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Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

ESG e ODS: o que são essas siglas e o que você tem a ver com isso?

ESG: Environmental, Social and Governance) - tommy/Getty Images
ESG: Environmental, Social and Governance) Imagem: tommy/Getty Images
Flora Bitancourt*

Flora Bitancourt*

Flora Bitancourt é empreendedora social, sócia da Impact Beyond e do Socialab Brasil, diretora do fiiS Brasil e presidente voluntária do Instituto Movimentarte, integrante da rede de empreendedores do Fórum Econômico Mundial, Global Shapers. Em maio de 2021, ajudou a fundar o projeto Fome de Ação

01/08/2021 06h00

Sustentabilidade e impacto social como parte das ações das empresas são conceitos que já existem há muitos anos. Um termo muito ouvido no momento, ESG (Environmental, Social and Governance), foi cunhado em 2004 por Ivo Knoepfel em seu estudo "Who care wins", apresentado em uma conferência da ONU, em Zurique. Mas será que apenas agora se tornou fundamental? Eu, particularmente, acredito que não.

Mas foi apenas neste último ano que o assunto virou a bola da vez. Temas que antes viviam às margens das empresas, liderados por pequenos núcleos de responsabilidade social ou institutos separados da estrutura do negócio em si, estão entrando na sala da presidência e dos conselhos administrativos e se integrando ao centro das estratégias.

Isso acontece em decorrência da grande pressão dos investidores e o objetivo de unir o retorno financeiro com a resolução real de algum problema ou necessidade socioambiental dos stakeholders das empresas, ou seja: consumidores, funcionários e comunidade. Para isso, os fatores ESG, (ou ASG, em português, referência à Ambiental, Social e Governança), são considerados essenciais como guia na tomada de decisão de investimentos. O objetivo das organizações precisa e pode ser muito mais do que apenas o lucro financeiro. Se os negócios não fazem bem para o mundo, então, em breve não haverá lugar para eles.

Bom, esse movimento não nasceu do nada. O mercado não passou a se importar "do nada". Outros movimentos de impacto positivo, através dos negócios, já pavimentam esse terreno há muito tempo, e também foram impulsionados pelas reflexões e crises sociais e ambientais ampliadas com a pandemia da covid-19. Importante citar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentáveis (ODS), o Pacto Global da ONU, o movimento do Sistema B, a rede do Capitalismo Consciente, entre outros, que foram (e são!) essenciais e ganharam muita relevância nesses últimos tempos por levantarem causas e pautas importantes para a construção desse futuro desejável e possível.

Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentáveis (ODS) são 17 compromissos firmados por 193 países em setembro de 2015 durante o encontro da Cúpula de Desenvolvimento Sustentável da ONU, que contemplam 169 metas e 230 indicadores. Estes compõem uma agenda global que guiam as ações dos governos, sociedade civil e empresas para a construção de políticas públicas com o intuito de mitigar impactos negativos até 2030.

Meu desejo com este artigo é facilitar a compreensão sobre estes temas e quebrar alguns mitos e barreiras de engajamento, para que, verdadeiramente, todas as empresas e pessoas se reconheçam como parte fundamental desses movimentos e os integrem assumindo seu protagonismo como agentes de transformação.

A primeira afirmação a fazer é que não deveria existir diferenciação entre empresa ESG, empresas de Impacto e, digamos, empresas de outras categorias. O futuro que queremos ver é aquele onde todas as empresas, independente de seu tamanho, setor ou objetivos, entendam que precisam cuidar do planeta e das pessoas, avaliando e mitigando seus efeitos negativos e estruturando suas estratégias de negócio com a intenção de gerar valor não apenas para os acionistas interessados com a geração de lucros.

A segunda é que todos nós também temos responsabilidades enquanto indivíduos. E quando falo disso, gosto de citar uma amiga e ativista líder do movimento @Imagine2030, Fernanda Cabral, que diz que todos temos "escolhas exponenciais". O que são essas escolhas? São aquelas no sentido de nos responsabilizarmos pelos efeitos negativos que também geramos para o planeta e, assim, fazermos escolhas mais conscientes e que beneficiem o coletivo. Aqui alguns exemplos: diminuir o consumo de carne; tomar banhos mais curtos; não lavar a calçada; andar mais a pé ou de transportes públicos coletivos; separar corretamente seu lixo e encaminhar para a reciclagem; fazer compostagem e, até mesmo, decidir com atenção e conhecimento onde fazer seus investimentos e como eles podem apoiar essas agendas de transformação.

O último mito importante de se quebrar aqui é que todo esse assunto de ESG e ODS não é moda e nem assunto de grandes empresas. São movimentos globais que vieram para ficar e evidenciar as emergências que estamos vivendo. Estamos diante de um alerta global para todas as indústrias, todos os setores, todos os poderes e todas as pessoas.

Ao entrar nesse universo, é muito importante entender que temas como as mudanças climáticas e o aquecimento global nos afetam diretamente. Alguns efeitos negativos estão prestes a acontecer, segundo o relatório "United in Science 2020" coordenado pela Organização Meteorológica Mundial (OMM): O mundo está vivendo os cinco anos mais quentes já registrados na história e essa tendência deverá continuar, porque os esforços não estão nem perto de atingir a necessidade mínima de manter o aquecimento global abaixo dos 2 °C, como foi acordado em Paris, na Cúpula do Clima em 2015. Os piores efeitos estudados vão desde grandes secas, inundações e incêndios, que causam migrações em massa, a extinção de milhares de espécies da fauna e flora e prejuízos econômicos imensuráveis.

Nós precisamos fazer mudanças drásticas em nosso estilo de vida e, por outro lado as indústrias devem rever suas cadeias produtivas e os efeitos negativos gerados por elas, que são apontados como os maiores responsáveis pelas mudanças climáticas. Sofreremos coletiva e individualmente, se não agirmos sozinhos e em conjunto.

Sou otimista, não acredito que seja impossível mudar. Precisamos, pessoas e organizações, assumir nosso papel, nossos compromissos por este planeta e por todos os seres. Precisamos escutar e confiar na ciência, agir com mais consciência todos os dias. Precisamos de soluções sistêmicas e duradouras. E entender, de uma vez por todas, que esses movimentos desmistificam e impulsionam as empresas a traçarem metas e compromissos claros, reais, viáveis.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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