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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