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ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Prévia do Draft 2021 da NBA, Parte II

O pivô Usman Garuba enfrenta a marcação de Kevin Durant no amistoso Espanha x EUA - Ethan Miller / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / Getty Images via AFP
O pivô Usman Garuba enfrenta a marcação de Kevin Durant no amistoso Espanha x EUA Imagem: Ethan Miller / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / Getty Images via AFP
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Vitor Camargo

Vitor Camargo é economista formado pela Faculdade de Economia e Administração da USP. Desde 2011 escreve sobre esportes americanos, com passagens por Yahoo, Gazeta do Povo e o seu próprio site, o Two-Minute Warning. Foi comentarista de beisebol na Fox Sports e consultor técnico na tradução do livro Moneyball (2011). É autor do livro Era de Gigantes (2019), o primeiro sobre a história da NBA escrito no Brasil, e apresentador do podcast Na Era do Garrafão.

Colunista do UOL Esporte

28/07/2021 04h00

Ontem, terça-feira, nós começamos nosso Mock Draft da NBA aqui no UOL - uma espécie de simulação de como se dará o recrutamento universitário da NBA - falando das escolhas entre #1 e #10. Hoje, portanto, vamos para a segunda parte da brincadeira e palpitar sobre as escolhas entre #11 e #20.

Lembrando que o Draft em si acontece na noite de quinta-feira, dia 29/07, e terá cobertura em tempo real no UOL Esporte!

Mock Draft, Parte I
Mock Draft, Parte III - Dia 29/07

11. Charlotte Hornets - Josh Giddey, PG

A maior necessidade dos Hornets no momento é um pivô, então é tentador colocar Kai Jones saindo aqui - um fit excelente com o estilo veloz dos Hornets. Mas a equipe já disse algumas vezes que não vai usar o Draft para adereçar esse problema, e eu acredito, especialmente considerando o quão cru Jones ainda é - cedo demais para ele a essa altura.

Ao invés disso, eu gosto da ideia de Giddey aqui; os Hornets tiveram sucesso recentemente apostando em playmakers e passadores altos, e nós vimos como a lesão de Gordon Hayward e a ausência dos seus passes estagnaram o ataque de Charlotte na reta final da temporada. Giddey é um armador australiano de 2m de altura que é talvez o melhor passador desse Draft, e embora ainda precise refinar os aspectos de arremesso e defesa do seu jogo, times na NBA em geral estão otimistas de que ele pode chegar lá. É um bom fit com o que Charlotte está buscando.

12. San Antonio Spurs - Alperen Sengun, PF/C

Sei que pegar jogador internacional para o Spurs é quase um clichê no Draft, mas eu realmente gosto dessa opção. Sengun foi MVP da liga turca aos 18 anos e é um dos jogadores mais intrigantes dessa classe: extremamente produtivo na Europa e muito refinado no seu jogo perto do aro, com excelente leitura de jogo e alto QI de basquete, mas um jogador de garrafão mais "antiquado" com problemas defensivos que alguns questionam se vai conseguir ficar em quadra na NBA. As dúvidas são reais, mas é um jogador de enorme potencial ofensivo e que faz sentido em um time de foco mais defensivo dos Spurs.

13. Indiana Pacers - Corey Kispert, SF

Indiana tem uma boa base e pode ir em qualquer direção aqui, mas arremessadores deve estar bem alto na lista de necessidade da franquia. Kispert é um dos melhores dessa classe, tendo acertado 44% das bolas longas em Gonzaga ano passado e a habilidade de arremessar em movimento e se deslocar sem a bola. Kispert é bastante limitado como criador e com a bola nas mãos de modo geral, mas Indiana tem um bom número de playmakers e um excelente pivô passador em Sabonis, então isso não deve ser um problema por lá.

Caso o time realmente decida por trocar Myles Turner, Usman Garuba também pode ser uma opção interessante por aqui e um bom complemento a Sabonis.

14. Golden State Warriors - Chris Duarte, SG

Esse encaixe entre Duarte e Warriors não é novo, mas faz todo o sentido do mundo. Caso os Warriors não troquem suas escolhas por veteranos estabelecidos, eles precisam mirar em jogadores capazes de contribuir já no curto prazo, e Duarte é a peça perfeita: sênior, 24 anos, pronto para entrar e contribuir desde o primeiro dia... ah sim, e talvez o melhor arremessador de perímetro em todo o Draft. Sua idade e falta de atleticismo limitam consideravelmente o que ele pode vir a ser no futuro, mas os Warriors não estão buscando jogadores crus de potencial, e a combinação de excelente arremesso, energia, defesa sólida e alto QI de basquetem fazem dele o jogador perfeito para cercar o trio Curry-Klay-Draymond Green. O jogador sob medida para os Warriors - caso, é claro, mantenham a escolha.

15. Washington Wizards - Keon Johnson, SG

Outra escolha que é extremamente dependente do que o time vai fazer fora do Draft. Se os Wizards trocarem Bradley Beal, faz mais sentido aqui ir atrás de jogadores de mais potencial e uma visão de longo prazo; caso Beal for ficar em Washington, faz mais sentido buscar peças que possam contribuir imediatamente para ajudar seu astro.

É difícil dar um palpite sem saber exatamente os planos da equipe, mas Johnson me parece um bom meio-termo entre ambos os cenários; um excelente defensor, muito atlético e grande versatilidade desse lado da quadra que pode ajudar imediatamente uma equipe dos Wizards recheada de jogadores ofensivos mas poucos bons defensores, mas que também tem um potencial intrigante no ataque que lhe confere um bom potencial no médio prazo caso optem pela reconstrução.

16. Oklahoma City Thunder - Usman Garuba, PF

Novamente, o Thunder é um time recomeçando tão do zero que pode ir em qualquer direção com essas escolhas. Mas, se Garuba cair até aqui, ele faria sentido: é o melhor jogador disponível, e possivelmente o melhor e mais versátil defensor em todo o Draft. Seu jogo ofensivo ainda é cru, mas OKC não tem nenhuma urgência nesse sentido e pode deixar ele desenvolver com calma. Seu jogo físico, agressivo e enérgico também fazem dele um excelente parceiro de garrafão para Pokusevski, caso o Thunder esteja convencido de que ele é peça fundamental do futuro.

17. New Orleans Pelicans - Trey Murphy, SG/SF

New Orleans trocou sua escolha #10 pela #17 a fim de se livrar de alguns contratos indesejáveis, mas para um time que busca urgentemente um arremessador (como é o caso dos Pelicans), isso não foi a pior coisa pensando também em Draft: #10 parecia cedo demais para selecionar alguns dos melhores chutadores da classe, mas no #17 os Pelicans devem ter boa oferta à sua disposição.

Kispert faria sentido aqui caso caísse, mas como não foi o caso, Murphy é um ótimo prêmio de consolação: um excelente arremessador, veterano e experiente, que pode contribuir de imediato e que - como a maioria dos jogadores que saem de Virginia - simplesmente sabe jogar basquete direito, muito inteligente e com boa defesa, rodando a bola, faz tudo bem e não compromete em nada. Uma das escolhas mais seguras do Draft e um excelente encaixe em NOLA.

18. Oklahoma City Thunder - Ziaire Williams, SG/SF

Olha quem está aqui de novo! E, novamente, saindo com uma opção de alto potencial com mais uma escolha.

Ziaire Williams é um dos prospectos mais divisivos dessa classe: alguém extremamente bem cotado saindo do colegial, mas que passou por um ano muito ruim em Stanford e carrega dúvidas sobre sua atitude e dedicação ao jogo. Mas os especialistas que gostam de Ziaire simplesmente AMAM o ala, e é fácil ver por que: ele é um criador dinâmico e extremamente agressivo atacando o aro, com ótimo tamanho e todas as ferramentas que você busca em um pontuador de perímetro. Seu arremesso (29% de três em Stanford) é a grande questão, mas seus 80% da linha do lance livre oferecem otimismo nesse sentido. É um jogador muito cru, mas tem ganho muito momento nas últimas semanas graças a todo esse enorme potencial, e não seria uma surpresa se ele saísse bem antes dessa escolha. E, nesse cenário, a perspectiva é atraente demais para deixar passar no #18.

19. New York Knicks - Sharife Cooper, PG

Eu não ficaria surpreso se os Knicks não fizessem essa escolha - com duas escolhas no #19 e #21, os Knicks podem tentar combinar as duas para uma troca. Caso fiquem aqui, eu imagino que o time busque um playmaker: ficou claro contra Atlanta que a equipe não pode depender do jogo bruto de Julius Randle para iniciar todos seus ataques, e a falta de um armador criador em particular se destacou.

Entra Sharife Cooper, um dos criadores mais ágeis e dinâmicos de toda essa classe, um excelente passador e maestro do pick-and-roll que tem recebido comparações compreensíveis com Trae Young. Cooper não tem o arremesso de Trae - na verdade, ele não demonstrou ter nada parecendo um arremesso de fora do garrafão em Auburn - mas é ótimo chutando lances livres, o que da algum motivo para otimismo. Alguns enxergam Cooper como um jogador um pouco "peladeiro", que por vezes joga rápido demais, tenta fazer o complicado ao invés do simples e comete muitos erros, mas o talento é muito real e, se esse arremesso desenvolver, o potencial do jogador é grande demais para se ignorar.

20. Atlanta Hawks - Jalen Johnson, SF/PF

Jalen Johnson é um dos meus jogadores favoritos em toda a classe, mas também é um muito difícil de encaixar nessas escolhas de Draft. Se chegar na noite do recrutamento e ele sair lá pelo #10, eu não ficarei surpreso, e no entanto ele caiu para o #20 aqui. Talvez isso ajude a ilustrar.

No papel, tem muito o que gostar de Johnson: muito atlético, versátil defensivamente e ótimo passador, ele lembra bastante Scottie Barnes nesse sentido, até mesmo no jogo ofensivo bastante cru. Muitas das questões de Johnson são fora das quadras: ele desistiu do colegial no meio da temporada e depois fez o mesmo em Duke, saindo depois de 13 jogos, o que levanta questões sobre seu comprometimento e capacidade de lidar com adversidade. Mas para os Hawks não só faz sentido a aposta a essa altura, como se Johnson render em quadra ele é um excelente encaixe, um defensor versátil capaz de passar a bola e ser um playmaker secundário quando Trae Young soltar a bola - o tipo de jogador que Atlanta não tem hoje e fez bastante falta.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL