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'Ideal seria tirar Bolsonaro e me colocar', diz Lula sobre conclusão da ONU

Gleisi Hoffmann, Lula, Randolfe Rodrigues e Túlio Gadelha em evento de lideranças da Rede em apoio a Lula - Divulgação/PT
Gleisi Hoffmann, Lula, Randolfe Rodrigues e Túlio Gadelha em evento de lideranças da Rede em apoio a Lula Imagem: Divulgação/PT

Do UOL, em São Paulo

28/04/2022 14h37Atualizada em 28/04/2022 17h39

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) comentou hoje a conclusão do Comitê de Direitos Humanos da ONU (Organização das Nações Unidas) de que o ex-juiz Sergio Moro e os procuradores da Lava Jato foram parciais em processos e julgamento do petista. Ele lembrou que o órgão estabeleceu um prazo de seis meses para que seja feita uma reparação e disparou: "O ideal seria se pudesse tirar Bolsonaro e me colocar para presidir o país".

Depois, Lula, que participava de um evento organizado por algumas lideranças da Rede Sustentabilidade em apoio a sua candidatura à Presidência, fez um adendo: "Mas no final de mandato eu também não quero, isso vai ficar pro povo". O ex-presidente classificou a decisão como "extraordinária" e disse que está "de alma lavada".

Em seu discurso, Lula chamou o atual presidente, Jair Bolsonaro (PL), de "mentiroso" e "fariseu": "Ele não é evangélico, ele não é católico, ele é um fariseu". Comparou ainda o bolsonarismo no Brasil com o nazismo na Alemanha e o fascismo na Itália ao dizer que toda vez em que se nega a política, a consequência é pior.

"Nesta eleição, agora, a gente está juntando todas as pessoas de esquerda do país, todas as pessoas de bem desse país, todas as pessoas que acreditam que é possível construir um outro país pra gente tirar da Presidência da República um cidadão que jamais deveria ter chegado à Presidência da República."

Porque ele mente todo santo dia, ele é uma pessoa que mente inclusive utilizando o nome de Deus em vão. Ele não é evangélico, ele não é católico, ele é um fariseu.
Lula em evento com lideranças da Rede Sustentabilidade.

Apoiadores da Rede

Entre os políticos presentes no encontro com clima de comício, estavam o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), os deputados federais Joênia Wapichana (Rede-RR) e Túlio Gadelha (Rede-PE), além da presidente do PT e deputada federal, Gleisi Hoffmann (PT-PR).

A ausência da ex-ministra Marina Silva, que já tinha sido informada pelo UOL ontem, foi notada. Fontes ouvidas pelo UOL afirmam que Marina justificou que não iria ao evento porque ele foi marcado em cima da hora.

Por mais que a justificativa seja o conflito de agenda, a ausência de Marina Silva é simbólica. A ex-senadora e ex-ministra de Lula tem sido reticente à ideia de apoio público ao petista, mesmo com tentativas de reaproximação por parte de Lula.

Durante sua fala, o ex-presidente mencionou a política acreana: "Eu esperava que a Marina estivesse aqui, porque a minha relação com a Marina é muito antiga, é muito grande. Eu, às vezes, não sei por que ela demonstra momentos de raiva, momentos de não."

O encontro em apoio a Lula foi uma iniciativa de algumas lideranças, como o senador Randolfe Rodrigues, mas não é o posicionamento oficial do partido. Ontem, a Rede divulgou uma resolução sobre o processo eleitoral de 2022 na qual libera os membros do partido a apoiarem as campanhas de Lula ou de Ciro Gomes (PDT) à Presidência.

Lideranças da Rede divulgaram evento

Hoje, junto ao evento, foi divulgado um documento elaborado por algumas lideranças da Rede com propostas para o programa de governo de Lula. No total, são 14 pontos que os integrantes do partido acreditam que devem ser priorizados por Lula.

Entre eles, as lideranças da Rede defenderam que se aprove uma reforma tributária lastreada pela transição para a economia de baixo carbono e a revogação de portarias do governo do presidente Jair Bolsonaro (PL) que flexibilizaram a posse e o porte de armas de fogo.

*Colaboraram Juliana Arreguy e Lucas Borges Teixeira, do UOL, em São Paulo.