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Reginaldo desiste de Senado por Lula e Kalil, e prefere não ser vice em MG

09.05.22 - O ex-presidente Lula (PT) e o deputado federal Reginaldo Lopes (PT-MG) em evento de pré-campanha em Belo Horizonte - Ricardo Stuckert
09.05.22 - O ex-presidente Lula (PT) e o deputado federal Reginaldo Lopes (PT-MG) em evento de pré-campanha em Belo Horizonte Imagem: Ricardo Stuckert

Juliana Arreguy

Do UOL, em São Paulo

20/05/2022 20h13

Pouco mais de uma semana após ser alçado como pré-candidato do PT ao Senado em Minas Gerais, o deputado federal Reginaldo Lopes (PT-MG) abriu mão da disputa para selar a aliança entre Lula e Alexandre Kalil (PSD) no estado, anunciada ontem (19). Ao UOL, Reginaldo disse que não queria ser considerado um "obstáculo" e que se vê contribuindo mais com a campanha em Brasília do que como vice na chapa.

"Se é pelo bem da aliança, está resolvido. Em nome da reconstrução do Brasil e da reconstrução de Minas... Eu não sou empecilho, não quero ser um obstáculo", disse o líder do PT na Câmara à reportagem no início da noite desta sexta-feira (20).

Na noite de ontem, o próprio Reginaldo foi o primeiro a anunciar que Lula e Kalil, ex-prefeito de Belo Horizonte e pré-candidato do PSD ao governo estadual, dividirão o palanque em Minas.

Um dos entraves para PT e PSD chegarem a um acordo era justamente a disputa pela única vaga ao Senado, com Reginaldo de um lado e o senador Alexandre Silveira (PSD-MG) do outro.

Nenhum dos partidos queria ceder quanto à candidatura ao Senado. No entanto, a avaliação interna do PSD era de que valia mais a pena investir na reeleição de Silveira — que chegou a ser cogitado como líder do governo Jair Bolsonaro (PL) na Casa — do que brigar pelo governo do estado.

O PT argumentava que faltava um petista na composição, já que a chapa do PSD ao governo era puro-sangue: o vice de Kalil seria o deputado estadual Agostinho Patrus (PSD-MG). Na semana passada, Agostinho renunciou à ideia de ser vice para viabilizar a aliança e permitir que o indicado fosse alguém do próprio PT.

O nome de Reginaldo foi apontado como uma das opções de vice, mas ao UOL ele declarou que se vê sendo mais útil atuando na campanha nacional.

"Como trabalhei pela candidatura ao Senado e tenho muitos projetos em Brasília em curso, em várias áreas, é evidente que a minha vontade, nesse momento, é de contribuir mais na interlocução entre Brasil e Minas. Minha preferência é ficar em Brasília, mas estou aberto, ainda, para formatar esse processo", disse.

Outro nome ventilado para ser o vice de Kalil é o do deputado estadual André Quintão (PT-MG), indicado pelo próprio ex-prefeito de BH. Internamente, o PSD vê com bons olhos a indicação de Quintão. O deputado, no entanto, disse ontem (19) à reportagem que ainda não havia sido procurado por ninguém.

Coordenador de campanha

Na segunda-feira (16), a presidente nacional do PT e deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR) anunciou que Reginaldo assumiu a coordenação da campanha de Lula em Minas Gerais. Em postagem nas redes sociais, Gleisi disse que ele auxiliaria na viabilização da chapa com Kalil.

O anúncio de Gleisi ocorreu três dias após uma reunião em São Paulo entre ela, Lula, Kalil, Agostinho, Gilberto Kassab (presidente nacional do PSD) e o empresário Walfrido dos Mares Guia (ex-ministro do Turismo no governo Lula e um dos articuladores da campanha do petista em MG).

A reportagem apurou que, já neste encontro, Agostinho manifestou que não seria mais o vice. Diante da abertura do PSD, o PT decidiu ceder em relação ao Senado. Agostinho e Reginaldo atuarão juntos na coordenação integrada das campanhas de Kalil e Lula no estado.

Ao UOL, Reginaldo disse que ainda não sabe se tentará a reeleição como deputado federal e nem se Agostinho Patrus se candidatará novamente a deputado estadual. Ele apenas afirmou que a prioridade, no momento, é a campanha de Lula.

"O presidente [Lula] pediu que eu formatasse a campanha do Lula e do Alckmin em Minas. Ainda não fechamos os detalhes todos do palanque, falta ainda fechar quem vai ser o vice, mas a aliança está consolidada e confirmada. Espero que nos próximos dez dias esteja resolvido."

Os próximos passos incluem um novo ato em Minas Gerais, que Reginaldo espera que ocorra em menos de um mês. Segundo o deputado, Kalil sugeriu que a chapa fosse apresentada em Uberlândia, no Triângulo Mineiro.