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Com entrave pelo Senado e eleitor bolsonarista, PSD se afasta de Lula em MG

Montahem de fotos de Alexandre Kalil (PSD), ex-prefeito de BH e pré-candidato ao governo de Minas, e o ex-presidente Lula (PT) - Reprodução
Montahem de fotos de Alexandre Kalil (PSD), ex-prefeito de BH e pré-candidato ao governo de Minas, e o ex-presidente Lula (PT) Imagem: Reprodução

Juliana Arreguy e Lucas Borges Teixeira

Do UOL, em São Paulo

12/05/2022 04h00Atualizada em 12/05/2022 08h34

A disputa ao Senado e o perfil dos eleitores do PSD em Minas Gerais são os principais empecilhos nas negociações com o PT no estado e foram determinantes para a ausência do ex-prefeito Alexandre Kalil (PSD), pré-candidato ao governo, no palanque do ex-presidente Lula (PT) em viagem a Minas nesta semana.

Sem pré-candidato petista ao governo estadual, Lula esperava contar com o ex-prefeito de Belo Horizonte em seu palanque no evento da última segunda-feira (9) na capital, mas as negociações não foram para a frente. Kalil, por sua vez, não descarta a aliança, mas diz que não foi procurado pelo PT.

Embora o ex-ministro Gilberto Kassab, presidente do PSD, ainda não admita, está dado que o partido não terá candidato à Presidência nas eleições de outubro e liberará apoios locais. Em alguns estados, como o Amazonas e a Bahia, a sigla já fechou com o PT; em outros, como o Paraná, se aliou ao presidente Jair Bolsonaro (PL).

Em Minas, a união esbarra primeiro na disputa de vaga única ao Senado. O PT pretende lançar o deputado federal Reginaldo Lopes (PT-MG), enquanto o PSD pretende reeleger o senador Alexandre Silveira (PSD-MG), que assumiu a vaga em fevereiro depois que Antonio Anastasia (PSD-MG) assumiu como ministro do TCU (Tribunal de Contas da União).

Nenhum dos dois partidos pretende ceder. Dentro do PSD, a reeleição de Silveira é vista como natural — já no PT uma aliança sem qualquer participação é visto como sem sentido, dado que o pré-candidato a vice, o deputado estadual Agostinho Patrus (PSD-MG), também é do partido.

Durante sabatina UOL/Folha ontem (11), Kalil declarou que se interessa em dividir o palanque com Lula, mas indicou não ter participado dos eventos com o petista em Minas por falta de uma aliança formal.

"O que não quero é ir sem mão dada, sem aliança [com o Lula], porque isso tecnicamente prejudica uma campanha. Há um esforço muito grande da oposição de tentar minar essa aliança", disse.

Kalil também descartou apoio a Bolsonaro, embora o nome de Silveira esteja cotado para assumir a liderança do governo federal no Senado.

Internamente, o PSD avalia que uma vaga na Casa possa ser mais importante para o partido do que garantir o governo de Minas Gerais. Para alguns dirigentes, é mais fácil a sigla desistir de lançar Kalil a governador do que abrir mão de Silveira no Senado.

Embora tenha boa aceitação na capital Belo Horizonte, onde foi se reelegeu como prefeito no primeiro turno, Kalil ainda é desconhecido pela população do interior do estado. Na última pesquisa Datatempo, divulgada na segunda-feira (9), ele aparece com 29% das intenções de votos, enquanto Romeu Zema (Novo), candidato a reeleição, tem 57%.

Por outro lado, a mesma pesquisa indica que, se for apoiado por Lula, Kalil aumenta suas chances de voto em 32,6%. Este é o grande trunfo petista.

O ex-presidente Lula (PT) e o deputado federal Reginaldo Lopes (PT-MG) em evento de pré-campanha em Belo Horizonte - Ricardo Stuckert - Ricardo Stuckert
O ex-presidente Lula (PT) e o deputado federal Reginaldo Lopes (PT-MG) em evento de pré-campanha em Belo Horizonte
Imagem: Ricardo Stuckert

Coordenadores da campanha de Lula e lideranças do PT mineiro argumentam que Kalil precisa mais de Lula no palanque do que Lula precisa de Kalil. Ainda segundo o Datatempo, o presidente tem 44,4% dos votos no estado contra 29,9% de Bolsonaro.

Este é também o motivo que lideranças do PSD no estado resistem a aderir à aliança. Parte do eleitorado do PSD em Minas Gerais —em especial no interior— é identificada com o bolsonarismo, assim como alguns de seus parlamentares eleitos.

Para deputados que buscam a reeleição e outros que tentam entrar para o Congresso Nacional ou a Assembleia Legislativa, é mais vantajoso se manterem neutros ou até acenarem a Bolsonaro do que estarem no palanque com Lula.

A avaliação é que esta seria mais positiva para Kalil, com mais força no eleitorado belo-horizontino, do que para os pré-candidatos ao Legislativo, visto que as atenções do ex-presidente estariam voltadas a seus próprios parlamentares. Uma aproximação do partido com Lula e o PT, na avaliação de dirigentes, pode afastar os eleitores mais fieis.

Apesar lideras as pesquisas no estado, o PT se vê frustrado diante do entrave com o PSD em Minas e contava com Kalil em seu palanque. A campanha chegou até mesmo a cogitar adiar a viagem do ex-presidente ao estado para depois que os acordos estivessem feitos.

Sem Kalil, Lula voltou seus discursos em Minas para tratar da pauta nacional da sua campanha, criticar Bolsonaro, ressaltar os nomes de Reginaldo Lopes e da bancada petista mineira, presente nos três eventos de Belo Horizonte, Contagem e Juiz de Fora. Depois de três dias de viagem, ele voltou para São Paulo na noite de ontem (11).