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Débora Garofalo

A necessidade de fazermos uma Educação para todos

Atualmente, 90% dos estudantes com deficiências estudam em escolas regulares - IStock
Atualmente, 90% dos estudantes com deficiências estudam em escolas regulares Imagem: IStock
Débora Garofalo

Com foco em educação criativa, traz dicas e insights sobre como driblar obstáculos de falta de estrutura, tempo e material para encantar alunos e alunas na sala de aula

18/11/2020 04h00

No cenário Nacional da Educação através de diretrizes recentes do Ministério da Educação, vivenciamos um cenário um tanto desarticulado com a proposta da BNCC (Base Nacional Comum Curricular) e de políticas como a de inclusão.

O documento da PNEE (Política Nacional de Educação Especial), assinado pelo presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido) abre a possibilidade para que escolas não recebam estudantes com deficiências.

Atualmente, 90% dos estudantes com deficiências estudam em escolas regulares, número crescente desde 2008, período da implementação da política de inclusão. Assim, ao permitir "brechas" o decreto, está em divergência com a Constituição e também com documentos referentes aos Documentos da Convenção dos Direitos das Pessoas com Deficiências. Quando falamos em educação integral e em educação para todos, não podemos realizar distinção.

Como professora há 15 anos da rede de pública de ensino, lidei com diversos estudantes com diferentes deficiências e pude constatar o seu avanço em salas regulares de ensino, sendo necessário investir em acesso para esses estudantes e em formação docente. Não podemos retroceder anos na Educação e sim avançar em políticas públicas efetivas. Ouvir especialistas e principalmente estudantes para que possamos de fato fazer uma educação para todos!

Na contramão da nova política de inclusão

Na contramão da nova política de inclusão, temos a Professora Doani Emanuele Bertan entre os top 10 do Global Teacher Prize, considerado o Nobel da Educação. Em especial, consigo compreender o sentimento da Professora Doani, já que no ano de 2019, fui a primeira mulher brasileira e a primeira sul-americana a chegar na final deste prêmio internacional a professores com o trabalho de robótica com Sucata.

Doani Emanuela Bertan, trabalha como professora bilíngue de Português e Língua Brasileira de Sinais. A escola em que ela ensina fica em Campinas, São Paulo, em uma área carente, em que lutava com altas taxas de evasão. Doani, juntamente com seus colegas, começaram a procurar novas estratégias para otimizar o aprendizado. Ela ensina à LIBRAS o sistema brasileiro de língua de sinais para seus alunos com deficiência auditiva e começou a promover videochamadas para responder a suas dúvidas e preocupações nas aulas diárias.

Esses tutoriais on-line se transformaram em videoaulas bilíngues, permitindo que o conhecimento se espalhasse fora do ambiente escolar. Além do uso da tecnologia como ferramenta, eles permitem tempos e espaços de aprendizado flexíveis, apoiam pais e famílias e possibilitam novas experiências educacionais.

Todas as suas aulas foram enviadas para um canal do YouTube, intitulado Sala 8 e que têm acesso gratuito. Na pandemia se destaca por auxiliar a todos ouvintes e estudantes surdos. Sua escola se destaca por sua alta matrícula de alunos com deficiência auditiva e professores que promovem o LIBRAS como uma ferramenta eficaz de inclusão.

O compromisso de Doani a levou a ir além dos horários formais de trabalho e a aproveitar as oportunidades que a tecnologia permite ao democratizar e humanizar o ensino a todos.

No dia 3 de dezembro de 2020, saberemos quem será o grande vencedor da edição deste ano, mas independente disso, sabemos que a Professora Doani já é uma grande vencedora, em nos mostra a importância de apoiar e valorizar os nossos professores que nos guiam com caminhos para que realmente realizarmos uma educação a todos.

Um abraço e até a próxima semana.