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Alicia Klein

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

A surrealidade do Palmeiras recordista: até jogo irrelevante vale a pena

Gustavo Scarpa cobra escanteio, na partida entre Palmeiras e Emelec-EQU - Mauro Horita / CONMEBOL
Gustavo Scarpa cobra escanteio, na partida entre Palmeiras e Emelec-EQU Imagem: Mauro Horita / CONMEBOL
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Alicia Klein

Alicia Klein tem quase 20 anos de mercado esportivo em posições de liderança no Brasil e no exterior. Escreveu a biografia de Michael Schumacher, trabalhou na NFL, no universo olímpico e no da Copa do Mundo. Decidiu que é hora de falar sobre misoginia, racismo, trabalho infantil e tudo que o esporte aceita em nome dos resultados dentro e fora de campo.

24/05/2022 18h22

O time de Abel Ferreira entra em campo logo mais pela Libertadores, para enfrentar o Deportivo Táchira no Allianz Parque, na seguinte condição: com 100% de aproveitamento, classificado em primeiro do seu grupo desde a quarta rodada, com 21 tentos assinalados em 5 partidas, 2 sofridos, saldo de 19, a um ponto de garantir a melhor campanha entre todas as equipes da competição e a um gol de bater o recorde de mais gols marcados na fase de grupos. Melhor campanha de qualquer época.

Vale notar que o segundo melhor ataque da competição pertence ao Flamengo: 13. O segundo melhor saldo é dividido entre o rubro-negro e o River Plate: 8. São, aliás, as únicas duas equipes em condição de terminar no primeiro lugar geral, caso vençam e o alviverde perca..

O grupo do Palmeiras é fácil? Sim. O do Flamengo também. O do Athletico idem.

Esse alviverde conseguiu um feito curioso. O jogo de hoje vale pouquíssimo, mas a torcida quer saber quem o técnico vai escalar, se vai rolar goleada de novo, se o Rafael Navarro vai engatar, se o Rony vai finalmente fazer o seu de bicicleta ou o Scarpa, o olímpico.

O Palmeiras de Abel está deixando o mais pragmático (para não dizer pessimista) dos palmeirenses confiante. Até os críticos se renderam. São poucos os que não veem a equipe como favorita ao tri consecutivo - e, por que não, ao Brasileirão.

Para quem viveu outras eras do clube, forma-se quase uma surrealidade. Está acontecendo mesmo?

Não resisti a buscar a definição de surrealidade no dicionário. Descreve se perfeitamente a sensação atual de muitos palestrinos que conheço.

"Que existe no contexto de sonhos, da imaginação; incompatível com as leis da razão, de teor absurdo, ilógico. Que pode provocar estranheza. Relativo a algo contraditório, divergente, incoerente."

Mas está acontecendo. E espero que a torcida, com ou sem o tri/tetra, com ou sem o Brasileiro, saiba saborear o privilégio de viver nessa época.

Guardadas as devidas proporções, é como disse Pep Guardiola, após mais um título da Premier League, com o Manchester City: "Nos sentimos lendas, desculpe. E sentimos que não precisamos esperar 10, 15 anos para perceber a magnitude do que fizemos nos últimos 5 anos."