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Doria admite diálogo com Lula, mas não do ponto de vista eleitoral

Colaboração para o UOL

28/04/2022 11h01Atualizada em 28/04/2022 15h03

Pré-candidato à Presidência da República, João Doria adotou uma atitude "paz e amor", durante sabatina UOL/Folha, transmitida ao vivo hoje, e defendeu diálogo até com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e partidos de esquerda: "Não há razão para não manter o diálogo aberto com o Lula, com o PT, com os partidos de esquerda".

De acordo com as pesquisas eleitorais atuais, Lula disputaria o segundo turno com o atual presidente, Jair Bolsonaro (PL). Sobre uma possível aliança com o petista, Doria respondeu: "Só nos regimes autoritários é que não há diálogo, há imposição. O Brasil precisa preservar a sua democracia".

Sobre apoio ainda no primeiro turno com o Lula, o ex-governador afirmou: "No ponto de vista eleitoral, não. No ponto de vista partidário, respeito à democracia, sim".

"A boa educação e a civilidade devem ser preservadas. Isso só não existe em regimes autoritários. É parte do processo democrático. O Brasil está farto de conflito e precisa de paz, com diálogo, após eleições, para construir um novo país. Então está no horizonte manter um diálogo aberto", declarou o ex-governador de São Paulo.

Perguntado se esse diálogo pode levá-lo a apoiar Lula em um eventual segundo turno das eleições presidenciais, ele tergiversou.

"Vamos para o segundo turno. O PSDB estará no segundo turno. Acredito nas pessoas. Vivi duas experiências como franco favorito a perder. Em 2016, tinha 1% seis meses antes da eleição. E vencemos com 53% dos votos. Em 2018, comecei em quarto lugar na disputa para o governo de São Paulo, bastante machucado por renunciar a prefeitura. Ainda assim vencemos no segundo turno", lembrou Doria.

Sobre Geraldo Alckmin, antigo aliado e fiador de suas campanhas anteriores, mas que hoje deve estar como vice de Lula, Doria declarou "não ter reservas", mas que não entende por que Alckmin se aliou ao petista.

"Não tenho reservas em relação ao Alckmin. Tenho respeito e nunca cessamos o diálogo. Mas não compreendo a razão de ele estar ao lado de Lula", declarou o ex-governador de São Paulo.

"A última vez que conversamos foi em dezembro. E para que não haja interpretação de que essa falta de conversa significa afastamento, com quantos parentes nossos nós ficamos sem falar por três, quatro ou cinco meses? Isso não tira oportunidade e alegria de um encontro", afirmou Doria.

Mesmo com Bolsonaro, por quem ele se disse enganado, ele deixou uma porta aberta. "Não daria voto. Mas o diálogo não depende do voto. Para dialogar não precisa votar. Seja para eleições ou para garantir governabilidade, romper o diálogo é só para que advoga pela ditadura."

Sabatina UOL/Folha

A sabatina UOL/Folha já foi realizada com a senadora Simone Tebet, pré-candidata presidencial pelo MDB, com Ciro Gomes, do PDT, com Vera Lúcia, do PSTU, e com Luiz Felipe d'Avila, do Novo.

Doria tem 2% de intenção de voto na mais recente pesquisa Datafolha, como André Janones (Avante). Luiz Felipe d'Avila (Novo) apresenta 1%, mesmo percentual de Simone Tebet (MDB) e Vera Lúcia (PSTU). Lula (PT) lidera, com 43%; Jair Bolsonaro (PL) vem em seguida, com 26%; Sergio Moro (União Brasil) tem 8%; e Ciro Gomes (PDT), 6%.

O deputado federal André Janones, que seria sabatinado na sexta, desistiu em cima da hora. O ex-presidente Lula (PT) e o atual presidente, Jair Bolsonaro (PL), não confirmaram participação.