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XP cancela pesquisas eleitorais semanais após protestos de bolsonaristas

Eleições 2022: Lula e Bolsonaro - Divulgação/Ricardo Stuckert; Alan Santos/PR
Eleições 2022: Lula e Bolsonaro Imagem: Divulgação/Ricardo Stuckert; Alan Santos/PR

Weudson Ribeiro

Colaboração para o UOL, em Brasília

08/06/2022 19h48

A XP Investimentos cancelou a divulgação de pesquisas eleitorais semanais, conduzidas pelo Instituto Ipespe. A decisão ocorre dias depois de a empresa ter sido alvo de ataques e ameaças de boicote por parte de aliados do presidente Jair Bolsonaro (PL). O mandatário tem aparecido na sondagem em desvantagem em relação ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Com a decisão, o resultado do levantamento que seria divulgado na próxima sexta-feira (10), foi retirado hoje do site do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Ao UOL, a corretora afirmou que a medida visa a viabilizar a apresentação de um panorama mais amplo sobre as eleições deste ano.

"A realização das pesquisas terá periodicidade mensal, com número de entrevistas ampliado em relação às realizadas nos levantamentos anteriores, oferecendo uma ferramenta ainda mais ampla para que os investidores compreendam o cenário eleitoral e seus impactos no mercado", disse a XP.

Ao UOL, integrantes da equipe que representa Lula junto a tribunais superiores afirmaram que estudam levar o caso à Justiça. A avaliação, contudo, é de que o MPE (Ministério Público Eleitoral) vote pela improcedência de eventual de eventual ação do PT sobre o caso.

Na avaliação do diretor do grupo Prerrogativas, Marco Aurélio de Carvalho, a abertura de processo contra a XP demanda cuidado.

"Trata-se de uma empresa privada. O fato é que eles interrompem a série histórica do Ipespe, que tem realizado a pesquisa de intenção de voto ininterruptamente desde janeiro de 2020. Há um abalo quase que irreparável à credibilidade da XP. Eles seguem um caminho semelhante ao do ex-juiz Sergio Moro (União Brasil) —vão ficar malvistos pelo bolsonarismo tanto quanto por democratas", disse o jurista ao UOL.

Em nota, o grupo afirmou que vê a decisão da XP com preocupação.

Decisão ocorre após pressão de bolsonaristas

O último levantamento, divulgado na sexta-feira (3), mostrou Lula com vantagem de 11 pontos percentuais sobre Bolsonaro. O petista tinha 45% das intenções de voto contra 34% de Bolsonaro na pesquisa estimulada —quando é apresentada uma lista de pré-candidatos. Na pesquisa espontânea, Lula ficou com 39% das intenções de voto, e Bolsonaro com 29%.

Uma divulgação, em que o Ipespe ouviu 1.000 eleitores de todas as regiões do Brasil de 30 de maio a 1º de junho, por telefone, provocou, por parte de apoiadores de Bolsonaro, manifestações nas redes sociais contra a corretora de investimentos. O mapeamento mostrou que 35% dos brasileiros avaliam que Lula é honesto. Bolsonaro pontuou com 30%.

A pesquisa, contudo, não foi comparativa. Os entrevistados foram questionados apenas sobre qual possível candidato à Presidência da República refletia características, como competência, inteligência, equilíbrio e experiência.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ironizou a pesquisa: "O mesmo instituto deu Lula com 45% e Bolsonaro com 34%", escreveu em suas redes sociais.

"Isso não é uma pesquisa, mas sim uma obra de ficção surrealista", criticou o deputado federal Marco Feliciano (PL-SP).

O ex-secretário de Cultura Mário Frias associou o resultado da pesquisa a Lula: "Antonio Lavareda é o presidente do conselho do Ipespe, que faz pesquisas para a XP. Ele foi sócio do Duda Mendonça numa agência que teve contratos ganhos nos governos do PT. O Ipespe é o mesmo instituto que disse que os brasileiros acham o Lula mais honesto que Bolsonaro".

O deputado estadual Márcio Gualberto (PL-RJ) afirmou, sem apresentar provas, que o resultado da sondagem foi fraudado.

"A pesquisa realizada pela XP/Ipespe, que apontou que o Lula é mais honesto do que Bolsonaro, é, sem dúvida alguma, uma das maiores fraudes de todos os tempos. Talvez seja o ápice da sem-vergonhice! São essas canalhices que fazem tais pesquisas perderem toda a credibilidade."