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Lula chega ao Rio com climão e palanque rachado por indicação ao Senado

Lula e Marcelo Freixo posam com o deputado estadual André Ceciliano, pré-candidato do PT ao Senado no Rio - Ricardo Stuckert/ Divulgação
Lula e Marcelo Freixo posam com o deputado estadual André Ceciliano, pré-candidato do PT ao Senado no Rio Imagem: Ricardo Stuckert/ Divulgação

Igor Mello e Lucas Borges Teixiera

Do UOL, no Rio e em São Paulo

06/07/2022 04h00

Líder nas pesquisas para a Presidência da República, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desembarca hoje (6) no Rio no auge do racha entre os partidos que compõem seu palanque no terceiro maior colégio eleitoral do país. A briga em torno da indicação do nome lulista ao Senado promete provocar um climão no comício programado para amanhã (7).

No Rio, Lula bancou o apoio do PT à pré-candidatura do deputado federal Marcelo Freixo (PSB-RJ) ao governo do estado. Em contrapartida, os petistas desejam indicar um nome do partido como candidato único ao Senado —o ungido, nesse caso, é André Ceciliano, presidente da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro). No entanto, o deputado federal Alessandro Molon (PSB-RJ) aparece à frente nas pesquisas para o cargo e não pretende abrir mão de sua pré-candidatura.

Segundo fontes relataram ao UOL, a insistência de Molon em se manter na disputa pelo Senado tem irritado tanto Lula quanto Freixo. No próprio PSB, ao negociar a filiação de Freixo ao partido, Molon havia se comprometido a abrir mão de sua pré-candidatura para viabilizar apoios a Freixo na briga pelo Palácio Guanabara, de acordo com integrantes da legenda.

Lula pretendia chegar ao Rio com a situação resolvida, mas, como em outros estados, o impasse continua. PT e PSB, os dois principais partidos da aliança, definiram em maio que resolveriam todos os entraves regionais até meados de junho. Além do Rio, ao menos outros quatro estados têm disputas na chapa PT-PSB.

O PSB, que indicou Geraldo Alckmin como vice de Lula, espera que o PT faça concessões em alguns estados em troca do apoio nacional, entre eles o Rio.

Nos últimos dias, a temperatura chegou a tal ponto que os dois partidos chegaram a discutir no fim da semana passado um possível adiamento do comício no Rio. O ato de amanhã na Cinelândia é visto como o lançamento oficial das candidaturas lulistas no estado e deve confirmar o apoio de Lula e Freixo a Ceciliano, escanteando Molon.

Nos últimos dias, Freixo verbalizou publicamente a cobrança que já existe nos bastidores para que Molon desista da candidatura. Molon reagiu se dizendo "perplexo" e afirmou que "não há qualquer sentido em me pedir para desistir".

Uma vitória no Rio —reduto político da família Bolsonaro— é considerada estratégica pelo PT na disputa pela Presidência. Segundo o Datafolha, Lula lidera no estado, mas por margem menor do que a obtida na média nacional.

Em pesquisa divulgada há uma semana, o petista aparece no Rio com sete pontos percentuais de vantagem para Bolsonaro —41% a 34%. Nacionalmente, o instituto registra uma liderança de 19 pontos percentuais para Lula.

Partidos da base de Lula racham

Molon e Ceciliano contam cada um com o apoio de três partidos que compõem a coligação de Freixo e Lula no Rio —ao todo a chapa é composta por seis legendas. Além do PSB, PSOL e Rede Sustentabilidade endossam a pré-candidatura de Molon. PT, PCdoB e PV defendem que o presidente da Alerj seja o candidato.

Maior partido de esquerda do Rio, o PSOL hoje é o principal entusiasta da pré-candidatura de Molon. A legenda abriu mão da pré-candidatura da jurista Luciana Boiteux. Pesa a favor do socialista o fato de ter se alinhado sempre a posições de esquerda e feito oposição explícita ao presidente Jair Bolsonaro e ao governador Cláudio Castro (PL).

Fontes ligadas a Molon lembram que Ceciliano era próximo do grupo político do ex-governador Sérgio Cabral e do ex-deputado Jorge Picciani e, mesmo depois da derrocada do MDB no estado, manteve uma relação dúbia com bolsonaristas.

Sua eleição como presidente da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro), em 2019, foi apoiada pelo então governador Wilson Witzel e, mesmo hoje, ele é figura frequente em atos políticos ao lado de políticos alinhados a Bolsonaro e Castro.

Já defensores do nome de Ceciliano lembram que Molon fez, nos últimos meses, acenos a adversários de Freixo: o ex-prefeito de Niterói Rodrigo Neves (PDT), também pré-candidato ao governo do Rio, e Eduardo Paes (PSD), prefeito do Rio e idealizador da pré-candidatura de Felipe Santa Cruz. Também há uma visão pragmática de que Ceciliano agrega votos a Freixo por sua capilaridade na Baixada Fluminense.

O deputado estadual Flávio Serafini, um dos principais expoentes do PSOL no Rio, avalia que hoje o desfecho mais provável é que as duas pré-candidaturas sejam mantidas.

"O PSOL poderia pleitear uma candidatura ao Senado, mas está abrindo mão para apoiar o Molon e nenhum outro nome. Estamos abrindo mão porque é o único nome capaz de derrotar os candidatos bolsonaristas e têm identificação com a esquerda", avalia.

Um aliado de Freixo diz que ele deve rodar o estado sempre ao lado de Ceciliano e que o apoio de Lula fará a diferença na disputa pelo Senado. Segundo essa fonte, Molon tentou, em vão, um encontro com Lula em março, quando ele passou quase uma semana na cidade articulando seu palanque no Rio, mas não foi recebido.