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14 Anéis

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Prévia do Draft 2021 da NBA, Parte I

Detroit Pistons terá direito à primeira escolha do draft da NBA em 2021 - NBAE via Getty Images
Detroit Pistons terá direito à primeira escolha do draft da NBA em 2021 Imagem: NBAE via Getty Images
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Vitor Camargo

Vitor Camargo é economista formado pela Faculdade de Economia e Administração da USP. Desde 2011 escreve sobre esportes americanos, com passagens por Yahoo, Gazeta do Povo e o seu próprio site, o Two-Minute Warning. Foi comentarista de beisebol na Fox Sports e consultor técnico na tradução do livro Moneyball (2011). É autor do livro Era de Gigantes (2019), o primeiro sobre a história da NBA escrito no Brasil, e apresentador do podcast Na Era do Garrafão.

Colunista do UOL Esporte

27/07/2021 04h00

Caso você esteja por fora - ou então obcecado pelos Jogos Olímpicos, e ninguém vai te culpar se for o caso - nessa quinta feira, dia 29, acontece o Draft 2021 da NBA, o recrutamento universitário. E, continuando nossa cobertura do evento aqui no 14 Anéis, chegou a hora que todos esperavam: o nosso próprio Mock Draft.

Para quem não está acostumado com o conceito, é como se fosse uma simulação do Draft, tentando palpitar em que jogador será escolhido por que time. E o objetivo não é exatamente acertar como serão as escolhas com precisão, o que é impossível; a ideia é mais dar alguns palpites educados e fazer um exercício de análise da necessidade das equipes com as ofertas de jogadores.

Nosso Mock Draft, por questão de tamanho, vai ser dividido em três partes: Parte I na terça, Parte II na quarta e Parte III na quinta-feira, terminando a tempo do Draft em si.

Vamos a isto!

1. Detroit Pistons - Cade Cunningham, PG/Wing

Cunningham ser a escolha #1 do Draft é uma certeza já faz alguns meses; a única dúvida que tem surgido recentemente é se vai ser Detroit fazendo a escolha, ou outro time. Mas, pessoalmente, não vejo como Detroit passaria alguém como Cunningham, que tem potencial de ser um astro transformador e, na pior das hipóteses, deve ser um ótimo jogador com sua combinação de passe, criação, arremesso e versatilidade defensiva. Cunningham deve ir a Detroit e acelerar exponencialmente a reconstrução dos Pistons.

2. Houston Rockets - Jalen Green, SG

Houston parece estar tentando pesado conseguir a escolha #1 em troca para selecionar Cunningham, que está em um nível próprio como melhor prospecto dessa classe, mas Houston ainda tem opções bastante interessantes para escolher no #2 em um Draft muito forte.

A escolha dos Rockets parece ser entre Green e Evan Mobley, mas Green tem recebido mais atenção como provável #2, e é difícil de negar: Green é um pontuador extremamente atlético e de enorme potencial que tem tudo para desenvolver em um dos mais explosivos cestinhas da NBA. É o tipo de jogador com o potencial para ser o pilar central de uma reconstrução, e os Rockets precisam desesperadamente disso após a saída de James Harden.

3. Cleveland Cavaliers - Evan Mobley, PF/C

Essa escolha ainda me parece aberta, especialmente a depender do que aconteceria com Collin Sexton em uma possível troca; mas, no momento, tudo aponta para Mobley sendo a preferência dos Cavaliers, o que é compreensível por que: Mobley é o protótipo do pivô moderno, capaz de proteger o aro e defender jogadores menores na defesa, mas com habilidade ofensiva para jogar longe da cesta e espaçar a quadra. O potencial envolvido é muito grande - caso consiga desenvolver.

E esse é meu problema com Mobley: esse "super pivô moderno", hoje, é mais teórico do que real. Ele tem boa forma no arremesso e pode desenvolver um chute de três, sim, mas arremessou só 30% de três e 69% nos lances livres; ele mostra promessa com drible e passe, mas ainda não consegue usar isso em alto nível. As ferramentas estão lá para virar um grande jogador ofensivo, mas é uma projeção, não algo concreto. Pessoalmente preferiria Suggs aqui.

4. Toronto Raptors - Jalen Suggs, PG/SG

Eu adoro Suggs, e adoro o encaixe dele nesse time dos Raptors. Suggs pode não ter um potencial tão alto como outros jogadores dessa classe, mas é um jogador extremamente refinado e completo, um excelente passador e bom defensor capaz de executar múltiplas funções e um altíssimo QI de basquete. E não é como se Suggs fosse só um bom jogador e é isso - se seu arremesso evoluir, ele tem tudo para ser um All Star na NBA, e do tipo que encaixa em qualquer time e situação e imediatamente faz todos seus companheiros melhores. Encaixaria muito bem com a cultura e o núcleo de Toronto.

5. Orlando Magic - Scottie Barnes, SF/PF

Durante a maior parte do processo do Draft, Jonathan Kuminga vinha sendo considerado o quinto melhor jogador da classe, mas é o nome de Scottie Barnes que tem ganho tração fora do Top4 para a escolha do Orlando Magic. E faz sentido: Barnes tem uma excelente combinação de fisicalidade, capacidade atlética e versatilidade defensiva, e ainda por cima é um bom passador (jogou boa parte do ano de armador principal em Florida State) no ataque que faz muitos olhos brilharem com a perspectiva de se tornar uma versão atual nos moldes de Draymond Green ou Pascal Siakam.

O grande problema de Barnes é o quão cru é seu jogo ofensivo: ele não tem nada que se assemelhe a um arremesso, e é extremamente limitado ainda criando ataque por conta própria. Mas o Magic acabou de iniciar seu processo de reconstrução e não só pode se dar ao luxo de esperar Barnes desenvolver pacientemente, como faz sentido apostar em um jogador de potencial tão alto caso consiga desenvolver.

6. Oklahoma City Thunder - Jonathan Kuminga, SF/PF

Kuminga é talvez o jogador mais 8 ou 80 do Draft: seu físico impressionante, versatilidade defensiva, habilidade crua e instintos como pontuador dão a ele um dos maiores potenciais em todo o Draft, e muitos enxergam a possibilidade de se tornar um jogador destrutivo na ala aos moldes de Kawhi Leonard. Ao mesmo tempo, o caminho para chegar lá é muito longo; seu terrível arremesso, inconsistência e lapsos mentais dos dois lados da quadra, e extrema rudeza do seu jogo em geral fazem dele um dos prospectos de mais alto risco de todo o recrutamento.

Mas OKC tem uma tonelada de escolhas de Draft e, com o azar que deu no sorteio, faz sentido apostarem no enorme potencial de Kuminga com a escolha #6, sabendo que o time precisa acertar nos grandes movimentos e tendo o tempo e paciência para deixar ele se desenvolver.

7. Golden State Warriors - James Bouknight, PG/SG

Golden State certamente prefere trocar essa escolha (e mais alguma coisa) em busca de um jogador mais veterano ou talvez até mesmo uma estrela para ajudar suas chances de vencer um título no curto prazo, mas caso não consigam, ainda devem achar alguns nomes interessantes no Draft.

O maior problema dos Warriors ano passado foi ajudar Steph Curry ofensivamente, e com Klay certamente voltando aos poucos de duas lesões graves, Golden State pode se beneficiar de um pontuador explosivo e agressivo como Bouknight ao lado do seu armador. A grande questão sobre Bouknight é seu arremesso, pois acertou apenas 30% das bolas longas em UConn, mas tem ótimo aproveitamento no lance livre (82%) e parece estar destruindo com os chutes de fora nos treinos, o que pode ser o que faltava para garantir seu lugar no Top10 do Draft.

8. Orlando Magic - Davion Mitchell, PG

É difícil saber o que o Magic vai fazer aqui; o time já tem uma tonelada de prospectos jovens em busca de minutos, e qualquer jogador que saia aqui vai bater de frente com outros prospectos já no elenco. Não tem nenhuma necessidade específica, o que deve fazer Orlando ir atrás do melhor talento disponível. O problema é que existe muito pouco consenso fora do Top4.

Acabei indo de Davion Mitchell por parecer a opção mais flexível em termos do que pode fazer Orlando optar por alguém: ele é de modo geral o jogador mais bem cotado disponível, e também encaixa em um tipo de armador que o time não tem: alto piso, mais estável e cerebral, ótimo defensor e (teoricamente) bom com arremesso do perímetro. Esse último, aliás, é a variável chave: Mitchell chutou espetaculares 44% de três para levar Baylor ao título da NCAA em 2021, o que indicaria um excelente chutador... mas ele arremessou apenas 64% nos lances livres, e nos dois anos anteriores chutou 31% de trás da linha dos três pontos, o que faz esses 44% parecem enganosos. Como você enxerga esses indicadores para avaliar Mitchell como arremessador determina muito da sua opinião sobre ele, e apesar de eu estar do lado dos pessimistas, consigo entender o apelo que muitos enxergam.

9. Sacramento Kings - Franz Wagner, SF/PF

Outro time que parece estar tentando trocar sua escolha, mas caso fiquem com ela, Wagner parece um encaixe perfeito para os Kings: não é um cara de grande potencial ou que promete ser um grande astro, mas os Kings já tem vários desses no elenco e muitos não deram certo. Ao invés disso, Wagner é aquele cara que faz todo o resto do time se encaixar: é um bom arremessador, excelente defensor coletivo, altíssimo QI de basquete, e um ótimo passador e comunicador. Os Kings têm bastante talento no time, mas precisam de coerência entre as peças e alguém para fazer o trabalho sujo, e Wagner é um dos meus jogadores favoritos do Draft por fazer exatamente isso em altíssimo nível (e ir na direção de um bom defensor depois de ter a pior defesa da história da NBA nunca é uma má ideia).

10. Memphis Grizzlies - Moses Moody, SG/SF

Memphis adquiriu essa escolha em troca na segunda à noite em troca da sua própria (#17) e de uma troca de salários envolvendo Eric Bledsoe e Steven Adams, e a expectativa é que os Grizzlies estejam entre Moody e Josh Giddey.

Como Memphis precisa de mais arremessadores para cercar JA Morant, optei por Moody, o tipo de prospecto 3-and-D perfeito para a NBA moderna com bom chute de três e braços gigantescos para defender três posições. Encaixa bem dentro e fora das quadras no que Memphis está buscando, e é um dos meus jogadores favoritos desse Draft.

Escolhas 11-20: Quarta-feira
Escolhas 21-30: Quinta-feira

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL