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14 Anéis

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Analisando as escolhas de primeira rodada do Draft da NBA, Parte 3

Comissário da NBA, Adam Silver, ao lado dos calouros do Draft da NBA - Arturo Holmes/Getty Images/AFP
Comissário da NBA, Adam Silver, ao lado dos calouros do Draft da NBA Imagem: Arturo Holmes/Getty Images/AFP
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Vitor Camargo

Vitor Camargo é economista formado pela Faculdade de Economia e Administração da USP. Desde 2011 escreve sobre esportes americanos, com passagens por Yahoo, Gazeta do Povo e o seu próprio site, o Two-Minute Warning. Foi comentarista de beisebol na Fox Sports e consultor técnico na tradução do livro Moneyball (2011). É autor do livro Era de Gigantes (2019), o primeiro sobre a história da NBA escrito no Brasil, e apresentador do podcast Na Era do Garrafão.

Colunista do UOL Esporte

01/08/2021 04h00

Terceira e última parte da análise do 14 Anéis avaliando todas as 30 escolhas de primeira rodada do Draft da NBA. Na Parte 1, falei das escolhas entre a #1 e #10, e na parte 2, das entre #11 e #20. Essa, portanto, trata das entre #21 e #30

Lembrando que nós cobrimos todo o evento em tempo real no UOL Esporte, então se quiser ler comentários e opiniões sobre toda a primeira rodada com mais profundidade e complexidade, é só entrar no link que ainda está lá tudo que falamos sobre a noite do Draft.

Lembrando que as notas em si são mais minhas reações imediatas e não fruto de clarividência - e, como sempre, não devem ser levadas a sério demais.

#21. Los Angeles Clippers - Keon Johnson
Nota: B+

Os Clippers subiram para essa escolha e pegar Johnson, e me parece uma ótima decisão. Johnson era cotado como talento de loteria, um dos jogadores mais atléticos e explosivos do Draft (destruiu o recorde histórico do Combine para o salto vertical), alguém que pode ter um impacto imediato como defensor e finalizador enquanto desenvolve seu arremesso e o resto do jogo ofensivo. Talvez um jogador mais cru e de alto potencial não soe o ideal para um time que briga por títulos no curto prazo como os Clippers, mas com o status de Kawhi em dúvida para 2022, faz sentido aposta em um talento de loteria que pode vir a ser parte importante da rotação.

#22. Indiana Pacers - Isaiah Jackson
Nota: C

Essa era a escolha dos Lakers, que foi trocada para Washington na negociação de Russell Westbrook, e que então os Wizards trocaram para os Pacers na noite do Draft... embora a troca original de Westbrook não possa ser oficializada até dia 6 de agosto.

E preciso admitir que fiquei um pouco confuso com a escolha. Jackson é um prospecto interessante, outro atleta especial e extremamente cru que precisa se desenvolver, mas oferece potencial como protetor de aro e finalizador perto do aro. Até acho que vale a aposta, gosto do jogador, mas o problema dos Pacers não é justamente investir demais em pivôs que não tem espaço para jogar? Myles Turner, Domatas Sabonis, Goga Bitadze, e agora Jackson... mesmo que você enxergue isso como prenuncio de uma troca de Turner, ainda é gente demais para impactar o jogo de menos.

#23. Houston Rockets - Usman Garuba
Nota: B+

Outra ótima escolha do Houston Rockets. Garuba talvez seja o melhor defensor desse Draft, como vimos quando ele marcou Kevin Durant pela seleção da Espanha na preparação para as Olimpíadas, e embora seu jogo ofensivo seja cru e exista questões sobre se ele virá para a NBA imediatamente - sua multa rescisória com o Real Madrid é muito alta - ele é um complemento perfeito tanto a Christian Wood como ao recém-escolhido Sengun, e oferece bastante flexibilidade (e um bom valor) aos Rockets.

#24. Houston Rockets - Josh Christopher
Nota: C+

A escolha que eu menos gostei de um excelente Draft de Houston, mas tem mais a ver com as outras terem sido muito boas do que por odiar essa. Eu pessoalmente não gosto tanto de Christopher, acho seu QI de basquete limitado e um jogador que não processa o jogo em alto nível, mas é fácil entender o que os Rockets gostam nessa escolha: é um jogador longo e com bom potencial defensivo, capaz de criar seu próprio chute e atacar o aro, embora precise refinar o arremesso de longe. Caso desenvolva no jogador que pode vir a ser eventualmente, pode virar um ótimo complemento ao elenco dos Rockets - embora pessoalmente não vejo as melhores chances de chegar lá.

#25. New York Knicks - Quentin Grimes
Nota: C-

Essa nota é menos pela escolha em si e mais pelo conjunto da primeira rodada dos Knicks; tinha as escolhas #19 e #21 em um excelente Draft, e saiu da primeira rodada com uma escolha futura altamente protegida dos Hornets, uma escolha de segunda rodada, e a escolha #25... onde pegaram um jogador de alto piso, baixo potencial? Os Knicks economizaram uma graninha nisso, então pode ser esse o objetivo, mas no geral uma noite muito confusa e uma grande oportunidade perdida.

Grimes como jogador é... ok. Bom arremessador, sólido defensor, o protótipo de 3-and-D tão em voga na NBA moderna. Vai ajudar os Knicks, sem dúvida. Mas também é um jogador que não cria bem o próprio arremesso, e nem para os outros; deve viver mais da movimentação fora da bola e arremessando ao receber passes, o que é valioso, mas também limitado. Grimes me lembra bastante Reggie Bullock, que ironicamente estava justamente nos Knicks ano passado - e, embora tenha contribuído para a equipe, também passou longe de ser solução. Em um Draft com tantos playmakers interessantes e armadores de potencial, ver os Knicks - que sofreram tanto na criação nos playoffs - ignorar essa necessidade foi bastante frustrante.

#26. Nah'Shon Hyland
Nota: A

Encaixe perfeito de time e jogador. Hyland é um pontuador explosivo e excelente chutador que vai ajudar os Nuggets a suprir a ausência de Jamal Murray durante parte da temporada 2022, e que adiciona profundidade a uma posição onde as lesões destruíram os sonhos de Denver em 2021. O grande porém de Hyland é ser mais um armador voltado para a pontuação e não para a criação, mas em um Denver Nuggets montado ao redor de Jokic, isso não deve ser um problema - e Hyland tem a inteligência e capacidade de se movimentar mjuito bem sem a bola, o que faz dele o armador perfeito para ser a peça de segurança a Murray próximo a Jokic. E ganha pontos bônus porque tem o melhor apelido do Draft, "Bones" Hyland.

#27. Brooklyn Nets - Cameron Thomas
Nota: B+

Thomas era cotado uma escolha por volta do número 15, então é difícil questionar o valor a essa altura. Thomas é um excelente pontuador que projeta como arremessador de elite no próximo nível, além de ser capaz de criar o próprio arremesso em bom nível. É válido questionar se é isso que os Nets - que acabaram de ter o melhor ataque da NBA - precisam de suas escolhas de Draft, mas com Dinwiddie provavelmente deixando o time e dada a dificuldade que o time teve para criar ataque após as lesões de Kyrie e Harden nos playoffs, talvez a ideia seja pegar uma medida de segurança nesse sentido. O valor é ótimo, vai ter espaço de sobra para fazer estragos ao lado do Big Three, e muitos acham que Thomas tem o instrumental para desenvolver na criação e na defesa no ambiente certo. Bela escolha.

#28. Philadelphia 76ers - Jaden Springer
Nota: B

Todo ano, a mesma história: os Sixers precisam de armadores e arremessadores no Draft. E, é claro, foram lá e pegaram exatamente isso no #28 com Jaden Springer, um ótimo arremessador e defensor tenaz quem, no papel, encaixa direitinho nas necessidades dos Sixers - que, aliás, tem estocado em armadores jovens (Milton, Thybulle, Maxey, Springer) na esperança de que um deles exploda e resolva os problemas do time. Minhas questões aqui tem mais a ver com o elenco em geral dos Sixers: Springer não é um jogador dinâmico e falta atleticismo, o que pode dificultar sua capacidade de criar para si em um espaçamento tão congestionado como o de Philadelphia. Alguns temem que ele acabe virando só um 3-and-D baixo e é isso, o que não é ruim, mas não sei o quanto muda os Sixers de patamar. Mas essas dúvidas tem mais a ver com o time em si que com Springer, que é uma boa aposta para Philly.

#29. Brooklyn Nets - Day'Ron Sharpe
Nota: B-

Ao contrário de Kai Jones e Isaiah Jackson, Sharpe é um tipo de pivô mais pronto, mas com teto limitado: não é o monstro atlético e de altíssimo potencial dos outros, mas pode entrar agora, contribuir na defesa e dominar os rebotes - talvez seu principal atributo. Seu jogo ofensivo é extremamente cru e quase inexistente, mas se tem um lugar onde isso não vai ser um problema é o Brooklyn, onde ele vai ter toneladas de cestas fáceis no garrafão com espaço de sobra, vai poder destruir nos rebotes ofensivos, e é um bom passador para manter a bola rodando com tantos grandes arremessadores ao seu redor. Pivô é a posição talvez mais carente do elenco dos Nets, então Sharpe deve ajudar nesse sentido. Boa escolha, ainda que não espetacular.

#30. Memphis Grizzlies - Santi Aldama
Nota: D

Poucos times tem sido melhor no Draft que Memphis nos últimos anos, então admito que não fico muito feliz em questionar uma decisão deles aqui, mas digamos que eu ainda não tinha visto nenhum especialista com Aldama sendo um prospecto de primeira rodada - e mais de um Mock Draft onde Aldama sequer era selecionado.

Da para entender o que torna Aldama intrigante, um pivô refinado com boas habilidades de passe e chute, mas Aldama também tem problemas grandes de mobilidade e atleticismo que o fazem projetar como um grande alvo defensivo na NBA. Além disso, embora produtivo no College, Aldama fez isso em um time péssimo enfrentando competição muito fraca, o que levanta questionamentos legítimos. Eu não sou contra a ideia de Aldama de modo geral, mas em um Draft tão profundo e com tantos jogadores muito mais bem cotados disponíveis, me pareceu uma escolha muito esquisita.

National Basketball Association - Terrence Clarke
Nota: A+

Impossível dar outra nota para a "escolha" da NBA nesse Draft, sua homenagem ao prospecto Terrence Clarke, de Kentucky, jovem muito talentoso e cotado para sair na primeira rodada que infelizmente faleceu em um acidente de carro no começo do ano.

Descanse em paz, Clarke.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL