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ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Quem são os jogadores da NBA que podem ser protagonistas das Olimpíadas

Luka Doncic celebra a vaga conquistada no basquete da Tóquio-2020 com a seleção da Eslovênia - REUTERS/Ints Kalnins
Luka Doncic celebra a vaga conquistada no basquete da Tóquio-2020 com a seleção da Eslovênia Imagem: REUTERS/Ints Kalnins
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Vitor Camargo

Vitor Camargo é economista formado pela Faculdade de Economia e Administração da USP. Desde 2011 escreve sobre esportes americanos, com passagens por Yahoo, Gazeta do Povo e o seu próprio site, o Two-Minute Warning. Foi comentarista de beisebol na Fox Sports e consultor técnico na tradução do livro Moneyball (2011). É autor do livro Era de Gigantes (2019), o primeiro sobre a história da NBA escrito no Brasil, e apresentador do podcast Na Era do Garrafão.

25/07/2021 04h00

Um dos efeitos mais engraçados do basquete de seleções é quando o fã médio de NBA vê jogadores de menor expressão da NBA de repente se tornando estrelas dominantes que carregam suas seleções. O brasileiro certamente se lembra de Luis Scola, que era um sólido jogador de NBA e que de repente se tornava uma mistura de Michael Jordan com Wilt Chamberlain quando colocava uma camisa da Argentina. Esse fenômeno é relativamente comum, e nas Olimpíadas não é diferente.

E embora a diferença de nível entre NBA e FIBA seja um fator que explique esse fenômeno, está longe de ser o único, e não é tão linear assim; se fosse, muitos grandes astros da NBA como Giannis ou Jokic seriam ainda mais imparáveis no basquete FIBA, e não é necessariamente o caso. O que acontece em grande parte é que o jogo FIBA é diferente, e as diferenças de regras valorizam menos alguns atributos chave na NBA (atleticismo, ataque 1 vs 1) e valorizam mais o jogo coletivo e entrosamento.

Dito isso, vamos dar uma olhada nos 12 times dos Jogos Olímpicos de Tóquio e ver quem são os jogadores da NBA - os astros e os coadjuvantes - que podem fazer a diferença nas Olimpíadas.

República Tcheca

O elenco da Tchéquia só conta com um jogador da NBA, mas é o seu grande astro: o armador Tomas Satoransky, do Chicago Bulls. Os brasileiros talvez lembrem de Satoransky destruindo o Brasil no Mundial de 2019 com 20-7-9 e 3 roubos de bola, e ele seguiu isso com uma performance espetacular - inclusive uma cesta decisiva nos segundos finais do jogo contra o Canadá - no Pré-Olímpico para classificar a Rep. Tcheca para os primeiros Jogos Olímpicos na modalidade em toda sua história. Tamanho foi o impacto de Sato que ele foi inclusive escolhido para ser o porta-bandeiras do seu país na cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos, e é nele que estão as esperanças de medalha da Tchéquia.

França

Um dos favoritos a medalhar em Tóquio, a França é uma das seleções com mais jogadores da NBA nas suas fileiras, com cinco ao todo: Frank Ntilikina (Knicks), Timothe Luwawu-Cabarot (Nets), Nicolas Batum (Clippers), Evan Fourier (Celtics) e Rudy Gobert (Jazz).

E embora Gobert seja o principal nome desse quinteto, o jogador que mais dá esse salto de coadjuvante a estrela com a seleção é Fournier, cujo jogo de meia distância e capacidade de criar o próprio chute fez dele o principal jogador (e membro do quinteto ideal do campeonato) da França no Mundial de 2019 no qual eles garantiram a vaga para as Olimpíadas. Junto com o ex-Spur Nando de Colo, hoje no Fenerbahçe da Turquia, esse trio é a força motriz da forte seleção francesa.

Irã

O Irã não tem nenhum jogador hoje na NBA, embora seu principal atleta - o pivô Hamed Haddadi - tenha passado cinco temporadas como um reserva de menor expressão do Memphis Grizzlies.

EUA

Hm... o time inteiro, no caso.

Austrália

A terceira seleção com mais jogadores de NBA no campeonato, a Austrália conta com seis nomes de peso nas suas fileiras: Patty Mills (Spurs), Josh Green (Mavericks), Joe Ingles (Jazz), Matisse Thybulle (76ers), Aron Baynes (Raptors) e Dante Exum (Rockets) - além da ex-lenda do Cleveland Cavaliers, Matthew Dellavedova (hoje jogando na liga australiana).

Em termos de NBA, Ingles é de longe o jogador mais relevante do sexteto, meu voto para Sexto Homem de 2021 e parte essencial de um fortíssimo time do Utah Jazz, mas o grande astro dessa seleção é Patty Mills. Na FIBA, o armador dos Spurs passa de um reserva útil mas um pouco descontrolado para um dos mais devastadores pontuadores de todo o esporte, tendo sido o cestinha das Olimpíadas de 2012, o vice-cestinha das Olímpiadas de 2016 e tendo a melhor marca do Mundial de 2019 com 34 pontos contra a eventual campeã Espanha nas semifinais.

Alemanha

Apenas dois jogadores de NBA no plantel da Alemanha, mas um deles acabou se tornando inesquecível para o torcedor brasileiro. Mo Wagner passou por quatro times em seus três anos de NBA (mais recente o Orlando Magic), mas na hora de jogar pela seleção foi ele quem massacrou os sonhos olímpicos brasileiros com 28 pontos na final do Pré-Olímpico contra o Brasil.

Não é como se Wagner fosse o grande craque da Alemanha, mesmo com os desfalques (como por exemplo Dennis Schroder, armador dos Lakers); a força do time vem do coletivo e da profundidade, sendo que os principais atletas atuam na Europa. Mas é bom ter um "Quebre em caso de emergência" capaz de enfiar 28 pontos no favorito Brasil no jogo decisivo do torneio. O outro jogador de NBA da equipe é o ala Isaac Bonga, do Orlando Magic.

Itália

Um dos grandes azarões do Pré-Olímpico, a Italia se classificou para Tóquio após bater a Sérvia em Belgrado, e o grande destaque da seleção foi o armador Nico Mannion, escolha de segunda rodada do Golden State Warriors em 2020 que anotou 24 pontos e 4 assistências no jogo decisivo contra a Sérvia (e 21 pontos e 6 assistências contra Porto Rico). A equipe italiana também contava com o ala-pivô Niccolo Melli, que jogou a última temporada pelo Dallas Mavericks mas desde então já assinou com o Olimpia Milano.

E, embora ele não tenha jogado o Pré-Olímpico, a Italia ainda deve contar com um reforço de peso para as Olimpíadas no ala Danilo Gallinari, outro nome que costuma explodir no basquete FIBA e que estava jogando os playoffs pelo Atlanta Hawks - motivo da sua ausência em Belgrado.

Nigéria

O time que mais conta com jogadores de NBA fora os Estados Unidos? A Nigéria, com incríveis oito atletas na maior liga de basquete do mundo, sendo seis deles nascidos nos Estados Unidos e naturalizados devido à sua ascendência.

A maioria deles, para ser justo, são jogadores de pouca expressão, como Chimezie Metu (Kings), Gabe Vincent (Heat), Jordan Nwora (Bucks), KZ Okpala (Heat) e Miye Oni (Jazz) - nomes que certamente não são conhecidos do grande público. Mas também incluem nomes mais famosos como Precious Achiuwa, escolha de primeira rodada do Miami Heat em 2020; Josh Okogie, do Minnesota Timberwolves; e Jahlil Okafor, ex-escolha #3 do Draft e hoje no Pistons. Pode não ser a coleção mais impressionante de nomes no papel, mas juntos eles compõem a espinha dorsal de uma equipe em ascensão que tem uma identidade defensiva, atlética e versátil muito semelhante à dos próprios Estados Unidos, tendo derrotado os americanos em um amistoso recente.

Argentina

O grande nome da Argentina, é claro, é Luis Scola, no que (talvez?) deve ser sua última Olímpiada para coroar sua lendária carreira na seleção. Mas Scola não joga mais na NBA, que está representada apenas por três nomes agora, sendo dois deles (Luca Vildoza, dos Knicks, e Gabriel Deck, do Thunder) jogadores que chegaram só na reta final da temporada e mal jogaram na NBA.

O terceiro nome é mais relevante: o grande Facu Campazzo, mago do basquete que ajudou os Nuggets a sobreviverem mesmo após a lesão de Jamal Murray e que, apesar de coadjuvante na NBA, é um dos principais nomes do basquete FIBA no planeta.

Japão

O Japão pode ter apenas dois jogadores na NBA, mas a importância da sua presença para o país é tamanha que um deles - o ala Rui Hachimura, do Wizards - foi literalmente o porta-bandeiras do país-sede das Olimpíadas.

O Japão é um grande azarão no basquete mesmo jogando em casa, mas a presença de Hachimura e Yuta Watanabe, do Toronto Raptors, é a esperança da equipe para tentar surpreender no Grupo da Morte.

Eslovênia

Em 2017, a Eslovênia chocou o mundo ao vencer o título europeu de seleções no basquete atrás de Goran Dragic e Luka Doncic, então no Real Madrid. Dragic não estará em Tóquio, mas Luka sim, e agora ele não é mais apenas um jovem prospecto promissor - ele é legitimamente um dos 10 melhores jogadores de basquete no planeta Terra, um candidato a MVP da NBA e talvez o jogador mais importante dessas Olimpíadas.

A Eslovênia tem um time sólido e equilibrado, mas a presença de Doncic é a base de qualquer aspiração da equipe - nós tivemos uma amostra disso no Pré-Olímpico de Kaunas, na Lituânia, quando Doncic absolutamente destruiu os favoritos donos da casa na final com 31 pontos, 11 rebotes e 13 assistências. Em termos de basquete FIBA, Luka tem um caso para ser considerado o melhor jogador que vai para Tóquio, e é ele que faz da Eslovênia sonhar com medalhas.

O time também conta com Vlatko Cancar, do Denver Nuggets.

Espanha

Atual campeã mundial, a Espanha só terá três jogadores de NBA nas quadras de Tóquio depois que Juancho Hernangomez, dos Timberwolves, se machucou em um amistoso. É uma perda considerável, pois vinha sendo titular da Espanha e certamente dificulta as pretensões da seleção nessa "última dança" de uma geração brilhante.

O irmão de Juancho, Willy, dos Pelicans, também estará em Tóquio, mas são os outros dois nomes que fazem da Espanha uma potência: Marc Gasol, dos Lakers, e Ricky Rubio, também dos Wolves. Na campanha do título mundial de 2019, Gasol e Rubio foram ambos eleitos para o time ideal da competição, e Rubio foi inclusive eleito o MVP - embora seja visto como decepção na NBA, ele continua sendo um monstro na FIBA e um dos principais jogadores do campeonato. A envelhecida Espanha depende mais da sua profundidade e versatilidade do que do poder de fogo individual, mas Rubio e Gasol ainda são os principais nomes da equipe.

A Espanha também contará com Usman Garuba, ala do Real Madrid que deve ser escolha de loteria no Draft da NBA desse ano.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL