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Unicamp cria app que pode evitar surto de covid e outras doenças em escolas

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Imagem: iStock

Tainara Rebelo

Colaboração para Ecoa, em São Paulo

06/04/2022 06h00

Pouco depois do início da pandemia de covid-19, em 2020, empresas, órgãos e entidades se organizaram para encontrar alternativas e evitar o contágio pela doença, caso precisassem trabalhar presencialmente. Em Campinas, no interior de São Paulo, o Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público Municipal de Campinas (STMC) solicitou junto ao Ministério Público do Trabalho (MPT) algum respaldo que deixasse o retorno às aulas mais seguro.

Dentre outras medidas, o MPT contatou a Universidade de Campinas (Unicamp) e solicitou o desenvolvimento de um app que fizesse a detecção precoce de um possível surto da doença nas escolas. O aplicativo foi elaborado em 2 meses, mas como as aulas não retornaram, pôde se aprimorar e foi lançado oficialmente em agosto de 2021.

Chamado EducaSaúde, a ferramenta permite que estudantes, pais, docentes, funcionários e gestores que frequentam os locais monitorados pelo aplicativo façam — com poucos cliques — o registro de informações de possíveis sintomas da doença.

"Isso possibilita que sejam identificados casos suspeitos ou confirmados de covid-19. Por sua vez, as Vigilâncias em Saúde de cada local geram relatórios diários de monitoramento e direcionam as demandas para as unidades de saúde mais próximas, evitando maior contágio entre as pessoas", explicou o professor Ricardo Dahab, livre-docente do Instituto de Computação da Unicamp, e um dos profissionais responsáveis pelo app.

Covid e outras doenças

Dahab explica que a ferramenta foi desenvolvida com o intuito de beneficiar cerca de 50 mil pessoas. "A aceitação pela comunidade acadêmica e estudantil foi muito boa. Os alunos chegam na escola e fazem o check-in no app. Nós, os professores, também o fazemos. Se houver indícios da doença, a equipe de saúde mais próxima entra em contato.

Com a liberação do uso de máscaras até mesmo nas escolas e a sensação de desaceleração da pandemia de covid, o uso do app foi ficando menor. Mas, por outro lado, isso permitiu que a equipe desenvolvedora pensasse em novas funções, e hoje surtos de outras doenças também podem vir a ser evitados com o seu uso.

"A equipe de saúde responsável pelos questionários dentro do app pode elaborar outras perguntas para rastrear diferentes doenças contagiosas. Basta adaptar os formulários e a avaliação clínica, o que é perfeitamente possível. Ou seja, temos uma ferramenta muito útil em mãos", explicou.

Dados da Unicamp apontam que, de agosto a setembro de 2021, o EducaSaúde foi responsável por 2.772 registros de sintomas, dos quais 2.630 foram atendidos pela equipe de triagem em saúde. Dos casos atendidos e que precisaram de coleta, 27 foram positivos, e outros 160 negativos.

Código é livre para quem quiser usar

O app possui código aberto e livre, ou seja, pode ser modificado e usado sem custos por empresas e cidades que queiram implantar o sistema — basta manter os créditos da autoria. "A gente disponibiliza o manual autoexplicativo de implantação para quem se interessar. Aí vai depender da customização para cada empresa sobre como direcionar notificações para serviço médico interno ou um ambulatório que possa reagir rapidamente em caso de sintomas", explicou.

O EducaSaúde é resultado de uma ação pelo MPT e Unicamp, com a colaboração do Departamento de Vigilância em Saúde de Campinas (Devisa). Sua elaboração contou também com o apoio do STMC (Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público Municipal de Campinas) e da ETEC Euro Albino de Souza, de Mogi Guaçu.

Quem se interessar pelo app e quiser mais informações sobre como adaptá-lo para as suas necessidades pode entrar com contato com o professor Ricardo Dahab pelo e-mail: rdahab@unicamp.br.

Errata: o texto foi atualizado
Diferentemente do que a reportagem informava no primeiro parágrafo, foi o Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público Municipal de Campinas (STMC) que entrou com uma ação no MPT, e não o Sindicato dos Trabalhadores em Educação. O texto foi corrigido.

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